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Cientistas elaboram mapa mundial de répteis

Data: 
10/11/2017 - 16:30

Herpetólogos de mais de 30 instituições colaboraram para consolidar dados de todo o planeta. Ao inserir informações sobre mais de dez mil espécies de serpentes, lagartos e quelônios, os especialistas conseguiram completar o “atlas da vida”. Quando juntaram com o conhecimento acumulado sobre aves, anfíbios e mamíferos, revelaram padrões inesperados e regiões de grande biodiversidade até então negligenciadas como zonas de alta prioridade para a conservação.

Agência Museu Goeldi – Um time internacional de cientistas acaba de completar o "atlas da vida", uma síntese global da distribuição dos vertebrados terrestres do planeta. Liderados por pesquisadores da Universidade de Oxford e da Universidade de Tel Aviv, 39 cientistas produziram um mapa dos répteis do mundo. Herpetólogo e pesquisador do Museu Paraense Emílio Goeldi, Dr. Marinus Hoogmoed, fez parte do estudo, que também contou com a participação de mais três cientistas brasileiros: Dr. Cristiano Nogueira e Dr. Márcio Martins, ambos da Universidade de São Paulo, e Dr. Guarino Colli, da Universidade de Brasília.

"Entreguei ao projeto meus mapas de distribuição de répteis da Amazônia e das Guianas, resultado de 40 anos de trabalho na área. A região amazônica é uma área com alta diversidade para todos os grupos de répteis estudados: lagartos, serpentes, jacarés e tartarugas. Concluímos que há uma discrepância entre áreas protegidas e áreas com alta diversidade de espécies de lagartos. Com os novos dados, será possível no futuro indicar mais áreas protegidas, levando em conta a alta diversidade de lagartos em certas áreas", ressalta Marinus Hoogmoed.

No artigo publicado na Nature Ecology & Evolution, cientistas de mais de 30 universidades e institutos de pesquisa do mundo divulgaram os resultados desse mapeamento global dos répteis, que alcançou mais de dez mil espécies de serpentes, lagartos e quelônios. Esses dados completam o "atlas da vida", mapa global das mais de 31 mil espécies, incluindo cerca de cinco mil mamíferos, seis mil anfíbios e dez mil aves.

O mapa revelou padrões inesperados e regiões de alta biodiversidade, negligenciadas anteriormente como zonas de alta prioridade para a conservação. Elas incluem a Península Arábica e o Levante, o interior árido do sul da África, as estepes asiáticas, os desertos do centro da Austrália, a Caatinga brasileira e o sul dos Andes.

“Lagartos, em especial, tendem a ter distribuições inusitadas e frequentemente gostam de lugares quentes e secos, assim muitas das novas áreas prioritárias para a conservação identificadas estão em áreas secas e desertos. Essas tendem a não ser prioridades para aves ou mamíferos, assim não poderíamos tê-las previsto de antemão”, esclarece o cientista líder da pesquisa, Dr. Uri Roll, que agora faz parte da Universidade Ben Gurion do Negev (Israel).

Professor da Faculdade de Ciências da Vida, da Universidade de Tel Aviv (Israel), o pesquisador Shai Meiri idealizou esse projeto há mais de dez anos. Segundo Meiri, “mapear as distribuições de todos os répteis era considerado uma tarefa muito difícil. Mas, graças a um time de especialistas em lagartos e serpentes de algumas das regiões menos conhecidas do mundo, nós conseguimos concluí-la e, tomara, contribuir para a conservação desses vertebrados frequentemente pouco notados, que sofrem com a perseguição e o preconceito”, afirma.

Atlas da Vida – Para melhor proteger a vida silvestre, é importante saber onde as espécies vivem, de forma que ações corretas sejam implementadas e recursos financeiros escassos sejam corretamente direcionados. Considerado a primeira síntese global da distribuição dos vertebrados terrestres do planeta, o "atlas da vida" é resultado de um extenso trabalho que envolveu cientistas de diversas partes do mundo. Desde 2006, já haviam mapas que mostravam os hábitats de quase todos anfíbios, aves e mamíferos. No entanto, as espécies de répteis eram pouco conhecidas, lacuna preenchida agora.

“Graças a ferramentas como o atlas da vida, cientistas podem, pela primeira vez, ter uma visão global da diversidade terrestre no planeta, o que auxilia na tomada de decisões sobre como usar os fundos para a conservação. Provavelmente, nós estamos, de fato, melhor equipados e estamos tornando os resultados disponíveis a todos”, festeja o biólogo e pesquisador da Universidade de Oxford, Dr. Richard Grenyer.

Lista Vermelha – Atualmente, a União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN) está classificando as espécies registradas no mapa em uma Lista Vermelha, que mede o risco de extinção das espécies em categorias que variam de “criticamente ameaçada” a “menos preocupante”. Essa iniciativa reunirá dados importantes para a melhor compreensão da biodiversidade e também para embasar medidas voltadas para a sua preservação.

O artigo na íntegra está disponível aqui.

No Pará, o Museu Goeldi coordenou a formulação da 1ª Lista de Espécies Ameaçadas de Extinção de um estado amazônico, trabalho que a instituição se prepara para atualizar em parceria com o Instituto de Desenvolvimento Florestal e da Biodiversidade do Estado do Pará – Ideflor-Bio.

Texto: Universidade de Oxford com colaboração do Museu Goeldi

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