Portal do Governo Brasileiro

A diversidade da natureza no Boletim do Museu Goeldi

Data: 
11/10/2017 - 12:30

Fungos, plantas, bichos, minerais e aquífero. O Boletim do Museu Paraense Emílio Goeldi. Ciências Naturais de janeiro/abril de 2017 apresenta trabalhos do campo da Zoologia, Micologia, Ficologia, Botânica e Geologia

Agência Museu Goeldi - Do estudo de algas microscópicas às zonas do Sistema Aquífero Boa Vista, diversas áreas do conhecimento estão contempladas no primeiro número do volume 12 do Boletim do Museu Paraense Emílio Goeldi. Ciências Naturais. Pesquisadores de diversos estados brasileiros colaboraram com esta edição.

Editor Científico da publicação, Fernando da Silva Carvalho Filho antecipa que o artigo de abertura é da área da Zoologia e trata sobre a diversidade de Membracidae da Mata Atlântica. “Esta família é composta por insetos pequenos, parentes da cigarrinha, que apresentam grande quantidade de espécies, estando entre os insetos mais bizarros do planeta. Isso porque eles apresentam vários tamanhos, formas e cores”, explica em sua carta de apresentação do número. Ele destaca a importância da pesquisa ao lembrar que este é um grupo pouco estudado no Brasil e que está centrado em um dos biomas mais ameaçados do país.

Já em “Ordenamento participativo do turismo com botos no Parque Nacional de Anavilhanas”, os pesquisadores voltaram a atenção a uma área aberta à interação entre visitantes e botos selvagens, no Amazonas. Eles sugerem orientações quanto à estrutura mínima e à localização do empreendimento onde acontecem essas interações, além de indicarem o modo como deve se dar o contato entre visitantes e animais.

Próprio da área da Micologia, o estudo de substâncias produzidas por algumas espécies de fungos de um mesmo gênero capazes de matar bactérias trouxe à tona mais uma das múltiplas utilidades destes seres para a sobrevivência da humanidade. Apesar de pouco conhecido seu valor, os fungos podem ser fonte de alimento ou base para produção de medicamentos.

O boletim traz ainda resultados de um amplo inventário de algas do gênero Pinnularia, um tipo de planta microscópica. Os exemplares utilizados na pesquisa foram coletados ao longo dos cursos superior e médio do rio Negro, incluindo rios tributários e igarapés.

Os leitores desta edição contam também com artigo que traz uma revisão biogeográfica da distribuição e do estado de conservação das espécies de plantas do gênero Aiouea no Brasil. As plantas desta família são conhecidas no país por vários nomes, como brinco-de-princesa, canela-sêbo, canela-anhoíba, canela-do-piauí, canela-do-rio-grande, canela-vermelha, louro-de-goiás, louro rosa, sassafrás, uridol, urinosa, vergateza, entre outros.

Na área da Geologia, o boletim divulga o trabalho de pesquisadores que distinguiram e caracterizaram as zonas do Sistema Aquífero Boa Vista, em Boa Vista (RR). “Considerando que a falta de água é um problema enfrentado por muitos países e que, se não houver mudanças no nosso estilo de vida, assolará boa parte da humanidade, estudos sobre a caracterização dos sistemas aquíferos do Brasil são de grande utilidade para o conhecimento de nossas fontes de água”, ressalta o editor.

No mesmo campo de conhecimento, há um histórico da formação e a trajetória da coleção de minerais da antiga Escola Nacional de Engenharia (ENE), parcialmente sediada no Museu da Geodiversidade, no Instituto de Geociências, da Universidade Federal do Rio de        Janeiro. Esta coleção possui um dos maiores acervos de fósseis do Brasil, com cerca de 20 mil itens.

Também poderá ser conferido nesta edição artigo sobre Paleontologia, mais especificamente sobre Micropaleontologia, a ciência que estuda os microfósseis. Após estudo semântico cuidadoso, o trabalho propõe que o termo correto deveria ser Paleomicrontologia. “Ao contrário do microfóssil, que é um fóssil microscópico, o micropaleontólogo não é um profissional microscópico que estuda fósseis. Portanto, a palavra micropaleontologia e suas derivadas não possuem significado morfológico satisfatório”, lê-se no resumo do artigo.

Em nota científica, há um relato da predação da rola-fogo-apagou pela seriema, em Minas Gerais. Ela é uma ave pernalta que habita áreas abertas naturais ou modificadas pelo homem. Desta forma, ela não é encontrada nas áreas florestadas da Amazônia. Apesar de ser um predador generalista, há poucos registros sobre as presas desta espécie.

O Boletim do Museu Paraense Emílio Goeldi. Ciências Naturais é uma publicação quadrimestral e recentemente passou por mudanças no corpo editorial da revista. Até o final desse ano, ainda serão publicados os outros dois números para completar o volume. Se você é pesquisador da área das ciências naturais, envie seu artigo.

A revista tem acesso aberto, e todo o conteúdo está disponível gratuitamente para ser lido, curtido e compartilhado.

Texto: Érika Morhy

Galeria de Imagens: 

[Voltar]

X
Digite seu nome de usuário Museu Paraense Emílio Goeldi .
Digite a senha da sua conta de usuário.
Carregando