Informativo eletrônico, n º 109 - Belém, 08 de julho de 2010
 
   AGÊNCIA MUSEU GOELDI

 

Estudos revelam potencial de contaminação de alimentos pelo barbeiro

O XVIII Seminário do Programa Institucional de Bolsas de Iniciação Científica (Pibic) do Museu Paraense Emílio Goeldi apresentou invertebrados amazônicos. Conheça pesquisas sobre a presença de barbeiros no fruto do açaí

Agência Museu Goeldi – Em sessão dedicada aos trabalhos sobre Sistemática e Ecologia Animal, o XVIII Seminário do Programa Institucional de Bolsas de Iniciação Científica (Pibic), que tem como tema “Formação de Recursos Humanos e Políticas Públicas na Amazônia”.  apresentou estudos relativos a invertebrados e vertebrados.

O protozoário Tripanossoma cruzi, mais conhecido como ‘barbeiro’ responsável pela transmissão da doença de Chagas é alvo de duas pesquisas no nível da iniciação científica. Num dos estudos, a bolsista Ana Paula Costa, graduanda em Licenciatura em Biologia pelo Centro de Ensino Superior do Pará (Cesupa) e orientanda do pesquisador do Museu Goeldi Bento Mascarenhas, apresentou resultados de “Estudos comportamentais da triatomíneos silvestres em açaizais no Estado do Pará”. A investigação analisa os mecanismos de infestação da subfamília dos triatomíneos, os barbeiros, no fruto do açaí.

As coletas para o estudo foram feitas em área de várzea e em açaizais no município de Curuçá, localizado na microrregião do Salgado na região nordeste do Pará. A bolsista também entrevistou os produtores, coletores e comerciantes do fruto. Ana Paula constatou a ausência de triatomíneos nas árvores onde são coletados os frutos. Além desse, outro resultado positivo foi observado: os comerciantes das áreas analisadas adotam ações de higienização dos frutos. Mas segundo a bolsista, também é possível que a contaminação ocorra durante o armazenamento

Chagas - Já Marcio Lage, aluno de Licenciatura em Biologia pelo Cesupa, orientado pelo pesquisador do Museu Goeldi, Inocêncio Gorayeb, apresentou a pesquisa “Utilização de luz para a atração detriatomíneos (Hemiptera: Red uviidae) silvestres”. Segundo Marcio, a análise demonstra que, na região amazônica, o barbeiro não costuma habitar regiões de ocupação humana. Dessa maneira, as formas de transmissão mais comuns são através da via oral (alimentos contaminados por fezes ou por triatomíneos triturados).

Em sua pesquisa, o bolsista realizou experimentos para testar a resposta de diferentes espécies de triatomíneos atraídos a luzes de diferentes tipos, intensidade, comprimento de onda e distância da fonte. Como resultados, Marcio observou que as lâmpadas incandescentes e fluorescentes atraem mais os triatomíneos. O bolsista pretende dar seqüência ao estudo para testar em campo as variações quanto à incidência e à distância da luz.

Estima-se que existam até 18 milhões de pessoas com esta doença, dos infectados, cerca de 20 mil morrem a cada ano. Os sintomas da doença podem variar durante o curso da infecção. No início, na fase aguda, os sintomas são geralmente rápidos. À medida que a doença progride os sintomas tornam-se crônicos e graves, tais como doença cardíaca e de intestino. Ainda não há vacina para a prevenção da doença.

Formigas e abelhas - Popularmente conhecidas como uruçu, tiúba, iratim, jati, jataí, mosquito, mirim, as abelhas sem ferrão são o objeto de estudo da bolsista Carla Eto Faria. Orientada pelo pesquisador Orlando Tobias, Carla apresentou o trabalho “As abelhas sem ferrão de Belém e arredores (Hymenoptera: Apidae, Meliponina)”.

Para desenvolver o trabalho, foram coletados 1.485 exemplares, de três famílias (Apidae, Anthophoridae e Halictidae) no período entre novembro de 2009 a abril de 2010. “As abelhas sem ferrão (da subtribo Meliponina) constituem um grande grupo de insetos sociais, cujas espécies têm notável representação na Amazônia”. Além disso, as abelhas são importantes no monitoramento das alterações que podem vir a acontecer na medida em que os remanescentes de áreas naturais forem incorporados ao espaço urbano.

As formigas também foram objeto de análise da graduanda em Licenciatura em Ciências Biológicas pela Universidade Federal do Pará (UFPA), Tayana Ferreira, orientada pela pesquisadora Ana Harada. “Levantamento da comunidade de formigas (Hymenoptera: Formicidae) nos manguezais do município de Bragança, Pará, Brasil” é o título do estudo desses insetos sociais presentes nos mais diversos ambientes. As formigas Hymenoptera: Formicidae contribuem significantemente para o fluxo energético do local onde habitam. No estudo de Tayana realizado em região estuária na costa norte paraense, as formigas são indicadores de alterações diante da construção da rodovia PA-458, que trouxe profundo impacto na dinâmica do ecossistema manguezal.

O pesquisador Adriano Lucio Peracchi, um dos fundadores da Sociedade Brasileira de Zoologia e Professor Emérito da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRJ) foi o avaliador dos trabalhos de Sistemática e Ecologia Animal. Para ele, “é muito bom avaliar os trabalhos dos pesquisadores em início de carreira, porque podemos ver as idéias que estão surgindo e também traz uma certa nostalgia”.

Programação completa disponível no
http://www.museu-goeldi.br/download/pdf/Edital/2010/folder_pibic2010.pdf

Texto: Lucila Vilar.

 

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