Quatorze jovens pesquisadores do Museu Goeldi foram premiados no Seminário PIBIC deste ano
Agência Museu Goeldi – A dedicação de quatorze jovens pesquisadores em um ano de pesquisa científica foi recompensada na cerimônia de premiação do XXII Seminário de Iniciação Científica – PIBIC/MPEG, realizada no dia 6 de junho, no Auditório Paulo Cavalcante do Campus de Pesquisa do Museu Emílio Goeldi. Com apoio da Sol Informática, os estudantes receberam tablets e hds externos. Os trabalhos abrangeram diversos assuntos dentro da temática deste ano: “Novos rumos na compreensão da Amazônia: a integração das Ciências Naturais e Humanas”.
A seleção das pesquisas que mais se destacaram foi feita pelo Comitê Interno do Programa Institucional de Bolsas de Iniciação Científica (PIBIC), constituída pelos pesquisadores do MPEG Wolmar Wosiacki (CZO), Márlia Coelho-Ferreira (CBO), Glenn Shepard (CCH), Maria Cândida Barros (CCH), Leandro Ferreira (CBO), Alberto Akama (CZO), Cristine Amarante (CCTE), Rogério Rosa da Silva (CCTE), além de Alex Krusche (Universidade de São Paulo), Oscar Shibatta (Universidade Estadual de Londrina) e Viviane Kruel (Universidade Federal do Amazonas).
Comunicação e Tecnologias da Informação – A estudante de Museologia Emilly Cristine Barbosa dos Santos, orientada por Lúcia Santana da Silva, da Coordenação de Comunicação e Extensão, estudou as relações de sociabilidade entre o Museu Goeldi e as famílias que visitam o Parque Zoobotânico. De acordo com os entrevistados, a mãe é a figura familiar que estimula as visitas ao Parque, visto como um espaço econômico, atrativo e que possibilita o contato com a natureza. Além disso, também apontaram a necessidade de estreitar os laços de participação dos visitantes nas ações institucionais, esclarecendo que a visita deve ir além da contemplação do espaço.
Timóteo Monteiro da Silva, do curso de Ciências Biológicas, atuou na Coordenação da Pesquisa e Pós-Graduação orientado por Marcos Paulo de Sousa, onde implantou o banco de dados das coleções de invertebrados do Programa de Pesquisa em Biodiversidade - PPBio Amazônia Oriental através do software Specify, além de promover treinamentos para o gerenciamento das coleções informatizadas. Toda a coleção de Aracnídeos, com 24417 registros, já está disponível no Portal do Museu Goeldi e as de Tabanídeos, Drosofilídeos e Lepidópteros estão em processo de informatização.
Ciências da Terra e Ecologia – Bruna Amanda Silva de Souza, aluna de Tecnologia em Estética e Cosmética, orientada por Cristine Amarante, descobriu o potencial da pupunha (Bactris sp) como filtro solar natural. A estudante analisou o teor de flavonóides e da atividade oxidante do caroço, casca, polpa e amêndoa. Destes, o caroço apresentou maior atividade oxidante. As análises de flavonóides e a avaliação fotoprotetora ainda estão sendo realizadas.
Thiago Pereira de Souza fez um estudo mineralógico, geoquímico e granulométrico dos sedimentos de fundo do Rio Araguari, na planície costeira do Amapá, sob orientação de José Francisco Berredo . A análise identificou minerais leves e pesados, a exemplo de quartzo, albita e topázio, e concluiu que a origem dos sedimentos está relacionada à erosão de rochas do Complexo Guianense, Grupo Vila Nova e diques da Suíte Intrusiva Cassiporé, áreas relativamente próximas aos locais de deposição.
A graduanda de Museologia Bruna de Campos Antunes, orientada por Maria de Lourdes Ruivo e Sue Anne Costa, percebeu que há uma ausência do ensino de Paleontologia nas escolas de ensino básico e estudou estratégias para mudar esse cenário. Com o apoio da Coleção Didática de Paleontologia do MPEG, a estudante organizou um kit didático sobre o assunto e orientou professores de Biologia de duas escolas de Belém (PA) a utilizá-lo, estimulando de forma lúdica o repasse de conhecimentos básicos sobre os estudos paleontológicos na Amazônia.
Botânica e Zoologia – Na Coordenação de Botânica, mais três trabalhos se destacaram. Sob orientação de João Ubiratan dos Santos e Ely Gurgel, Flávio Wirlan Andrade da Silva analisou a estrutura do fruto, da semente e da plântula de Pradosia granulosa, uma espécie rara e ameaçada de extinção. Camila de Cássia Travassos Fonseca, orientada por Sebastião Maciel, pesquisou as licófitas e samambaias do Parque Ecológico Gunnar Vingren, uma Área de Proteção Ambiental (APA) com 44 hectares em Belém. O estudante Wendell Vilhena de Carvalho caracterizou a estrutura e organização do vegetal Eleocharis geniculata em ecossistemas costeiros de restinga e apicum no município de Salinópolis (PA), orientado por Alba Lúcia Lins.
Na Coordenação de Zoologia, Mayara da Costa Pereira, orientada por Wolmar Wosiacki, descreveu uma nova espécie do gênero de peixes Hypostomus, baseado em exemplares da Foz do Rio Goiapi, do município de Cachoeira do Arari, na Ilha do Marajó (PA). Enquanto isso, Gabrielle Tavares Pontes inventariou o grupo de moscas Tripunctata presentes em flores caídas. A área de pesquisa foi a Reserva Mocambo, em Belém (PA), e teve a orientação de Marlúcia Martins. Já Ariel Dennis Santos Silva organizou um glossário de nomes comuns de insetos e outros artrópodes dados por moradores de Vigia, Salvaterra e Soure (PA), como forma de valorizar a sociobiodiversidade e o conhecimento tradicional. O trabalho foi orientado por William Leslie Overal.
Linguística e Arqueologia – A Coordenação de Ciências Humanas também teve três trabalhos premiados. Um deles foi o de Jéssica Michelle Rosário de Paiva, orientada por Carlos Barbosa, que fez a análise iconográfica dos artefatos arqueológicos da cultura Maracá, provenientes da região sudeste do atual estado do Amapá. No total, 47 urnas e 53 grupos de fragmentos foram descritos. Observou-se, além dos padrões morfológicos e de pintura, elementos peculiares de representação do gênero sexual em algumas urnas.
Marcelo Lima Baldez interpretou os vestígios da cultura material remanescente no sítio Salina dos Roque, em Bragança (PA), a partir de relatos orais dos moradores locais, buscando compreender o processo de produção de sal nos anos 1920 e as causas do declínio da atividade na região. Destaca-se também nesta investigação a metodologia chamada de “história táctil”, como forma de superar possíveis entraves de um pesquisador com deficiência visual. A orientação foi de Fernando Marques,
O terceiro trabalho foi Gabriel de Cássio Pinheiro Prudente, orientando de Cândida Barros e Karl Arenz. O estudante fez um estudo comparativo entre um dicionário em língua geral do século XVIII encontrado recentemente na Alemanha e outros dois dicionários. Durante o processo de transcrição diplomática, foram encontrados indícios de que o documento teria sido produzido em 1750 na região do Xingu por um missionário alemão. O manuscrito foi tema de um Seminário Internacional & Interdisciplinar este ano.
Texto: Alice Martins Morais

