DIFUSÃO CIENTÍFICA COMO CONTRIBUIÇÃO SOCIAL DO PESQUISADOR: VÍCIOS E RESISTÊNCIAS |
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Gilberto F. S. Aguiar¹
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No Brasil, a imagem pública do cientista se reveste de considerável prestígio, particularmente em áreas aplicadas. Pessoas alheias às características da vivência acadêmica e científica julgam serem as novidades intelectuais intocáveis e sagradas. O cientista permanece popularmente visto como uma criatura excêntrica, reservada, arredia e provida de poderes especiais. Suas descobertas e achados podem dispor de grande potencial para despertar a curiosidade e o interesse da comunidade geral, mas muitos especialistas ostensivamente desprezam a possibilidade de tornar públicos seus próprios trabalhos ou trabalhos afins às suas áreas de atuação. A difusão do conhecimento não representa uma atividade secundária do intelectual. Pelo contrário, trata-se de um importante meio de prestação de serviço à sociedade. A idéia tradicional de se produzir "papers" dirigidos tão somente à clientela acadêmica deve ser execrada, pois subverte o princípio moral de compromisso com o povo. A questão é preocupante. Dentro da própria comunidade científica, escrever trabalhos de divulgação pode se constituir em motivo de preconceito e segregação. Tal visão tem suas raízes na idéia restritiva de que o pesquisador "sério" deve produzir artigos originais e publicá-los em periódicos especializados. Contato com o cidadão comum? Para a maioria, não prioritário... De uma maneira geral, os pesquisadores brasileiros seguem ainda hoje a tradição de esquivar-se à difusão sistemática de sua produção científica através da mídia. Além de poucas colunas especializadas, há trabalhos isolados e tímidos, muitas vezes veiculados não por iniciativa do pesquisador, mas pelo esforço unilateral de jornalistas regionais ou de assessorias de comunicação social. A informação pode permanecer tão restrita a ponto de isolar-se em subgrupos no interior de departamentos acadêmicos ou institutos científicos. Tal vício resulta da desinformação do profissional sobre sua inserção na sociedade. Ao longo da vida acadêmica, pouco se discute sobre a necessidade de relacionamento sistemático entre o homem da ciência e o homem do povo. O adestramento dos cientistas brasileiros para a produção de textos de divulgação depende de estímulos específicos advindos das cúpulas administrativas dos órgãos de ensino e pesquisa. As normas de pontuação de mérito, nos processos de promoção funcional, merecem ser modificadas, pois subestimam atividades de difusão do conhecimento. A idéia de interagir com o cidadão comum e popularizar os seus achados ou os temas relacionados às suas áreas de atuação deve converter-se em prioridade na vivência profissional do pesquisador. Faz-se necessário descaracterizá-lo como uma figura distante e enigmática, humanizando-o, através do contato objetivo e sistemático com a comunidade, permitido pelos meios de comunicação de massa. |
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Extraído
dos anais do 1º Congresso Nacional de Jornalismo Científico (São
Paulo, 1993).
¹ Pesquisador Adjunto da Coordenação de Ciências Humanas do Museu Paraense Emílio Goeldi. |
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