Museu Goeldi discute ameaças a línguas e culturas indígenas em conferência estadual

Estudiosos do Goeldi contribuem com as discussões que visam a definir as prioridades em Ciência, Tecnologia e Inovação para o Estado do Pará em evento que acontece nos dias 4 e 5 de fevereiro no Hangar

Agência Museu Goeldi* - O Brasil contém cerca de 150 línguas indígenas. Em torno de 25 desses idiomas são falados só no Estado do Pará. Esses dados foram concedidos pela lingüista Ana Vilacy Galúcio, da Coordenação de Ciências Humanas do Museu Paraense Emílio Goeldi, que abordará a ameaça que vem rondando essa diversidade lingüística, cuja maior concentração encontra-se na Amazônia, e as ações governamentais no sentido de documentar esses idiomas na 1ª Conferência Estadual de CT&I, que acontece na quinta e sexta-feira, dias 4 e 5 de fevereiro, respectivamente, no Hangar – Centro de Convenções e Feiras da Amazônia, em Belém (PA).

“No contexto do tema Ciência, Tecnologia e Inovação para o desenvolvimento social, a questão da perda lingüística vem chamando grande atenção nos anos recentes, com notícias das situações difíceis de muitas línguas indígenas e medidas para a sua preservação e revitalização”, afirma Ana Vilacy, responsável pela apresentação Construção e Manutenção da Cultura Científica: linguagens indígenas do Estado, a acontecer na sexta-feira, dia 5, às 14h.

“Essa situação é ainda mais preocupante porque justamente as línguas mais ameaçadas são as mais prováveis de serem desconhecidas cientificamente”, revela a lingüista, que coordena dois projetos de documentação de línguas indígenas em tecnologias mais avançadas no âmbito do Museu Goeldi, sendo eles Implementação do Centro de Documentação Permanente de Línguas e Culturas Indígenas da Amazônia e Construção de um Acervo Digital para Línguas Amazônicas.

Vilacy ressalta que, nesse contexto, a demanda para a documentação por parte dos grupos indígenas está aumentando rapidamente. “A questão que se coloca é quais ações podem ser realizadas a nível estadual, regional e nacional para responder a essa demanda, considerando a situação atual das línguas e culturas indígenas do Estado”, explica a pesquisadora.

Temas prioritários em CT&I - Realizado pelo Governo do Estado do Pará, por meio da Secretaria de Estado de Desenvolvimento, Ciência e Tecnologia (Sedect), em parceria com a Fundação de Amparo a Pesquisa do Estado do Pará (Fapespa) e Empresa de Processamento de Dados do Estado do Pará (Prodepa), o evento visa a definir as prioridades do Estado do Pará em relação à Ciência, Tecnologia e Inovação, relacionando o que foi produzido e o que se pretende produzir em C,T&I, para serem levadas a uma discussão mais ampla, a conferência regional, que acontecerá, também em Belém, nos dias 4 e 5 de março.

Ao final das discussões, será produzido um relatório que retrate a realidade de CT&I no contexto dos eixos temáticos prioritários, a fim de subsidiar as ações de articulação com os demais entes da federação, em nível regional e nacional. Além de Ana Vilacy, participam da Conferência, representando o Museu Paraense Emílio Goeldi, o diretor da instituição, Nilson Gabas Jr., e a pesquisadora Ima Vieira, da Coordenação de Pesquisa e Pós-Graduação.

Ações prioritárias de CT&I para manutenção e preservação da biodiversidade no Pará é o título da apresentação de Gabas Jr., que acontece às 9h da quinta-feira, dia 4, na mesa de abertura do evento. Ima Vieira aborda o tema a Agricultura e Conservação na Amazônia: cenários e desafios em mesa que acontece a partir das 9h da sexta-feira, dia 5.

* Com informações da Fundação de Amparo a Pesquisa do Estado do Pará (Fapespa)

Texto: Antonio Fausto

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