NÚCLEO DE PROPRIEDADE INTELECTUAL DO MUSEU PARAENSE EMÍLIO GOELDI

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Objetivos

Incentivar a identificação do potencial inovativo e difundir a cultura inventiva e de proteção de propriedade intelectual de processos e produtos originados em pesquisas científicas na área de biodiversidade e conhecimentos tradicionais associados.

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Objetivos específicos

• Sensibilizar pesquisadores da região a adotarem, em suas atividades de pesquisa, procedimentos relacionados a proteção da propriedade intelectual de processos e produtos advindos da biodiversidade, reconhecendo e valorizando possíveis conhecimentos tradicionais associados;
• Difundir material e informações sobre propriedade intelectual e proteção dos conhecimentos tradicionais relacionados a biodiversidade;
• Regulamentar e orientar os pesquisadores do MPEG quanto os procedimentos a serem adotados em pesquisas que demandem acesso a biodiversidade e ao conhecimento tradicional;
• Manter a articulação com outras instituições de pesquisa da região (por meio de visitas, realização de cursos e palestras) a fim de trocar experiências sobre transferência de tecnologia e proteção dos conhecimentos na área de biodiversidade, e construir as bases para a criação futura de uma Rede Norte de Propriedade Intelectual;
• Prestar assistência a pequenas empresas de base tecnológica da região oferecendo palestras, cursos e seminários, e o pessoal e a infra-estrutura da instituição para a busca, redação de patentes e formulação de contratos, inclusive, com comunidades tradicionais;
• Incentivar a transferência de tecnologia dos resultados de pesquisas desenvolvidas por instituições da região para o setor produtivo.

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Metodologia

O trabalho está sendo desenvolvido com base em cinco eixos de atuação:

I – Capacitação – realização de palestras e cursos de curta duração para pesquisadores do MPEG e outras instituições da região, ministrados por especialistas em propriedade intelectual e proteção dos conhecimentos tradicionais;
II – Informação – manutenção de página na internet voltada a difusão de informações e troca de experiência entre instituições da região norte sobre propriedade intelectual e a proteção dos conhecimentos tradicionais associados a biodiversidade, além de assistência on-line permanente ao pesquisador inventivo;
III – Regulamentação – definição e consensualização de procedimentos e normas sobre propriedade intelectual, transferência de tecnologia e proteção dos conhecimentos tradicionais entre pesquisadores do MPEG;
IV – Articulação – visitas a outras instituições de pesquisa da região visando intercâmbio de experiências e desenvolvimento de projetos em conjunto;
V – Prospecção Tecnológica – identificação de material com potencial de patenteabilidade entre estudos recentes e projetos de pesquisa em andamento nos departamentos da instituição.

Não existe, necessariamente, uma ordem temporal na implementação desses eixos. Eles se complementam e devem ser desenvolvidos simultaneamente. A idéia, desse conjunto, é estimular os profissionais da região amazônica - sobretudo os pesquisadores do MPEG, uma das mais importantes instituições de pesquisa da região – a percepção do papel que exercem num novo contexto global de crescente valorização dos recursos naturais e dos conhecimentos tradicionais a eles associados.
Nesse sentido, a realização de cursos e palestras é essencial para que os pesquisadores não vejam a precaução institucional com relação a proteção da propriedade intelectual como apenas um empecilho a própria atividade de pesquisa, mais uma imposição burocrática e sem sentido a ser cumprida. A aceitação e a efetivação de novas normas institucionais por parte dos pesquisadores depende de um trabalho de sensibilização e conscientização da necessidade de se estipular regras para atividades cotidianas até então desenvolvidas informalmente. Difundir a percepção de que a regulamentação das relações de parceria pode gerar benefícios, como patentes e royalties, para os próprios pesquisadores e a instituição em que trabalham, além de favorecer o adequado repasse do conhecimento para a sociedade.
Dessa forma, depois de um trabalho de capacitação, com o convite de especialistas para ministrar cursos e palestras tanto para pesquisadores quanto para o setor produtivo da região, pretende-se a estipulação de regras e normas jurídico-institucionais para a realização de contratos e desenvolvimento de pesquisas no MPEG. Esse trabalho será realizado de forma conjunta com os pesquisadores da instituição, em seminário específico a tratar sobre o tema. O objetivo é formalizar acordos que até então vinham acontecendo informalmente e estipular novas regras para lidar com o setor produtivo e com as comunidades tradicionais, tanto no que se refere a questões relacionadas à transferência de tecnologia quanto à repartição de benefícios. Como resultado espera-se aumentar o repasse dos resultados das pesquisas para a sociedade e facilitar a relação da instituição com o setor produtivo.
A questão do repasse dos resultados das pesquisas para a sociedade e a aproximação com o setor produtivo terá um tratamento especial com a contratação de consultor para realizar trabalho de prospecção tecnológica, identificando entre estudos recentes e projetos de pesquisa em andamento material com potencial patenteável. Esse trabalho será realizado em um ou dois departamentos pilotos, e contará com o acompanhamento do corpo técnico do escritório de patentes do MPEG. Dessa forma, pretende-se qualificar o pessoal da instituição para dar continuidade ao trabalho nos demais departamentos e replicar a experiência em outras instituições do norte, que desejarem, difundido a metodologia na região. Finalizada a triagem de projetos com potencial patenteável terá início o processo de busca de anterioridade e estudo de mercado e potencial de comercialização de produtos.
Em paralelo ao trabalho de prospecção tecnológica e as atividades de capacitação e regulamentação ocorrerá o trabalho de manutenção e atualização de informações sobre propriedade intelectual no site da instituição, disponibilizando aos pesquisadores e a sociedade, em princípio, material sobre a legislação de patentes, documentos e resumos relacionados às palestras e cursos realizados, procedimentos para a proteção da propriedade industrial junto ao INPI, alerta sobre o que pode ou não ser protegido e as formas de proteção. Posteriormente, o site também deve abrigar as normas regulamentares da instituição sobre o assunto e informações sobre novos produtos e processos desenvolvidos por pesquisadores da instituição, para potenciais parceiros comerciais e a sociedade em geral.
Essas normas e procedimentos, uma vez definidas, podem servir de modelo ao desenvolvimento de regulamentações parecidas em outras instituições de pesquisa da região, caso estas assim o desejem. Constituindo, juntamente com a capacitação, visitas institucionais e a difusão de informações um importante instrumento de articulação regional em torno do assunto.

