Informativo eletrônico. Nº 16 - Belém, 21 de dezembro de 2007
 
   MUSEU NA MÍDIA

 

Os cuidados do Parque Zoobotânico durante o inverno amazônico


Localizado no coração da capital paraense, Belém (PA), o Parque Zoobotânico do Museu Paraense Emílio Goeldi conserva um patrimônio científico e natural que expressa algumas das riquezas nativas presente na região amazônica. A fauna do Parque, que é aberto à visitação pública, é composta por aproximadamente 1000 animais, distribuídos em 100 espécies. Já o acervo florístico conta com cerca de 3000 exemplares, de aproximadamente 300 espécies de árvores, arbustos e ervas, bem como algumas ameaçadas de extinção, a castanha-do-pará, o pau-rosa, o acapu, entre outras.

Os bolsistas do Setor da Flora do PZB, Deilsa Oliveira e Ahedayson Rogério afirmam que freqüentemente novas riquezas naturais são cultivadas no parque. “Nós pesquisamos a possibilidade de desenvolvimento de outras espécies aqui no parque, depois plantamos”, explica o engenheiro agrônomo Rogério.

Uma das preocupações centrais dos bolsistas, que atuam na conservação do acervo florístico do Parque, é a queda de árvores de grande porte, principalmente durante o período de chuvas, que na Amazônia é mais intenso entre os meses de dezembro a março. “Geralmente as plantas mais altas são as mais sujeitas a desabamento, assim como as árvores isoladas”, afirma Deilsa, que é engenheira florestal. Deilsa explica que as espécies que vivem em conjunto já não têm os mesmos riscos, por terem como suporte outras plantas nativas ao seu redor.

Durante o inverno, as observações das condições fitossanitárias das árvores, a análise de ocosidade dos troncos e a poda são práticas costumeiras. “A poda é realizada constantemente, mas nessa época elas são intensificadas. Nós aproveitamos o clima para a adubação das plantas”, explica Deilsa.

O surgimento de pragas durante o período chuvoso também é freqüente, mas por existir uma diversidade natural a possibilidade de se alastrarem é remota. “A diversidade não permite que a praga se propague pelo motivo de cada espécie possuir certa propensão a um tipo de praga, por isso há um obstáculo ao se espalharem. Não devemos usar controle químico por causa da fauna”, esclarece Deilsa.

Outro agente que provoca a morte das árvores e plantas é o fato do Parque estar numa localidade em que o trânsito é intenso. “Aqui passa carros pesados, os prédios ao redor dificultam a circulação do vento”, acrescenta Rogério.

Fauna – O Parque também possui rico acervo de fauna livre e em cativeiro, que requer um constante monitoramento, principalmente nesta época do ano. A fauna em cativeiro inclui cinco espécies de mamíferos ameaçados de extinção, como a ariranha, o peixe-boi e a onça pintada. Há também 25 espécies de aves, sendo oito ameaçadas de extinção. É o caso dos guarás, do gavião-real, do jacu e da ararajuba, que possui penas amarelas e verdes, aludindo assim à bandeira brasileira.

Para que os animais em cativeiro tenham vida longa, é necessário que os recintos sejam bem cuidados, inclusive com manejo sanitário. “Alguns recintos possuem área de manejo, é o caso das onças. Nessa época, nós as colocamos nessa área porque é coberta, assim evitamos que elas peguem chuva”, comenta a bolsista Aline Imbeloni, do Setor de Veterinária do Serviço do Parque Zoobotânico (SPZ).

“Outra precaução que tomamos, foi colocar argila no espaço dos quelônios para aumentar a temperatura da água nesse tempo de chuva”. Assim, por serem ectotérmicos, ou seja, a temperatura interna do corpo varia de acordo com a temperatura do meio ambiente, os quelônios poderão regular a temperatura do corpo de acordo com o calor da água. No caso das cobras a situação também é delicada, pois o metabolismo desse animal também varia de acordo com a temperatura ambiente. “Quanto menor a temperatura, menor é o metabolismo dele”, explica Aline.

Os cuidados com os animais nessa temporada de chuva são redobrados, pois é quando ocorre o maior índice de doenças e mortes, principalmente entre as preguiças. “A preguiça é um animal de fauna livre, por isso apresenta uma probabilidade maior de desenvolver doenças respiratórias, ficando mais vulnerável nessa época”, explica Aline Imbeloni, que estuda as preguiças do PZB. O fato de estarem no centro da cidade, também influência no comportamento e na saúde da fauna. “A poluição e o barulho das buzinas, por vezes estressam os animais”.

Serviço: Parque Zoobotânico do Museu Goeldi

Avenida Magalhães Barata, 376. Visitação de terça a domingo, das 9 às 17 horas. Ingressos: R$ 2,00 (inteira) e R$ 1,00 (meia-entrada para estudantes). Para crianças de até 10 anos de idade e pessoas com mais de 60 anos a entrada é gratuita.

Texto: Dandara Assunção, Agência Museu Goeldi.
Fotos: Felipe Pastana, Rogério Pacheco.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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