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Goeldi celebra 122 anos de seu Zoobotânico com programação especial

Data: 
18/08/2017 - 15:00

Atividades começam neste domingo (20) e continuam na próxima sexta-feira (25). Programação inclui bolo de frutas e flores, trilha ecológica, gastronomia sustentável, brincadeiras educativas, reforçando a função social do Parque na cidade.

Agência Museu Goeldi – Um lugar para conhecer e interagir com a natureza e culturas amazônicas, usufruir do conhecimento científico, espairecer com familiares e amigos, o Museu Paraense Emílio Goeldi realiza neste domingo (20) e na sexta-feira (25) a programação comemorativa dos 122 anos de criação de seu Parque Zoobotânico. Na edição deste ano, o objetivo é reforçar a função educativa do espaço, a mais popular base física da instituição. Haverá ações expositivas e lúdicas. Entre novidades para o público visitante, 81 placas de identificação da flora do parque, a presença do Toró - Gastronomia Sustentável e o lançamento do último episódio da 3ª série do projeto Viva Amazônia, desta vez dedicada as palmeiras amazônicas.

O circuito de aniversário neste domingo (20) tem início com o convite aos visitantes para percorrer a trilha de espécies ameaçadas de extinção e que fazem parte da coleção botânica do parque. A atividade, conduzida pelo Macaco Ximbica, a educadora Ana Claudia Silva e o engenheiro florestal Rogerio Hedayson, é chamada Trilha Vermelha e inclui visita ao Cedro Vermelho, ao Pau-rosa, ao Acapu, ao Mogno e à Castanheira. As árvores estão identificadas com grandes faixas vermelhas e banners informativos que alertam para a importância de sua conservação. A trilha será feita em dois horários: 9h30 e 10h, e inclui uma surpresa.

Durante a visita ao Parque do Museu, os visitantes poderão conferir as novas placas de identificação da flora. Das 81 placas, 61 constam os nomes vulgar e científico, a família a que pertence, sua ocorrência e uso. Outras 20 são mais descritivas, além dos nomes vulgar e científico, apresentam a família botânica e um pequeno texto informativo sobre a espécie. Todas as placas seguem as normas do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), e repassam a informação de forma leve, acompanhando a prática dos principais jardins botânicos do Brasil. As peças têm caráter educativo e ajudam o público a conhecer as plantas existentes na área, sua importância econômica e social e, principalmente, sua vulnerabilidade.

O domingo no Parque será animado pelo Programa Natureza, que acontecerá na área lateral da Diretoria do Museu Goeldi, em frente a samaumeira localizada nas proximidades do portão da Nove de Janeiro. O velho conhecido Macaco Ximbica reúne os visitantes numa brincadeira que fala sobre ciência e sustentabilidade de forma bem divertida. Em seguida, no mesmo local, o público poderá participar do tradicional parabéns, por volta das 11h30, com um bolo especial feito de flores e frutas. As pessoas poderão levar para casa pequenas mudas de plantas e degustar os frutos da mesa.

Paralelamente, durante toda manhã o Toró - Gastronomia Sustentável propicia uma experiência ecogastronômica no espaço próximo à casa de Emílio Goeldi. O projeto consiste no fornecimento de produtos autorais de origem natural, orgânica e sustentável, resultado de uma agricultura tradicional e familiar local. O processo leva em conta a produção da menor quantidade possível de resíduos sólidos, na perspectiva de ser uma iniciativa saudável ao corpo e ao planeta.

Viva Amazônia – No dia 25, a agenda de aniversário do parque apresentará ao público o último episódio da série “As anciãs do Museu Goeldi”, que faz parte do projeto Viva Amazônia. Depois da vitória-régia,seringueirasamaumeiraguajará e castanheira, é a vez da palmeira dar título à série dedicada às espécies vegetais mais antigas da instituição. Lançada em 2015, a série conjuga notícias, vídeos, paperstoyse ilustrações de Lívia Prestes para wallpaper de telas de celulares, tablets e computadores. Todo o conteúdo produzido pela equipe do Goeldi fica disponível online no Portal e perfis do MPEG nas mídias sociais.

