Informativo eletrônico, n º 103 - Belém, 5 de março de 2010
 
   AGÊNCIA MUSEU GOELDI

 

Planta do bem e do mal

Por Lilian Bayma e Vanessa Brasil, do Museu Goeldi  

Pesquisa do Museu Goeldi revela diversas propriedades de uma das plantas aquáticas mais comuns da Amazônia. Algumas confirmam a sua importância na região e outras lançam alerta sobre sua utilização popular.

Muito utilizada pelos ribeirinhos como cicatrizante e vastamente distribuída nas margens dos rios amazônicos, pouco se conhece ainda sobre as propriedades químicas, terapêuticas e as atividades biológicas da aninga – nome popular da espécie Montrichardia linifera (Araceae). Para tentar saber mais sobre a espécie, a pesquisadora Cristine Bastos do Amarante, da Coordenação de Ciências da Terra e Ecologia do Museu Goeldi, realizou o “Estudo químico e farmacológico de Montrichardia linifera (Araceae)”.

A pesquisa teve início em 2007 e os resultados obtidos sugerem a ocorrência de substâncias biologicamente ativas, revelando um potencial fitoterápico ainda a ser investigado. “Considero esse estudo apenas o começo do conhecimento químico sobre a aninga, pois muitos aspectos ainda precisam ser bem investigados”, afirma a pesquisadora, que coletou as amostras da espécie às margens do Rio Guamá, no Campus I da Universidade Federal do Pará (UFPA), em Belém, capital do Estado.

A aninga é uma planta pioneira na formação de ilhas aluviais dos rios amazônicos e no estreitamento de canais dos furos do arquipélago do Marajó, formando grandes populações coloniais e distribuindo-se vastamente às margens dos rios e igarapés da Amazônia. É uma macrófita aquática, planta herbácea que cresce na água, em solos cobertos por água ou em solos saturados com água.

Além de seu uso como cicatrizante de cortes profundos, a seiva da aninga também é usada contra picadas de cobra e ferrada de arraia, entre outras aplicações etnomedicinais. Dentre essas aplicações, também é comum a utilização das folhas amarelas da aninga na forma de chá para o tratamento de doenças do fígado, além dos relatos de ribeirinhos de que as folhas e o fruto dessa planta fazem parte da dieta alimentar de peixes, tartarugas, peixes-boi, capivaras, bois e búfalos. Mesmo assim, “os próprios ribeirinhos também a classificam como uma planta venenosa, já que a sua seiva é urticante e causa queimaduras na pele e, em contato com os olhos, pode causar a cegueira”, lembra Cristine Amarante.

(Envolverde/Museu Goeldi)

Envolverde, 4/3/2010.

 

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