Informativo eletrônico, n º 110 - Belém, 26 de agosto de 2010
 
   AGÊNCIA MUSEU GOELDI

 

Filhotes são atração no Parque do Museu Goeldi

Parque zoobotânico está comemorando 115 anos de história

12/8/2010 - 14h21

Para o belenense, tão tradicional quanto manhã de domingo na Praça da República e final de tarde no Mosqueiro, é visitar o Parque Zoobotânico (PZB) do Museu Goeldi. Há mais de 100 anos recebendo netos, filhos, pais e avôs, o Parque se prepara para comemorar os seus 115 anos, garantindo o posto de uma das principais áreas verdes do centro de Belém.

Além disso, o Parque funciona como um viveiro de animais da fauna amazônica, sendo responsável, muitas vezes, pelo tratamento de bichos apreendidos pelo Ibama, bem como berçário de diversas espécies que reproduzem no próprio PZB.

Há sete meses, por exemplo, o Parque ganhou Macaxeira, filhote do casal de antas que há anos vive no PZB. Mas, recentemente, um outro nascimento vem chamando a atenção dos veterinários do Museu: na verdade, um caso curioso, fruto do “amor” entre uma ararajuba (Guaruba guarouba) e uma ararinha maracanã (Ara nobilis).

A ararajuba é um psitacídeo (ordem de aves que inclui as araras, papagaios e periquitos) que só ocorre no Brasil. Por sua coloração verde e amarela e ameaçada de extinção, a ararajuba é considerada por muitos ave-símbolo do país. O PZB possui sete ararajubas: uma delas, Lola, se enamorou por Ligeirinho, uma ararinha maracanã, que também pertence à ordem dos psitacídeos. Para concretizar esse “amor” a ararinha teve, inclusive, que migrar do viveiro anexo.

O que intriga os veterinários é que, possivelmente, a relação entre os dois animais gerou um fruto. Há um mês, Lola teve um filhote que pode ser um híbrido entre a ararajuba e o maracanã. “Só poderemos precisar se é um híbrido ou não depois de se realizar os testes genéticos no filhote, ou quando houver maior empenamento do filhote, já caracterizando o indivíduo. Estamos apenas aguardando o retorno do pesquisador da UFPA que pode realizar o teste”, explica Messias Costa, veterinário do Museu Goeldi.

Para Messias, aliás, é plenamente possível que o filhote seja híbrido. A desconfiança aumenta quando se sabe que a ararajuba é um animal que forma casais fiéis por toda a vida. “Há a possibilidade da Lola ter acasalado com um animal da mesma espécie, embora forme casal com a ararinha.  Esse tipo de arranjo “diversificado” [falando sobre o casal ararajuba/maracanã] é possível em grupos de psitacídeos mantidos em um só viveiro”.

O caso toma outros contornos quando se sabe que a reprodução de psitacídeos em cativeiro requer uma série de cuidados para o seu sucesso, como a busca pela afinidade entre os animais e a separação do casal em um viveiro isolado, o que torna a espontaneidade do caso mais interessante. Além disso, um outro animal começa a se envolver na história: os veterinários observaram que uma marianinha (Pionites leucogaster) já foi vista algumas vezes cuidando do filhote de Lola.

Macacos e preguiças - Outro arranjo entre animais de diferentes espécies foi detectado recentemente no Parque Zoobotânico. Um macaco-de-cheiro (Saimir sciureus), chamado Nino, que vivia solto no PZB entrou, acidentalmente, no viveiro dos macacos-aranha (conhecidos também como Coatás). O interessante é que não houve hostilidade entre os animais.

Segundo o veterinário Messias Costa, o Saimiri, depois de várias tentativas e muita persistência, “dominou” a situação, conseguindo, por exemplo, subir nas costas dos outros macacos e se alimentar junto com eles.  “Essa situação é muito interessante porque não imaginávamos esse tipo de combinação que, aliás, nós vemos como uma oportunidade de quebrar a monotonia do viveiro, além de torná-lo mais atrativo para os visitantes”.

As preguiças também são animais que conseguem se reproduzir no PZB, estimando-se que, atualmente, existam 40 deles soltos no Parque. Não é raro o visitante se deparar com preguiças carregando filhotes nas costas, subindo e descendo das árvores atrás de alimento.

“Na natureza, as preguiças são geralmente solitárias, mas filhotes mantidos na Veterinária são agregados aos maiores que até os carregam, o que é positivo para minimizar o estresse adaptativo ocasionado pela ausência da mãe”, explica o veterinário do Museu, Messias Costa.

Além dos que nascem aqui, eventualmente o Ibama traz ao Museu filhotes de preguiça apreendidos. No PZB, eles são submetidos aos tratamentos necessários de modo que fiquem aptos a viver livres no Parque, uma vez que não podem retornar a natureza. Um caso recente que ilustra isso foi a chegada, há cerca de quatro meses, de um filhote de preguiça-real (Choloepus hoffmanni), que vem recebendo cuidados especiais constantemente.

Ainda com alguns dias de vida, ela foi trazida pelo Ibama e hoje já com 6 meses, por conta da ausência dos pais, está sendo ensinada pelos veterinários a ser uma preguiça: quase todos os dias estimula-se que suba em árvores para melhorar a sua condição muscular e localização espacial, além de ajudar a quebrar o vínculo de dependência com a equipe que a alimenta. A bióloga Thatiana Figueiredo, do Serviço do Parque Zoobotânico, afirma que “é imprevisível dizer quando ela estará apta para viver sozinha”, afinal ainda é necessário alimentá-la na boca.

Exemplos, como esse das preguiças, mostram como o Parque Zoobotânico do Museu Goeldi, para além de um espaço de lazer para a população e zoológico, é um centro de tratamento e berçário para animais que, devido às ameaças que sofrem têm suas chances reduzidas em um ambiente natural.  (Agência Museu Goeldi)

Portal Cultura, Pará, 13/8/2010

 

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