PUBLICAÇÕES DO MUSEU GOELDI DIVULGAM PRODUÇÃO CIENTÍFICA DA AMAZÔNIA

Em mais de um século de existência, a Editora do Museu Goeldi conquistou reconhecimento internacional graças à qualidade das publicações

Desde o final do século XIX, com o objetivo de divulgar os conhecimentos científicos produzidos sobre a fauna, a flora e o homem amazônico, o Museu Paraense Emílio Goeldi (MPEG) desenvolve uma Política de Editoração, iniciada em 1896, com a publicação do primeiro periódico científico da Amazônia, o Boletim do Museu Paraense de História Natural e Etnographia, posteriormente denominado Boletim do Museu Paraense Emílio Goeldi, em homenagem ao cientista que o idealizou.

Editado em quatro séries correspondentes aos estudos de Antropologia, Botânica, Zoologia e Ciências da Terra, áreas de atuação do Museu, o Boletim é hoje um importante instrumento de difusão do conhecimento científico e referência para o debate público sobre ciência e tecnologia na região.

Atualmente, a Comissão de Editoração está discutindo algumas modificações na publicação do Museu para o ano de 2002. O Boletim, 17 anos depois, terá seu projeto gráfico modificado e apenas duas séries. As áreas de Antropologia, Arqueologia e Lingüística estarão compreendidas na série de Ciências Humanas; enquanto que Zoologia, Botânica e Ciências da Terra farão parte da série de Ciências Naturais.

Além do Boletim, são lançadas por ano cerca de cinco publicações de caráter técnico científico que divulgam os trabalhos realizados por pesquisadores da instituição. No ano passado, como parte das comemorações dos 135 do Museu Emílio Goeldi, foram lançados quatro livros, além de dois CD-Roms, que revelam os resultados de anos de investigação científica na Amazônia.

Abaixo, um resumo das publicações lançadas em 2001.

BIODIVERSIDADE DA AMAZÔNIA..............................

Qual a origem da biodiversidade amazônica? Qual a origem da diversidade cultural da região? Como promover o uso sustentável da biodiversidade amazônica? Essas são algumas das questões discutidas no livro Diversidade biológica e cultural da Amazônia, prefaciado pelo Ministro da Ciência e Tecnologia, Ronaldo Sardenberg, e que reúne 20 trabalhos científicos dos maiores especialistas no assunto, além de homenagens a três importantes cientistas já falecidos.
Organizada pelos pesquisadores Ima Vieira, coordenadora de pesquisa e pós-graduação do Museu Goeldi; José Maria Cardoso da Silva, diretor para a Amazônia da Conservation Internacional

do Brasil; David Oren, gerente científico da The Nature Conservancy no Brasil; e Maria Ângela D’Incao, professora de pós-graduação na UNESP/Araraquara, a obra retrata múltiplos aspectos da Amazônia apresentando sua biodiversidade, ecossistema e cultura. Preservar essa imensa riqueza natural e compreender sua sociodiversidade ainda é um desafio para a ciência, e este livro sintetiza o resultado de pesquisas de campo de vários cientistas que se lançaram ao estudo e à solução das grandes questões amazônicas.

CRETÁCEO..........................................................................

Conhecido como o fim da "Era dos Dinossauros", é no período do Cretáceo que se encontram os primeiros fósseis da maioria dos grupos de insetos, de grupos modernos de mamíferos e de pássaros e das primeiras plantas com flores (angiospermas). Além disso, mesmo 66 milhões de anos após o seu declínio, o Cretáceo é ainda objeto de inúmeros estudos relacionados à estratigrafia seqüencial e paleontologia (empilhamento e gênese das rochas sedimentares). No entanto, são poucas as publicações relacionadas a essa área de estudo no Brasil.

Para suprir essa carência, foi lançado em junho de 2001, o livro O Cretáceo na Bacia de São Luís - Grajaú , organizado pelos pesquisadores do Museu Paraense Emílio Goeldi e da Universidade Federal do Pará (UFPA), Dilce de Fátima Rossetti, Ana Maria Góes e Werner Truckenbrodt. A obra reúne em 15 artigos o resultado de 10 anos de pesquisa sobre os eventos cretáceos na região Meio- Norte do Brasil.

ASPILIA THOU..................................................................

Baseado no estudo de cerca de 1.200 exsicatas (exemplares dessecados de plantas), provenientes de 22 herbários nacionais e 16 herbários no exterior, o livro O Gênero Aspilia Thou. no Brasil, de autoria do doutor em Botânica e pesquisador do Museu Goeldi, João Ubiratan Moreira dos Santos, apresenta um estudo taxonômico das espécies brasileiras do gênero dentre as quais 19 são descritas e ilustradas na obra.

Com cerca de 155 nomes, o gênero Aspilia Thou. é mantido na tribo Heliantheae s.1., subtribo Ecliptinae, e distingue-se de outros gêneros da tribo por apresentar flores do raio liguladas e neutras, com duas a três nervuras conspícuas e aquênio do disco, levemente comprimido, com cicatriz na base.

No Brasil, grande parte das espécies são encontradas em ambientes rupestres, cerrado, mata de galeria e restinga, principalmente nos Estados de Minas Gerais, Goiás, Bahia, Mato Grosso e no Mato Grosso do Sul, considerado o maior centro de dispersão da espécie no país.

