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PROJETO
BUSCA MELHORIA NA QUALIDADE DE VIDA DE PESCADORES |
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| Teoria e prática. Esse dilema corrente no meio científico vem sendo quebrado por pesquisadores que, cada vez mais, se preocupam em transformar suas idéias em ações que tragam algum benefício para a sociedade. Um desses exemplos é o projeto Renas que completa dez anos se dedicando a estudar e melhorar a vida dos pescadores. | ||||||||||
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TRANSFORMAÇÃO..................................................................................................
Com o aprofundamento dos estudos e as visitas de campo, os pesquisadores se deram conta das diferenças entre as várias comunidades, tanto no aspecto sócio-cultural quanto em relação ao meio ambiente. Perceberam que a pesca industrial, que estava sendo introduzida, acarretava grandes problemas como a agressão ao meio ambiente, o desemprego, o êxodo, enfim, o empobrecimento e a desagregação das comunidades e a transformação de vila de pescadores em pontos turísticos e de lazer de forma desordenada. Além dos impactos ambientais, as vilas de pescadores foram invadidas pela especulação imobiliária, transformando-se em pontos turísticos e de lazer. A grande dificuldade era então aliar teoria e prática para minimizar os impactos entre a pesca artesanal e nova atividade produtiva: a pesca em larga escala. Dos 80 mil pescadores no Pará, 60 mil ainda eram adeptos das maneiras tradicionais de pescar, oriundas da cultura indígena, e não estavam preparados para fazer frente a grande demanda do mercado consumidor. Como explica Lourdes Furtado, "as populações pesqueiras transitam entre a ancestralidade indígena e a modernidade do mercado". Em 1991, surgiu o Renas, um projeto multidisciplinar que tinha como desafio dar uma resposta concreta aos problemas detectados pelos pesquisadores. O Renas envolveu instituições governamentais e a sociedade civil para encontrar soluções. Nesse processo, as comunidades pesqueiras desempenharam um papel importante, pois além do conhecimento tradicional que detinham, necessário para subsidiar as políticas do setor, tiveram que se organizar politicamente para sobreviver. Coube ao projeto levantar a problemática e capacitar os pescadores para, junto com o governo, discutir e implementar atividades que fossem sustentáveis para o meio ambiente e as comunidades locais. |
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DESAFIOS.............................................................. |
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Pescadores
artesanais sofrem com a pesca industrial que provoca degradação ambiental
e desagrega comunidades
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capacitação das comunidades. São cursos, oficinas, palestras, seminários e exposições que ajudam os pescadores a gerenciar os recursos naturais e ter poder de decisão junto ao governo. "Os maiores desafios do projeto é formular agendas estratégicas fundadas na realidade e capacitar as comunidades para a auto-gestão", explica a idealizadora do Renas. |
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Em 2002, o Renas entra numa nova fase. O projeto pretende expandir as atividades para a região do Marajó e reforçar o caráter interdisciplinar das pesquisas e ações. A proposta é formar uma equipe maior para trabalhar em áreas como saúde e saneamento. O projeto deve continuar a receber recursos da Ong canadense International Development Research Center (IDRC/CRDI), que desde 1995 financia o Renas e, periodicamente, avalia as metas e ações implementadas. Pelos resultados obtidos, o Renas ainda deve ter vida longa. As instituições envolvidas e, principalmente, as comunidades de pescadores reconhecem a importância do projeto Renas que, ao contrário de grande número de pesquisas que nunca saíram do papel, transpôs o isolamento científico e soube remar. |
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O projeto Renas luta para preservar o modo de vida das populações que vivem da pesca e também os recursos naturais |
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Fotos:
Acervo RENAS |
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