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Cientistas estudam a fauna de Tucuruí
Para avaliar os impactos da construção da Usina e da formação do Lago de Tucuruí sobre a fauna da região, a Eletronorte, responsável pelo gerenciamento da Usina, e o Museu Paraense Emílio Goeldi (MPEG) firmaram, em 2004, um convênio de cooperação técnico-científico, denominado “Avaliação e Monitoramento das Comunidades de Vertebrados na Área de Influência do Reservatório da UHE Tucuruí”, que viabilizou estudos de caracterização e de avaliação do estado de conservação da fauna de vertebrados do entorno do reservatório da UHE. Além de realizar o inventário de mamíferos, aves, répteis e anfíbios, os pesquisadores do projeto também buscaram compreender os principais impactos da fragmentação florestal sobre esses grupos de vertebrados. Outro objetivo foi relacionar espécies prioritárias para conservação, como as ameaçadas de extinção e endêmicas (que só ocorrem na região), ou indicadoras da integridade do ambiente e que, por isso, necessitam de um monitoramento mais detalhado. Algumas espécies só ocorrem em áreas de floresta primária, isto é, bem preservadas, e a sua presença pode indicar o bom estado de conservação do ambiente. Também foram realizados estudos complementares sobre a vegetação da região para dar suporte na interpretação dos dados obtidos sobre a fauna local. Coordenado pelo Museu Paraense Emílio Goeldi (MPEG), o projeto reuniu pesquisadores e técnicos do Goeldi e de instituições parceiras, como a Universidade Federal do Pará (UFPA), da Universidade Federal Rural da Amazônia (UFRA) e do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA), em torno de sete protocolos de estudo: mamíferos terrestres; mamíferos aquáticos; mamíferos carnívoros e zoonoses; aves; anfíbios e répteis terrestres; répteis aquáticos; e estudos sobre caça. Os resultados dos estudos vão subsidiar o Plano de Manejo da Área de Preservação Ambiental (APA) de Tucuruí, que é formada por um mosaico de diferentes Unidades de Conservação, como as Reservas de Desenvolvimento Sustentável (RDS) Alcobaça e Pucuruí-Ararão e as Zonas de Proteção de Vida Silvestre (ZPVS), antigas zonas de soltura Base 3 e Base 4, onde foram soltos os animais resgatados durante a inundação que formou o Lago de Tucuruí. Com uma de área de 5.000 km², a APA engloba o reservatório da Hidrelétrica de Tucuruí e parte dos municípios de Breu Branco, Goianésia do Pará, Itupiranga, Jacundá, Nova Ipixuna, Novo Repartimento e Tucuruí, onde a hidrelétrica foi construída. A APA também faz divisa com a Terra Indígena Parakanã, um dos últimos remanescentes de floresta nativa bem preservada na região. “Os resultados desses estudos vão dar algumas indicações do estado atual de conservação da fauna local”, afirmou Rubens Guilhard Jr., Analista de Meio Ambiente da Eletronorte, durante a abertura do seminário “Avaliação e Monitoramento da Fauna de Tucuruí”, r ealizado nos dias 13 e 14 de dezembro, no município de Tucuruí (PA). No evento, foram apresentados os principais resultados dos estudos realizados no período de 2004 a 2007, além de propostas de ações de conservação dos animais da região. De acordo com o coordenador científico do projeto, Ulisses Galatti, do Museu Goeldi , a fauna terrestre foi mais Das 45 espécies esperadas de mamíferos terrestres, os cientistas encontraram 37, incluindo espécies ameaçadas, como tamanduás, onças-pintadas, tatus-canastras e primatas como o cuxiú-de-utahicki e o raríssimo caiarara (Cebus kaapori), considerado como “Criticamente em Perigo de Extinção”. Os cientistas também registraram a existência de 473 espécies de aves, sendo 268 de áreas de florestas de terra firme e o restante ligado a ambientes aquáticos, além de 38 espécies de anfíbios, 14 espécies de serpentes, 21 de lagartos e três espécies de quelônios terrestres. Também foram realizadas pesquisas entre comunitários, com vistas à caracterização da atividade de caça nas Reservas de Desenvolvimento Sustentável (RDS) Pucuruí-Ararão e Alcobaça, e sobre a ocorrência de agentes infecciosos (zoonoses) em animais domésticos e silvestres. “Além de gerar conhecimento, o projeto contribuiu para a formação de recursos humanos em pesquisa, subsidiando a produção de quatro teses de doutorados e seis dissertações de mestrado”, afirmou Galatti. Recomendações – A equipe do projeto também sugeriu várias propostas voltadas para a conservação e manejo da fauna silvestre, como a criação de um corredor ecológico ligando a Base 3 e a Terra Indígena Parakanã e a realização de estudos mais abrangentes sobre a fauna da APA de Tucuruí e sobre os efeitos da fragmentação florestal. Também ressaltaram a necessidade de uma maior fiscalização nas unidades de conservação inseridas na APA e de ações de educação ambiental voltadas para as populações locais. O fortalecimento das organizações comunitárias e do conselho gestor da APA e das RDSs também foi apontado pela equipe como estratégico para a implementação de ações de conservação do meio ambiente e de manejo da fauna local. A mãe natureza agradece. Texto: Maria Lúcia Morais, Agência Museu Goeldi.
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