Informativo eletrônico, n º 102 - Belém, 4 de fevereiro de 2010
 
   AGENDA

 

No ano da biodiversidade, o PPBio comemora a
consolidação de sua rede na Amazônia Oriental

Com a meta de estudar a área mais desmatada e ameaçada da região amazônica, o  
PPBio Amazônia Oriental montou uma rede de pesquisa que envolve 6 Núcleos
Regionais instalados no Amapá, Pará, Maranhão, Mato Grosso e Tocantins.

O Programa de Pesquisa em Biodiversidade - PPBio Amazônia Oriental, após cinco anos de atividades, já conta com Núcleos Regionais instalados em todos os estados que compõem essa sub-região (Pará, Mato Grosso, Maranhão, Amapá e Tocantins), território amazônico onde se situa a maior parte do falado “Arco do Desmatamento”.

O seis núcleos da rede visam a coletar, organizar e disponibilizar dados sobre biodiversidade na região, além de apoiar a formação de especialistas na área. A articulação do PPBio é um indicador do esforço feito pelos institutos de pesquisa, universidades federais e estaduais e do Ministério da Ciência e Tecnologia para estabelecer na Amazônia melhor infra-estrutura para os estudos biológicos, que deverá resultar na formação de um capital científico regional apto a enfrentar os desafios de conhecer, utilizar e conservar a riqueza natural amazônica.

A coordenação do PPBio Amazônia Oriental está a cargo do Museu Paraense Emílio Goeldi – MPEG, que coordena a Rede e o Núcleo Regional do Leste do Pará. Os Núcleos regionais do Leste do Pará, Amapá, Maranhão, Mato Grosso, Oeste do Pará e Tocantins envolvem pesquisadores de institutos, universidades e órgãos ambientais locais, que organizaram projetos para direcionar sua ação no período de 2010-2011.
As propostas dos Núcleos demonstram desafios comuns, mas também ilustram faces diversificadas da Região Amazônica e diferentes fases de organização institucional.

Coordenado pelo Dr. Alexandre Bonaldo (MPEG), o Núcleo Regional do Leste do Pará, onde se concentra as maiores e mais tradicionais instituições da rede Amazônia Oriental, tem seus planos direcionados para a coleta de dados para a qualificação das coleções cientificas – botânica e zoologia -, além de dar continuidade aos estudos na Floresta Nacional de Caxiuanã, onde deve contribuir também com a elaboração do Plano de Manejo desta Unidade de Conservação, a mais antiga do Sistema Nacional de Unidades de Conservação do Brasil.

As coleções científicas são aparatos fundamentais para a pesquisa em biodiversidade, servindo como fonte de dados para estudos sobre as espécies da fauna e flora, além fornecer insumos para análises dos impactos do desmatamento sobre essas espécies.

Com o objetivo de formar recursos humanos para os estudos dessas coleções, o núcleo conta com diversos projetos de graduação e pós-graduação. O Núcleo Executor atua em conjunto com outras instituições de pesquisa na estação científica localizada na Floresta Nacional de Caxiuanã, a fim de contribuir na elaboração técnicas de manejo florestal para a preservação da biodiversidade.

Do outro lado do Estado, o Núcleo do Oeste do Pará realiza estudos em parceria com a Universidade Federal do Oeste do Pará (UFOPA), localizados na Floresta Nacional do Tapajós. As pesquisas, que estão sob a coordenação de José Reinaldo Pacheco Peleja, buscam avaliar a eficácia do plano de manejo da floresta, que já foi elaborado na primeira fase do projeto, organizar os inventários, além de investir na divulgação científica, disponibilizando os acervos para a comunidade.

No Maranhão, o Núcleo Regional trabalha com o objetivo de coletar dados sobre elementos da biodiversidade na Reserva Biológica do Gurupi, uma área de biodiversidade ameaçada pelo desmatamento.  Além disso, uma das metas é manter os dados da Coleção Zoológica do Maranhão, a CZMA, a fim de disponibilizar as informações científicas para a comunidade em geral. As pesquisas desse núcleo realizam-se em parceria com a Universidade Estadual do Maranhão (UEMA), e são coordenadas por Francisca Muniz.

Já o Núcleo Regional do Amapá, o segundo mais antigo da rede, funciona sob a coordenação do pesquisador Fabiano Cesarino, do Instituto de Pesquisas Científicas e Tecnológicas do Estado do Amapá (IEPA). Para os próximos três anos, o objetivo do núcleo é consolidar as pesquisas feitas na Floresta Nacional do Amapá, manter os inventários das coleções científicas e investir na divulgação das informações.

O Parque Nacional do Juruema e a Estação Ecológica do Rio Ronuro são os sítios de pesquisa do Núcleo Regional do Mato Grosso, coordenado por Marco Antonio Carvalho, da Universidade do Estado de Mato Grosso (UNEMAT). Por meio do projeto “Inventário, conservação e valoração de alternativas sustentáveis do uso da Biodiversidade na Amazônia Meridional”, o núcleo busca formar pessoal para atuar em redes de pesquisa com o objetivo de realizar inventários visando à conservação, ao acesso e ao uso da biodiversidade do local.

Uma das regiões mais ameaçadas que irá contar com o trabalho dos pesquisadores do PPBio é o Estado de Tocantins, que tem sua porção amazônica bastante reduzida, sem nenhuma área de proteção florestal estabelecida. Para fortalecer a pesquisa em biodiversidade nessa região, o Núcleo Regional de Tocantins pretende realizar um conjunto de ações de pesquisa no Parque Estadual do Cantão, nas matas das fazendas Água Fria, Marapirara e Sapucaia, onde ainda há uma pequena porção de floresta. A coordenação é de Renato Torres Pinheiro, da Universidade Federal do Tocantins.

No total, o PPBio Amazônia Oriental tem como foco de pesquisa 5 unidades de conservação de proteção integral, 3 Florestas Nacionais e 2 áreas florestadas não protegidas. O objetivo é formar recursos humanos para fortalecer as Unidades de Conservação, os inventários de coleções científicas e ampliar os conhecimentos sobre a biodiversidade. Além da coleta de informações, outra meta é disponibilizar os dados das coleções para a comunidade científica e para a população em geral.

Sob a coordenação da pesquisadora Marlúcia Martins (MPEG), a rede do PPBio pretende atuar de forma mais integrada, com o apoio dos seis núcleos de pesquisa que trabalham em 10 localidades ameaçadas pelo desmatamento, pesquisando espécies da fauna e flora da Amazônia Oriental.

Ainda há desafios a serem superados. Aumentar a produção científica média dos pesquisadores da rede e divulgar os resultados alcançados. Os dados obtidos nos estudos podem subsidiar o estabelecimento de diretrizes para a implantação de políticas públicas em prol da biodiversidade de áreas degradadas.

A Rede começa fazendo um balanço de seus resultados no III Seminário Científico do PPBio Amazônia Oriental, programado para o dia 5 de fevereiro de 2010. Com as ações voltadas para as Unidades de Conservação, a integração e a socialização do conhecimento, prepara-se para um ano de trabalhos intensos em prol da pesquisa em biodiversidade da região da Amazônia Oriental.

Texto: Paola Caracciolo – Comunicação PPBio Amazônia Oriental

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