caminho » caminho

 

Notícias

Conservation International do Brasil e o Museu Paraense Emílio Goeldi lançam o Projeto Biota-Pará

O Instituto Conservation International do Brasil (CI-BR) e o Museu Paraense Emílio Goeldi (MPEG) se unem para consolidar informações sobre a biodiversidade do estado do Pará, um dos mais extensos estados brasileiros. O projeto elaborado pelas duas instituições foi chamado Biota Pará

e terá como produtos principais no primeiro ano: a elaboração da lista de espécies ameaçadas de extinção no Estado e o diagnóstico da biodiversidade do Centro de Endemismo Belém, o setor mais desmatado de toda a Amazônia Brasileira.
Como tanto o Museu Goeldi quanto o CI-Brasil querem auxiliar na formulação de políticas sobre a conservação e o uso sustentável da biodiversidade amazônica, escolheram produzir instrumentos básicos para a política florestal, como a lista de espécies ameaçadas de extinção, que deverá ficar pronta até setembro de 2003. Esta será a primeira vez que o Pará elaborará a sua lista de espécies ameaçadas de extinção - embora vários representantes da fauna e da flora paraenses, especialmente àqueles que são super explorados pelo homem ou com distribuição restrita, já sejam conhecidos. (veja os quadros Animais em Extinção no Pará e Como será elaborada a lista)

Em plena Amazônia, um quadro similar a Mata Atlântica
Clique para ampliarO Pará possui 1.253.164 km2 de extensão. Cerca de 16% (cerca de 200.000 km2, ou equivalente a toda extensão do Estado do Paraná) das suas florestas e campos já foram alterados pela atividade humana (Figura 1). Segundo os dados do INPE, a taxa anual de desmatamento entre 1998 e 2000 no Pará foi de 6.700 km2/ano, ou seja, cerca de 4.589 campos de futebol por dia. O desmatamento é a principal ameaça as espécies de plantas e animais, principalmente aquelas que possuem distribuição muito reduzida e vivem em densidades populacionais muito baixas.
Clique para ampliarUm dos mais bem marcados centros de endemismo da Amazônia brasileira é o centro de endemismo Belém, que está localizado no extremo leste do bioma, incorporando todas as florestas e ecossistemas associados à leste do rio Tocantins e toda a Amazônia Maranhense (Figura 2). Este centro foi identificado com base em estudos de plantas, aves e borboletas florestais.
"Esta região é o setor mais ameaçado da Amazônia Brasileira, pois cerca de 60% das suas florestas já foram desmatadas e as poucas florestas que restam continuam sob grande pressão", comenta Ima Célia Vieira, Coordenadora de Pesquisa e Pós-Graduação do Museu Paraense Emílio Goeldi e que desenvolve pesquisas nesta região por mais de 10 anos. Um estudo recente, produzido por Júlio Roma (Universidade de Brasília), José Maria C. da Silva (Conservation International do Brasil) e David Oren (Museu Goeldi e The Nature Conservancy do Brasil), com as aves do centro de endemismo Belém indicou que das 531 espécies de aves registradas na região, cerca de 116 (22%) estavam ameaçados de extinção local.
"A situação da biota do centro de endemismo Belém é similar à situação da biota da Floresta Atlântica e se nada for feito urgentemente, poderemos ter uma extinção em massa, a primeira deste tipo a atingir a Amazônia desde a entrada do homem na região", reflete José Maria Cardoso da Silva, diretor para a Amazônia da Conservation International do Brasil.
Tereza Cristina Ávila Pires, pesquisadora do Museu Goeldi e coordenadora do Programa BIOTA-Pará, esclarece que o MPEG e o C.I.-BR estarão elaborando um diagnóstico da biodiversidade do centro de endemismo Belém para, junto com outras organizações, governo estadual, governos municipais, lideranças indígenas e comunidades locais, desenvolver um plano emergencial de consenso para garantir a conservação da biodiversidade da região.


Contato: Assessoria de Comunicação Social do Museu Paraense Emílio Goeldi, e-mail: biodiversidade@museu-goeldi.br e comunicacao@museu-goeldi.br
José Maria Cardoso da Silva, Conservation International do Brasil, e-mail: j.silva@conservation.org.br, fone: +91-225-3848, +91-9985-5152.


Animais em extinção no Pará
Algumas espécies/subespécies que ocorrem no Pará e que constam na atual lista oficial de animais brasileiros de extinção: o sagüi-branco (Mico leucippe), o sagüi-de-Santarém (Mico humeralifer), o cuxiú-de-nariz-branco (Chiropotes albinasus), o cuxiú-preto (Chiropotes satanas), o guará (Eudocimus ruber), a arara-azul-grande (Anodorhynchus hyacinthinus), o mutum-pinima (Crax fasciolata pinima) e a ararajuba (Guarouba guarouba).

Como será elaborada a lista
O processo de elaboração da lista de espécies consistirá de três etapas: (a) a etapa preparatória, com a formação de uma lista de espécies candidatas obtida a partir de indicações de especialistas; (b) uma etapa decisória, com a realização de uma reunião de trabalho para definir quais as espécies que deverão integrar a lista; e (c) a etapa final, com a preparação e encaminhamento da lista ao órgão responsável para a sua homologação.


 

Biodiversidade da Amazônia Online é um site do Museu Paraense Emílio Goeldi
Fotos: Dario Amaral, Avila-Pires, Inocêncio Gorayeb, Samuel Almeida, Roberta Valente, Regina Lisboa
Mapas: CI-Brasil e Museu Goeldi