HISTÓRIA DA CIÊNCIA...................................................

Contar a história do Instituto Nacional de Pesquisas na Amazônia (INPA) e do Museu Paraense Emílio Goeldi (MPEG), duas importantes instituições científicas na região amazônica, em cerca de 800 páginas. É o que se propõe o livro Conhecimento e Fronteira: a história da ciência na Amazônia, editado pelos pesquisadores Priscila Faulhaber e Peter Mann de Toledo, diretor do Museu Goeldi, em homenagem aos 50 anos do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).

Através de artigos, depoimentos, entrevistas e imagens, Conhecimento e Fronteira analisa criticamente a evolução científica na Amazônia e demonstra o quanto o Museu Paraense Emílio Goeldi e o INPA se tornaram importantes instituições para a difusão da produção científica amazônica, destacando a contribuição do CNPq.

ILHA CANELA...................................................................

Localizada na costa do município de Bragança, no Pará, a Ilha Canela foi, desde 1995, objeto de estudo de pesquisadores do Centro de Ecologia Marinha da Universidade de Bremen (Alemanha) e do Museu Paraense Emílio Goeldi.

Em cinco anos de estudo, foi descoberto na Ilha Canela um dos maiores ninhais de guarás da terra, com uma população flutuante de 25 mil dessas aves. O guará é uma ave em risco de extinção e o número crescente de visitas de turistas pela região vem aumentando os estudos relacionados à preservação da ilha.

O resultado desses cinco anos de trabalho estão reunidos no CD-Rom A Biodiversidade e a comunidade de pescadores na Ilha Canela, editado pelo entomólogo do Museu Emílio Goeldi, Inocêncio Gorayeb, e pelo pesquisador Dirk Schories, do Centro de Ecologia Marinha da Universidade de Bremen.

Com uma tiragem de 1.200 unidades, o CD-Rom traz informações sobre a vegetação, pesquisas sócio-econômicas realizadas nas comunidades locais, aves, insetos, problemas antrópicos, além de legislação e unidades de conservação desse verdadeiro santuário ecológico.

ORQUÍDEAS.......................................................................

Nativas da América Central e do Sul, as orquídeas formam a maior família botânica do planeta, com 25 mil espécies nativas. São mais de 35 mil espécies já descritas, além das formas híbridas produzidas por cruzamento de forma espontânea e cultivada. Elas vegetam nos mais diversos ambientes, desde regiões frias a quentes; de secas a muito úmidas; de elevadas até baixas altitudes.

Somente na Amazônia existem cerca de 700 espécies e, de fato, a exuberância dessas espécies nativas da região torna o seu estudo prazeroso para qualquer pesquisador. Prazer esse que fez o naturalista e autodidata, João Batista Fernandes da Silva, dedicar mais de vinte anos de sua vida ao estudo sobre a flora orquídica, o que resultou no lançamento do CD-Rom Orquídeas Nativas da Amazônia Brasileira .

O CD- Rom, de autoria dos pesquisadores João Batista Fernandes e Manoela Ferreira Fernandes da Silva, reúne informações acerca do habitat e distribuição geográfica das espécies de orquídeas da região amazônica que servem de base de estudos para profissionais e leigos que admiram a flora orquidológica.

ECOSSISTEMAS................................................................

O livro Ecossistemas Costeiros: Impactos e Gestão Ambiental, organizado pelos pesquisadores do Museu Goeldi, Maria Thereza Prost e Amílcar Mendes, tem como objetivo levar à sociedade um maior conhecimento sobre os ecossistemas estuarinos e dos manguezais, além dos problemas sócio - ambientais do litoral norte do nosso continente.

A obra, lançada em dezembro de 2001, traz uma coletânea de textos que retratam sérias degradações ambientais decorrentes da forma irracional de ocupação humana da região, que somente serão evitadas quando as autoridades responsáveis estiverem comprometidas com a preservação do patrimônio, e os homens realmente aprenderem a se relacionar em sociedade.

LANÇAMENTOS.......................................................

A Comissão de Editoração Científica do Museu Goeldi lançou mais duas publicações em janeiro de 2002.

Pela Coleção Adolpho Ducke, Botânica, foram lançados os livros "Aroma de Flores na Amazônia" e "Plantas Aromáticas na Amazônia e seus óleos essenciais".

Ambos de autoria dos pesquisadores José Guilherme Maia, Maria da Graça Zoghbi e Eloisa Helena Andrade, os livros tratam

sobre a composição química de flores de plantas nativas ou aclimatadas na região, obtendo um importante valor científico ao estabelecer uma base de dados de plantas aromáticas da Amazônia.

Todas as publicações do Museu Paraense Emílio Goeldi podem ser adquiridas através da Coordenação de Informação e Documentação (CID), no Campus de Pesquisa do Museu Goeldi, pela Caixa Postal 399, Av. Perimetral 1901, CEP 66077-530, Belém - Pará , pelo fone/fax (91) 274.1811ou através do e-mail: mgdoc@museu-goeldi.br

Imagens: Acervo da Comissão de Editoração do Museu Goeldi (COED)