Portal do Governo Brasileiro

Educação na floresta

Data: 
30/08/2013 - 14:45
Museu Goeldi movimenta as comunidades de Caxiuanã com feira de ciências itinerante. A instituição visitou seis comunidades e avaliou mais de 15 trabalhos sobre plantas medicinais, situações do cotidiano e produção de artesanato

Agência Museu Goeldi - Com o intuito de aproximar a ciência das crianças que moram na Floresta Nacional de Caxiuanã, o Museu Paraense Emílio Goeldi promove há dois anos a Feira de Ciências das Escolas da Floresta Nacional de Caxiuanã, em parceria com as Prefeituras dos municípios de Portel e Melgaço. A segunda edição ocorrida em 2013 contou com o apoio do Clube de Ciências da Universidade Federal do Pará. A iniciativa estimula as crianças a produzirem trabalhos sobre sua cultura e problemáticas do cotidiano. 

Adotando a mesma temática da Semana Nacional de Ciência e Tecnologia – Ciência, Saúde e Esporte-, a II Feira de Ciências esteve presente ao longo de cinco dias de junho em seis comunidades pertencentes aos municípios de Portel e Melgaço. A equipe avaliadora percorreu as escolas que ficam no entorno da Estação Científica Ferreira Penna e avaliaram seus projetos. Os melhores trabalhos vão ser apresentados na Olimpíada de Caxiuanã, em outubro. A partir de 2013, a Feira entrou oficialmente no calendário das escolas, como atividade acadêmica regular, e encerrou o primeiro semestre letivo. Uma feira circulante – A abertura da Feira ocorreu na comunidade de Pracupijó, no município de Melgaço. Crianças do 1º e 2º ano apresentaram um poema, o 3º ano apresentou versos sobre a feira de ciências, 3º, 4º e 5º ano apresentaram um telejornal ao vivo, relembrando pessoas importantes da Estação, como personagens históricas, a exemplo de Ferreira Penna (fundador do Museu Goeldi). A escola apresentou dois projetos, o primeiro sobre as mudanças na comunidade nas duas últimas décadas, quando já contavam com ECFPn, e o segundo, sobre a produção de objetos alternativos feitos com materiais recicláveis. Continuando a programação a comunidade apresentou uma dança de quadrilha e versos sobre as lendas da floresta como Matinta Pereira, Saci e Mapinguari. 

A Feira continuou no município de Melgaço, nas comunidades do Lago Camuim e Pedreira. Os alunos do 6º e 7º anos apresentaram um trabalho sobre as plantas medicinais e alunos do 1º ao 5º ano apresentaram uma roda de capoeira. Na comunidade da Pedreira (que está vinculada ao Polo Pracupijó), os alunos apresentaram artesanatos. 

Na comunidade de São Tomé, pertencente ao município de Portel, a escola Chico Mendes e anexo apresentaram seu projetos com os temas artesanato, barrancos nos rios e miriti. A escola realizou sua apresentação usando maquetes e produtos prontos. Entre os trabalhos apresentados, as dificuldades de navegação quando aparecem barrancos no rio. Barranco é o nome que se dá a um tipo de vegetação que flutua sobre o rio, e quando ocorre o acúmulo dessa vegetação nos rios, estes ficam intransitáveis, alterando as atividades diárias da população. O problema foi investigado pelos alunos, que também formularam hipóteses para a sua ocorrência. 

Na comunidade de Santo Antônio, no município de Portel, ocorreram as apresentações das escolas Santo Antônio e São Sebastião. Os alunos do 3° ao 5° ano apresentaram um trabalho sobre a piscicultura, os alunos do EJA (Educação de Jovens e Adultos) apresentaram o projeto “Horta na Escola”, com o objetivo de ajudar na alimentação dos próprios alunos. Para os alunos “ter uma horta compartilhada em que todos podem ajudar e aprender a cultivar plantas como cebolinha, chicória e favaca, melhora a alimentação”. Os alunos do 6º apresentaram como projeto o SAF (Sistema de Agroflorestamento) que consiste em em cultivar várias plantas sem prejudicar o solo. Estudantes do 4° e 5° ano optaram por debater a conservação do meio ambiente e recursos renováveis. A reciclagem também foi o foco dos alunos do EJA da escola São Sebastião, que reciclaram desde garrafas pets, latas de alumínio até CDs para produzir artesanatos e roupas.

De volta ao município de Melgaço, na escola São Sebastião, a organização da Feira conheceu os trabalhos sobre a mandioca e os seus derivados e alimentos alternativos. Através de maquete e de produtos diversos, os alunos do 1° ao 8° ano demonstraram o processo que leva a mandioca até virar farinha. 

Balanço final – Após percorrer todas as comunidades da Flona, a equipe do Museu Goeldi e seus parceiros promoveram uma avaliação da Feira no município de Portel, discutindo os pontos positivos e negativos da ação. A comissão avaliadora é constituída pela equipe de organização, professores e representantes das Secretarias de Educação de Portel e Melgaço.Ana Maria de Freitas, Diretora da Escola Nossa Senhora da Conceição, manifestou que “a segunda feira de ciências, me surpreendeu, principalmente o esforço dos alunos, apesar das dificuldades que encontramos, e com o pouco tempo, devido às avaliações e provas”.

Além de estimular os alunos em conhecer e adotar o método científico para investigar sua realidade, o Programa Floresta Modelo do Museu Goeldi, através da Feira de Ciências ajuda as comunidades a compartilharem o seu conhecimento com seus vizinhos. “A gente resgatou as raízes, eu aprendi muitas coisas que eu não sabia. Como a produção da farinha, as plantas medicinais e os remédios. Isso é uma troca de conhecimento muito grande porque o que a gente não sabe aqui o que outros alunos de outras comunidades sabem e vocês repassam esse conhecimento pra gente”, opina Sabrina dos Santos, estudante da escola São Sebastião. 

Floresta Nacional de Caxiuanã – Foi criada em 1961, sendo a mais antiga da Amazônia Legal, situa-se no estado do Pará, entre os municípios de Melgaço e Portel, no arquipélago do Marajó. É gerenciada pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBIo) a quem  compete autorizar o ingresso de pesquisadores para a realização de atividades dentro da Flona. A Flona tem 330 mil hectares, localizados no interflúvio entre os rios Xingu e Tocantins. Ela foi criada para controlar a retirada de madeira, proteção contra queimadas, preservação de recursos naturais e promoção da segurança nacional.


Estação Científica Ferreira Penna - ECFPn – Estabelecida pelo Museu Goeldi na Floresta Nacional de Caxiuanã desde 1993, a Estação Científica completa 20 anos em 2013. A ECFPn tem como objetivo apoiar estudo científicos sobre a sócio biodiversidade e realizar atividades educativas. Ao longo do ano a base recebe alunos de graduação e pós-graduação para visitas orientadas, cursos de campo e treinamentos.  

Olimpíada de Caxiuanã – Ocorre uma vez por ano na Estação Ferreira Penna e recebe alunos do 3° ao 9° ano que tenham bom comportamento e notas acima da média. Na Olimpíada, os alunos participam de oficinas e palestras, além de competição de casquinhagem e natação. Durante as Olimpíadas os alunos vão até o MPEG e conhecem a Estação enquanto que na Feira o MPEG vai até as comunidades.

 

Texto e Vídeo: Fernando Cabezas

[Voltar]

X
Digite seu nome de usuário Museu Paraense Emílio Goeldi .
Digite a senha da sua conta de usuário.
Carregando