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Pesquisas botânicas ganham a 4ª edição do Prêmio Márcio Ayres As estudantes Mariana Fonseca (6ª série) e Rita de Cássia dos Santos (2º ano) classificaram seus estudos no primeiro lugar das categorias ensino fundamental e ensino médio no concurso que chama atenção sobre a biodiversidade amazônica e a iniciação científica nas escolas públicas e particulares do Pará Agência Museu Goeldi – Na última sexta-feira, 19 de outubro, o Auditório Alexandre Rodrigues Ferreira, no Parque Zoobotânico do Museu Goeldi, lotou para o anúncio dos vencedores do Prêmio José Márcio Ayres Para Jovens Naturalistas (PJMA), concurso criado pelo Museu Paraense Emílio Goeldi (MPEG) e a Conservação Internacional – Brasil (CI-BR). Estudantes, professores, familiares e, claro, os concorrentes ao prêmio aguardavam ansiosos para a divulgação dos vencedores nas categorias ensino fundamental e ensino médio. Emocionados, os participantes entenderam durante a cerimônia, independente da classificação ou não nos três primeiros lugares das duas categorias do concurso, a sabedoria da opinião de Nilson Gabas Jr, diretor do Museu Goeldi, que interpretou bem o espírito do concurso: “esta é uma premiação que todos sempre ganham”. Gabas ressaltou a importância do concurso como estratégia de inserção social de temas científicos e para o despertar de vocações para a ciência.
A entrega dos prêmios foi presidida por Gabas Junior, e contou também com os doutores Manoel Ayres, médico, cientista pioneiro na pesquisa genética e bioestatística e um dos patrocinadores do evento, e Renata Valente, ornitóloga e gerente do Programa Amazônia da Conservação Internacional. Manoel Ayres, pai do falecido pesquisador José Márcio Ayres (primatólogo do Museu Goeldi, um dos maiores especialistas brasileiros em biologia da conservação e criador da Reserva de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá - AM), referiu emocionado sobre a importância do Prêmio para o prosseguimento do trabalho que Márcio Ayres iniciou. “O fundamental do Prêmio Márcio Ayres é o estímulo que se dá aos jovens pesquisadores para que conheçam mais a nossa Amazônia. Esse é o ponto crucial, pois devastar a Amazônia todo mundo sabe, mas o conhecimento para evitar que ela se torne um espaço inabitável não”, afirma o veterano cientista, Manuel Ayres, que conclui: “O Prêmio é sempre uma grande homenagem ao meu filho”. Renata Valente, que se sentiu gratificada em participar da Comissão Julgadora da IV edição do PJMA, conta que ficou surpresa com o nível dos trabalhos: “é perceptível que os alunos se envolveram seriamente com o processo de produção. O mais importante de tudo é estimulá-los para que comecem a pensar de uma maneira científica e mostrar a eles que é possível seguir o caminho da pesquisa”. Na platéia, assistindo contentes a cerimônia, a botânica Raimunda Potiguara e o zóologo Orlando Tobias, pesquisadores do Museu Goeldi e também da Comissão Julgadora da premiação, compartilhavam do pensamento de Renata Valente. A botânica considera positiva a parceria professor/aluno que possibilita o estudo e o acúmulo de conhecimento durante a pesquisa. “O fato do aluno se empenhar para realizar a pesquisa é o maior prêmio do concurso. Isso representa que o aluno teve uma idéia e tentou uma busca”, observa Potiguara. A vencedora da categoria ensino fundamental, Mariana Gallupo, aluna da 6ª série do Centro Nipônico Adventista, explica que a idéia de participar do prêmio partiu de seu professor de biologia Jasper Turan, sendo que a idéia de ter a Praça Batista Campos como objeto de estudo veio da vontade que ela tinha que chamar a atenção das pessoas para esse espaço público, sobretudo por ter uma ligação afetiva com o local. Rita de Cássia, estudante do 2º ano da escola pública Albanizia de Oliveira Lima e primeira colocada na categoria ensino médio, foi bastante elogiada pelo trabalho que realizou, sobretudo porque conseguiu identificar uma espécie nova de pteridófita para o Parque Ambiental do Utinga, situado no município de Belém. O trabalho que Rita desenvolveu foi longo e minucioso, além de leituras de artigos especializados e idas ao Parque do Utinga, ela pediu auxílio ao pesquisador do MPEG, Sebastião Maciel, que a ajudou na identificação das espécies. Para execução dessa pesquisa, a estudante contou com a orientação da professora Juraci da Silva e com a co-orientação do professor Ailton Borges. Para as organizadoras do concurso, a educadora Filomena Secco e a jornalista Joice Santos, ambas do MPEG, os prêmios entregues ao circuito escolar são estímulos para que continuem investindo na formação científica. Desse modo, os professores-orientadores dos primeiros lugares receberam computadores, doados pelo Dr. Manuel Ayres. Alunos finalistas, professores e escolas que mais se destacaram também foram premiados com kits de publicações, a mesma sorte teve o público que acompanhava o evento, que ainda participou de um sorteio de publicações ao final. Próximos passos – Os organizadores da premiação pretendem, até fim de novembro de 2009, fazer o balanço das quatro edições realizadas do prêmio para verificar o que pode ser melhorado, organizar um livro dos trabalhos premiados, lançar em 2010 a 5ª edição (com o apoio de algum patrocinador externo) e realizar um grande circuito pelos municípios que classificaram pesquisas – Belém, Barcarena, Bragança, Brejo Grande do Araguaia e Castanhal – apresentando os estudos dos jovens naturalistas do Pará. Texto: Diego Santos, com colaboração de Joice Santos e Shamara Fragoso |
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