No mesmo dia, os visitantes do Zoobotânico são convidados para um passeio pela trilha de palmeiras – coleção centenária que reúne o maior acervo vivo de palmeiras de Belém, ao todo são 60 espécies. No trajeto, os visitantes descobrem algumas curiosidades sobre mais de dez espécies, entre elas o açaí, o buriti e o babaçu. O objetivo da atividade é destacar a importância das palmeiras para o meio ambiente e para o homem.

Parque - O Parque Zoobotânico do Museu Goeldi está situado no centro urbano de Belém, com uma área de 5,4 hectares. Foi fundado em 1895, sendo o mais antigo do Brasil no seu gênero. O parque abriga exposições e uma significativa mostra da fauna e flora amazônicas. Recebe anualmente mais de 300 mil visitantes, e está aberto ao público de quarta-feira a domingo, das 9h às 17h. O ingresso custa R$3,00, oferece gratuidade para crianças até 10 anos e pessoas com mais de 60 anos.

O historiador Nelson Sanjad conta que o Parque Zoobotânico foi criado em 1895 pelo zoólogo suíço Emílio Goeldi para ser a sede do então Museu Paraense (que existia desde 1866), mas também como uma sala de aula, onde o público tem contato com o trabalho de investigação científica da instituição.

A atenção do público era conquistada, à época, com a visitação a animais, plantas e coleções científicas. Tudo isso em meio a um paisagismo de feições europeias, que incluía monumentos como a caixa d'água (ver galeria de imagens), modelada para parecer as ruínas de um antigo castelo. Os ideais de civilização e modernidade estavam em sintonia com o momento histórico, quando Belém vivia a Belle Époque Amazônica.

Até a década de 1930, o parque não ocupava inteiramente o quarteirão atual no centro de Belém. Por meio de desapropriações sucessivas, foi se expandindo na área que, naquela época, era a zona rural da cidade. O ponto de partida para essa expansão foi o prédio da “Rocinha”, hoje conhecido como o pavilhão de exposições Domingos Soares Ferreira Penna. A Rocinha do Museu Goeldi guarda os traços arquitetônicos clássicos das antigas casas de campo típicas das elites da época, sendo a única aberta à visitação pública.

Atualmente, o Zoobotânico abriga cerca de 500 espécies de plantas, entre ervas, cipó, arbustos e árvores de grande porte no parque, representadas por aproximadamente dois mil indivíduos arbóreos e arbustivos. A fauna está composta por cerca de 80 espécies de aves, mamíferos, quelônios e répteis. E o paisagismo de hoje procura apresentar as feições das áreas de florestas de terra firme e inundadas. Uma área plantada, que apresenta um caso bem sucedido de restauração florestal no centro da capital paraense, no Parque do Museu Goeldi o visitante pode acompanhar os fenômenos naturais de acordo com as estações do ano. No mês de agosto é possível ver a queda de folhagens, a floração de outras espécies botânicas, a postura de ovos das tartarugas da Amazônia, e, talvez, se tudo der certo na reprodução e gestação, conhecer os filhotes de ariranhas e gavião real.

Para garantir a integridade do Parque Zoobotânico, da fauna, flora e de seu patrimônio histórico, o Museu Goeldi conta com seu público. “A instituição, em breve, vai disponibilizar no Portal uma nova aba direcionada aos responsáveis que acompanham crianças ou adolescentes algumas ferramentas educativas, sugerindo modos de como vivenciar uma visita lúdica, educativa e respeitosa com bichos, plantas e patrimônio histórico presentes no Parque. Um passeio no Parque Zoobotânico, por exemplo, deve considerar que os animais estão fora de seu ambiente natural, e, antes de chegar ao Museu, já passaram por situações de sofrimento. Pedimos a compreensão que a manutenção da saúde de plantas e animais é também responsabilidade do visitante. Orientamos para não alimentar, nem estressar com gritos, palmas e cutucadas, ou machucar com arremessos de objetos e rabiscos em árvores. Olhe, aprecie a beleza, aprenda com a diversidade, encontre as raízes amazônicas. Esta é nossa riqueza”, explica Maria Emília Sales, coordenadora de Comunicação e Extensão do Museu Goeldi.

O Parque Zoobotânico permanece como referência turística na capital paraense - e também em educação ambiental e científica, elementos chave para um futuro positivo para a Amazônia.

Texto: Erika Morhy e Joice Santos

Galeria de Imagens: 

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