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Resultados Esperados

• pesquisadores da região sensibilizados e adotando em suas atividades de pesquisa procedimentos relacionados a proteção da propriedade intelectual e dos conhecimentos tradicionais associados a biodiversidade;
• página na internet com material sobre propriedade intelectual e proteção dos conhecimentos tradicionais desenvolvida e servindo como um canal de orientação e difusão de informações sobre esse tema para pesquisadores do MPEG e outras instituições de pesquisa do norte do país;
• regulamentação sobre procedimentos dos pesquisadores do MPEG em relação a pesquisas que demandem acesso a biodiversidade e ao conhecimento tradicional elaborada;
• instituições da região norte articuladas em torno de questões relacionadas a propriedade intelectual nos campos da biodiversidade e do conhecimento tradicional;
• identificação de produtos e processos patenteáveis e comercializáveis em projetos desenvolvidos por pesquisadores do MPEG;
• maior transferência de tecnologia para a sociedade;
• reformulação e ampliação da relação da instituição com o setor produtivo.

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Impactos previstos

• aumento da capacidade dos pesquisadores em lidar com questões relacionadas à proteção de conhecimentos tradicionais;
• utilização de documentos de patentes como fonte de informação tecnológica;
• aumento do número de patentes nacionais relacionadas a produtos e processos originados da transformação de recursos naturais;
• gerenciamento comercial dos produtos tecnológicos gerados pela pesquisa científica;
• maior potencial de utilização dos recursos naturais;
• combate a biopirataria e outras formas de apropriação indevida dos saberes locais;
• aumento da captação de recursos para a instituição por meio da efetivação de contratos de parceria e comercialização de resultados de pesquisa com potencial econômico;
• maior potencial de transferência da tecnologia gerada em instituições de pesquisa para a sociedade;
• melhoria da qualidade de vida das populações detentoras de conhecimentos tradicionais (comunidades indígenas, extrativistas, quilombolas, comunidades ribeirinhas e outros) por meio do compartilhamento dos benefícios econômicos advindos, não apenas da comercialização e licenciamento de patentes obtidas com ajuda de conhecimento tradicional, mas também de outras formas de remuneração anteriores aos potenciais royalties, uma vez que este pode demorar até vinte anos para ocorrer, em casos como os de produtos farmacêuticos.

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Equipe

Antônio Pinheiro – Bacharel em Direito pela Universidade Federal do Pará. Especialista em Gestão Ambiental pela Universidade Federal do Amazonas . Especialista em Direito Ambiental e Políticas Públicas pela Universidade Federal do Pará

Benedita da Silva Barros – Bacharel em Ciências Econômicas pela Universidade Federal do Pará. Advogada, inscrita na OAB Seção Pará/Amapá sob o nº 7319. Mestra em Direito das Relações pela Universidade da Amazônia. Ocupa o cargo efetivo de Analista de C&T H III e, em comissão, a Assessora Jurídica do Museu Paraense Emílio Goeldi e Coordenadora do Núcleo de Propriedade Intelectual do Museu Paraense Emilio Goeldi.

Gustavo Lynch - Advogado. Especialista em Direito Civil e Processo Civil. Ocupa cargo de Técnico Efetivo - MCT - Museu Emílio Goeldi.

Neila Cristina dos Santos Barbosa – Acadêmica de Direito do Centro Universitário do Pará. Bolsista DTI / MCT- Museu Emílio Goeldi.

Alyne Marcely Fernandes de Souza – Acadêmica de Direito da Universidade Federal do Pará. Estagiária MCT- Museu Emílio Goeldi – Assessoria Jurídica e Propriedade Intelectual.



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