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Exposição revela universo cultural dos Kayapó A iniciativa integra a programação do Ano da França no Brasil Agência Museu Goeldi - Nessa sexta-feira, dia 25, o Museu Paraense Emílio Goeldi (MPEG, Brasil), em parceria com o Instituto de Pesquisa para o Desenvolvimento (IRD, França) e comunidades indígenas Mebêngôkre-Kayapó, inaugura a exposição “Kayapó - Mebêngôkre nhõ pyka, nossa terra Mebêngôkre”. Organizada no Museu Histórico do Estado do Pará (MHEP) como parte da programação do Ano da França no Brasil, a mostra visa à promoção de um intercâmbio cultural com o povo Mebêngôkre, revelando aspectos da vida cotidiana, do território e detalhes do universo simbólico-cultural produzido por eles. A idéia da exposição partiu de uma iniciativa dos próprios indígenas que, há cerca de dois anos, lançaram essa proposta como forma de superar algumas idéias generalistas ou preconceituosas sobre seu povo. “Eles participaram da produção de informação, pois consideram que a maioria de nós sofre de desinformação sobre o que é a cultura indígena no Brasil. E eles têm razão. Muitas vezes a gente se conforma com algumas idéias gerais e/ou erradas mesmo sobre os ‘índios’”, completa Pascale de Robert, antropóloga ligada ao IRD, que é pesquisadora visitante do MPEG e uma das organizadoras do evento.
Os outros dois módulos, A Casa da Palavra e Caminhos da Floresta, trazem, respectivamente, vídeos e palestras sobre os Kayapó e os objetos da cultura material desse povo: flechas, arcos, bordunas, cestas, sementes e figuras de animais mostrando as atividades de caça, colheita e pesca. Durante a exposição, ainda há a perspectiva de se realizar oficinas de pintura corporal, que seriam facilitadas por mulheres Mebêngôkre. Sobre a cultura material é importante destacar que o Museu Goeldi tem uma das coleções mais importantes do mundo no que concerne à cultura Kayapó, fruto de uma longa parceria que encontra ecos já no século XIX. No entanto, a exposição tenta inovar trazendo objetos e registros feitos especialmente para a mostra, que posteriormente serão incorporados à Reserva Técnica do MPEG. “Nenhum objeto da exposição pertence à Reserva Técnica. Infelizmente, hoje fica muito difícil e caro expor artefatos de reserva, pois são objetos muito frágeis e valiosos que requerem cuidados extremos. Então os Kayapó decidiram fabricar os objetos que queriam expor, e que depois serão entregues ao MPEG”, explica Pascale. Ao todo, três aldeias Mebêngôkre participaram da produção do acervo da exposição: Moikarakôa, Las Casas e Kikretum, cada uma contribuindo de múltiplas maneiras. Por exemplo, os anciãos contaram histórias, os homens fizeram flechas e cestas, os jovens fabricaram mapas e bateram fotos, as crianças da escola desenharam, as mulheres realizaram pinturas, gravaram-se nomes de plantas e cantos. Intercâmbio - Para reforçar a idéia de intercâmbio cultural, espera-se que em novembro seja realizada uma exposição itinerante pelas Escolas do Sul do Pará, mais especificamente nas cidades onde os indígenas permanecem regularmente - porque são limítrofes à Terra Indígena -, tais como Redenção, Tucumã, Ourilândia e São Félix do Xingu. “Pode ser difícil de entender, mas, muitas vezes, apesar de morarem perto, as pessoas têm pouca ou nenhuma convivência com a população indígena e não indígena, e o preconceito é ainda bastante forte. Pensando nisso, achamos muito importante apresentar o trabalho com os Mebêngôkre nessas cidades do sul do Pará e não somente na capital do estado”, esclarece Pascale de Robert. Moikarakô e Kikretum pertencem à Terra Indígena Kayapó (TIK), localizada nas florestas de terra firme no sul do Pará. Moikarakô fica longe dos limites da TIK, é uma aldeia jovem, tem menos de 10 anos. Kikretum é uma aldeia grande e mais antiga, com mais de 700 moradores, localizada perto do limite norte da Terra Indígena e próxima da cidade de Tucumã. Las Casas é a única aldeia da pequena Terra Indígena que tem o mesmo nome, localizada perto da cidade de Redenção, no sul do Pará, em um ambiente muito diferente, pois se encontra no ecossistema de cerrado, numa área degradada pela criação de gado, situada no arco de desmatamento. Nesta terra indígena ainda se encontram antigas fazendas. Serviço: Exposição “Kayapó - Mebêngôkre nhõ pyka, nossa terra Mebêngôkre”, inauguração dia 25 de setembro, às 18 horas, no Salão Transversal do Museu Histórico do Estado Pará (MHEP) - Belém (PA). A exposição acontece até dia 18 de outubro. O MHEP fica na Praça Dom Pedro II, s/n. Cidade Velha. Belém. PA. Fones: (91) 4009-9812 Visitação:de terça à domingo de 10 às 16 horas. Texto: Diego Santos |
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