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Árvore é atingida por raio e tomba na avenida Gentil Bittencourt

Data: 
22/03/2018 - 18:45

Ao cair durante o temporal, quebra o muro do Parque Zoobotânico, derruba mangueira, poste e fios elétricos, além de atingir carros e motos particulares. Os estrondos do raio e da queda da planta coincidiram com o horário do apagão de energia elétrica nos estados no Norte e Nordeste.

 

Agência Museu Goeldi - Na última quarta-feira (21), por volta de 14h30, duas árvores entrelaçadas do Parque Zoobotânico do Museu Paraense Emílio Goeldi (MPEG) foram atingidas por um raio e caíram na Avenida Gentil Bittencourt, quase na esquina com a Avenida Alcindo Cacela, paralisando o trânsito por horas e causando danos em automóveis de particulares. As árvores amazônicas eram das espécies Açacu (Hura crepitans L.) e Apuí (Ficus amazonica), e alcançavam aproximadamente 26 metros de altura. Com idade estimada em 30 anos, o Açacu, de tronco e raízes em bom estado de saúde, foi fulminado por uma descarga elétrica testemunhada por populares atônitos que trabalham, ou que passavam de carro, nas proximidades da instituição.

Cuidados - Com uma coleção botânica de 2 mil indivíduos vivos no centro da cidade de Belém, o Museu Goeldi monitora a mata plantada de seu Parque, com atividades de rotina e a assistência de empresas especializadas. Órgãos públicos, como a Secretaria Municipal de Meio Ambiente e o Corpo de Bombeiros, apoiam também a instituição para realizar procedimentos para os quais não possui maquinário, como o caso de poda de grandes árvores no interior do seu Zoobotânico. O Goeldi também tem parceria com a Rede Celpa, em caso de poda de árvores cujos galhos alcancem a rede elétrica das ruas do entorno das bases físicas instaladas em Belém – Parque Zoobotânico na área central e Campus de Pesquisa na periferia da cidade.

Mantendo quase 700 grandes árvores na coleção do Parque Zoobotânico, o Museu Goeldi adota um sistema de controle baseado em Levantamento de Risco de Queda. O último levantamento foi feito em 2014 e apontou as ações de contingência a serem adotadas para plantas em diferentes níveis. Além da rotina diária que inclui acompanhamento visual do estado de copas, galhos e raízes, a equipe da flora (engenheiros florestais e jardineiros) suprime os exemplares que apresentam alto risco e realizam podas para equilibrar ou rebaixar as árvores, quando for o caso.

Os Levantamentos de Risco de Queda devem ser feitos de cinco em cinco anos. Os diagnósticos também são antecedidos de inventário florístico com atualizações em mapa do que existe e onde estão localizadas as plantas do Museu. O Parque do Museu Goeldi é um exemplo bem sucedido de restauração florestal, onde tanto os animais quanto as plantas espalham sementes, e auxiliam na regeneração vegetal. Essa mata urbana, que resfria em 3 graus o microclima da área central de Belém, também é afetada tanto por fatores naturais (incidência de raios solares, ventos, chuvas, descargas elétricas, qualidade do solo, etc.) quanto pela poluição sonora e ambiental, tráfego intenso, e sombreamento de edifícios no entorno. Esses fatores ajudam a alterar a distribuição das plantas nos 5,4 hectares do Parque Zoobotânico. Como seres vivos, as plantas reagem às diferentes condições, e para manter a alta diversidade e boas condições de saúde e reprodução de plantas e animais, as equipes técnicas mantêm trabalho constante para identificar e suprir tanto as necessidades básicas quanto as sazonais.

Problemas - As estratégias de manejo e conservação da fauna e flora silvestre no ambiente urbano adotadas pelo Museu Goeldi têm propiciado bons resultados, mesmo em situações desfavoráveis, pois mantêm o parque produtivo, seguro (o último incidente de queda de árvores nas vias públicas foi há mais de 10 anos) e ainda instrutivo e atraente para a sociedade. Todavia, o corte no orçamento de Ciência e Tecnologia afeta negativamente a instituição. Uma das consequências é o impedimento para contratar empresas com equipamentos especializados para realizar ultrassom nos troncos e raízes das árvores, como também no solo do Parque.

O Açacu que tombou estava envolvido pelo Apuí, espécie estranguladora que cresce sobre outra árvore, sendo também conhecida pela população amazônica como Mata-Pau. A árvore não estava com sua saúde comprometida (análise técnica do estado do tronco e do sistema de raízes já indicou isso). Assim como esse Açacu, existem outras duas árvores entrelaçadas por Apuí em condições semelhantes. Uma está próxima ao muro da Travessa Nove de Janeiro e a outra localiza-se nas imediações do Centro de Exposições Eduardo Galvão (dentro do Parque), perto do muro da Avenida Alcindo Cacela. Antes do acidente desta quarta-feira (21), o Museu Goeldi havia iniciado contato com a Rede Celpa para a poda ou supressão dessas plantas. As podas não impedem a queda caso uma árvore seja atingida por raios, ou fortes chuvas e ventos, mas é uma ação preventiva que minimiza o risco.

Ações Emergenciais – Em caso de queda de árvore, o Museu Goeldi adota imediatamente ações emergenciais, como acionar os órgãos competentes e organizar equipe especializada terceirizada para o trabalho de remoção e mitigação. Na última quarta-feira, foram acionados o Corpo de Bombeiros, a Polícia Militar, a Secretaria Municipal de Meio Ambiente, a Secretaria de Mobilidade Urbana, o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência e a Rede Celpa. As equipes especializadas tanto do Parque Zoobotânico quanto do Campus de Pesquisa do Museu Goeldi foram acionadas e agiram sob a orientação dos órgãos acionados – ao todo 16 da equipe do Museu pessoas foram mobilizadas, e 14 das instituições parceiras. As equipes atuaram em conjunto durante a tarde e à noite para fazer a retirada das árvores tombadas, escorar a parte mais pesada que permanece apoiada no muro, que foi vedado para evitar eventuais fugas de animais.

Hoje uma empresa foi contratada em caráter emergencial para retirar o restante do tronco e os entulhos da calçada e recompor o muro. A direção do Museu Goeldi também está solicitando suplementação de recursos ao Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações, para pagamento das despesas, uma vez que o orçamento anual não comporta despesas extras devido aos cortes orçamentários.

A médica veterinária Ana Letícia Freitas, bolsista do Programa de Capacitação Institucional do Museu Goeldi, chegava ao Parque Zoobotânico exatamente no momento da queda e teve seu carro atingido por parte das árvores. Felizmente, Letícia não sofreu nenhum ferimento e passa bem. A direção do Museu Goeldi pede às pessoas e motoristas cuidado ao transitarem na Avenida Gentil Bittencourt enquanto todo o entulho não for retirado.

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