Barco da Leitura do Museu ganha mais três mil livros
Lançado durante a I Olimpíada de Ciências da Estação Científica Ferreira Penna, o Barco da Leitura
do Goeldi tem seu acervo aumentado para mais de nove mil obras após doação da Chevron Brasil
Agência Museu Goeldi - Mais de nove mil livros percorrerão os rios do Arquipélago do Marajó, a partir deste mês, a bordo do Barco da Leitura “Guilherme de La Penha”, que o Museu Paraense Emílio Goeldi (MPEG), patrocinado pela Chevron Brasil Ltda., entregou para os ribeirinhos da Floresta Nacional (Flona) de Caxiuanã em março deste ano, durante a realização da I Olimpíada de Ciências da Estação Científica Ferreira Penna (ECFPn). O acervo do barco da leitura, que contava inicialmente com pouco mais de seis mil livros, foi incrementado, recentemente, com a nova doação de três mil publicações, feita pela Chevron Brasil por meio de seu Programa de Responsabilidade Social.
O objetivo da iniciativa é estimular o hábito da leitura entre as crianças e adolescentes que vivem nas comunidades da Floresta Nacional (Flona) de Caxiuanã, no Arquipélago do Marajó, onde o Museu Goeldi mantém, há pouco mais de quinze anos, a ECFPn. O primeiro passo no sentido de trazer esses jovens amazônicos para o universo dos livros foi dado em março deste ano, na I Olimpíada de Ciências da ECFPn, quando o MPEG apresentou o Barco da Leitura “Guilherme de La Penha” aos alunos e professores da região. A previsão é de que a biblioteca flutuante do Museu Goeldi atenda cerca de 500 jovens distribuídos entre as comunidades de Caxiuanã, Pedreira, Laranjal e Lago do Camuin, do município de Melgaço; e Pracupi e Cariá, localizadas em Portel.
O arquiteto e museólogo Antonio Carlos Lobo Soares, coordenador da ECFPn, informa que, além da entrega do barco, a programação da I Olimpíada contou também com oficina de dinâmicas de leitura, ministrada por Terezinha Lima e Maurício Costa, da Secretaria de Estado de Cultura (Secult). Ele relatou, ainda, que os professores receberam exemplares das publicações antes do lançamento do barco da leitura, a fim de que possam discutir o conteúdo delas com as crianças assim que a biblioteca flutuante aportar na comunidade, num calendário definido durante aquele evento. “O cronograma de viagens do barco ‘Guilherme de La Penha’ foi discutido entre o Museu Goeldi, a Secult e os professores das comunidades”, acrescenta o coordenador.
Segundo Lobo Soares, foram mais de R$ 17 mil doados pela Chevron Brasil e revertidos para a reforma no antigo barco “Adolpho Ducke” – agora “Guilherme de La Penha” – para que ele pudesse comportar as publicações que vão percorrer as comunidades ribeirinhas marajoaras levando universos dos mais variados para alunos e professores, cujas famílias sobrevivem, basicamente, do extrativismo de produtos florestais, como a castanha e o açaí.
Ciência, interdisciplinaridade e cidadania – O lançamento da biblioteca flutuante foi um dos muitos acontecimentos importantes que se sucederam entre os dias 10 e 15 de março, num evento que, outrora chamado de gincana, ganhou status de Olimpíada pela relevância que tem no calendário anual dos ribeirinhos da Flona de Caxiuanã. “Eles esperam pela Olimpíada o ano inteiro”, diz a pedagoga Socorro Andrade, que atua no Serviço da ECFPn.
Andrade afirma que a realização dos jogos – seis gincanas e a primeira Olimpíada – proporciona uma melhoria no rendimento escolar dos alunos da região. Os participantes precisam estar regularmente matriculados, comprovar assiduidade às aulas e saber ler para participar da Olimpíada. “Os alunos da segunda série querem até antecipar o aprendizado da leitura por causa disso”, conta a pedagoga, ressaltando que as escolas da Flona não oferecem a educação infantil e, por isso, os alunos só aprendem a ler na 3ª série, visto que entram direto na 1ª quando chegam à escola.
Lobo Soares destaca o caráter interdisciplinar que marcou a realização da I Olimpíada de Ciências na Floresta. Além da Secult, também se fizeram presentes no evento o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), Secretária de Estado de Educação (Seduc), Universidade Federal do Pará (UFPA) e Universidade do Estado do Pará (Uepa), cujos funcionários ministraram oficinas com temáticas as mais diversas para os alunos e professores das comunidades, que compõem o público alvo da Olimpíada; além de representantes das Prefeituras de Portel e Melgaço e do Corpo de Bombeiros Militar do Pará, que montou toda uma infra-estrutura para que as crianças pudessem se divertir nas competições esportivas que marcaram o último dia do evento.
Texto: Antonio Fausto
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