Museu discute anfíbios e répteis e apresenta novas espécies da Amazônia
Simpósio de Herpetologia na Amazônia e Exposição "Fauna Amazônica do Século XXI: Descobertas da Primeira Década" são contribuições do Goeldi para o 28º Congresso Brasileiro de Zoologia
Agência Museu Goeldi - Traçar um panorama da fauna de répteis e anfíbios da Amazônia e mostrar as pesquisas que vêm sendo desenvolvidas sobre esses animais no âmbito do Museu Paraense Emílio Goeldi (MPEG) e da Universidade Federal do Pará (UFPA): esse é o objetivo do Simpósio de Herpetologia na Amazônia, que acontece na tarde da quarta-feira, dia 10 de fevereiro, no Hangar – Centro de Convenções e Feiras da Amazônia, em Belém (PA). Coordenado por Ana Prudente, pesquisadora do Museu Goeldi e especialista em répteis e anfíbios, o Simpósio integra a programação do 28º Congresso Brasileiro de Zoologia, que o Hangar abriga entre os dias 7 e 11 deste mês.
Promovido pela Sociedade Brasileira de Zoologia (SBZ), em parceria com a UFPA e o MPEG, o Congresso ofertará palestras, simpósios e minicursos que proporcionarão discussões acerca de “Biodiversidade e Sustentabilidade”, tema norteador do evento. A programação enfatiza os diversos grupos biológicos que compõem não só a fauna amazônica, mas também a fauna brasileira, e é nesse contexto que se encaixa o Simpósio de Herpetologia na Amazônia. Proveniente das palavras gregas herpeton, que significa “animais rastejantes”, e logos, que quer dizer “ciência”, o termo herpetologia é que abarca o ramo da biologia responsável pelo estudo acerca desses animais.
História da herpetologia na Amazônia, lagartos e serpentes que vivem no norte do país e os impactos ambientais que assolam os répteis e anfíbios da região são os temas a serem abordados no evento pelos estudiosos Marinus Hoogmoed, do Museu Goeldi; Teresa Cristina Ávila-Pires, do MPEG; Ana Prudente, do MPEG; Maria Cristina Santos Costa, da UFPA; e Ulisses Galatti, do MPEG. O Simpósio conta, ainda, com apresentações orais de doutorando e recém-doutores expondo os resultados de suas pesquisas acerca da fauna herpetológica da Amazônia.
Pesquisa e Impactos ambientais - Pesquisadores que constam da programação do Simpósio, Hoogmoed, Prudente e Ávila-Pires apontam o desmatamento; pecuária; agricultura; represas; mineração; garimpo, por meio da poluição de igarapés; e a abertura de estradas como os causadores dos maiores impactos à fauna herpetológica da Amazônia. “São tão mais danosas quanto maior é o grau de alteração no ambiente”, afirmam, em coro.
A preocupação em relação aos impactos causados à fauna torna-se ainda maior se consideradas as espécies de répteis e anfíbios que habitam a Amazônia mas que ainda são desconhecidas da ciência. “Já sabemos que existem algumas espécies novas a serem descritas de lagartos e serpentes e de muitas dezenas de espécies de anfíbios”, afirmam os herpetólogos do Goeldi.
A ênfase dada aos lagartos e serpentes da Amazônia na programação do Simpósio deve-se às pesquisas realizadas no Museu, cujo foco é maior nesses animais, que constituem o grupo denominado de squamata. ”A coleção herpetológica do MPEG está entre as maiores do Brasil com material da Amazônia e oferece boas oportunidades de estudos taxonômicos, morfológicos e ecológicos”, sugerem os estudiosos.
A programação do Simpósio de Herpetologia na Amazônia pode ser conferida no link http://www.cbzool2010.com.br/programacao/arquivo/ST23-HERPETOLOGIA_AMAZONICA.pdf
Novas espécies da fauna amazônica - Outra atividade promovida pelo Museu Goeldi durante o 28º Congresso Brasileiro de Zoologia é a Exposição "Fauna Amazônica do Século XXI: Descobertas da Primeira Década". Promovida pela Coordenação de Museologia, a exposição disponibiliza aos participantes do evento cerca de 90 novas espécies da fauna amazônica, dos invertebrados aos mamíferos, em fotos, vídeos e peças das coleções do MPEG, com as indicações de onde e por quem foram descritas.
Segundo Horácio Higuchi, um dos organizadores da exposição, “até pouco tempo, nós conhecíamos a Amazônia próxima aos rios e estradas, mas agora, nós estamos entrando na mata mesmo e conhecendo a fundo a região. E isso nos traz, cada vez mais, novas descobertas”. Daí tantas espécies recentemente descritas, catalogadas e, agora, expostas.
As descobertas apresentadas são de espécies amazônicas registradas por pesquisadores de diversas instituições da região, como a Universidade Federal do Pará, o Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia e o próprio Goeldi.
“Assim, poderemos mostrar o potencial imenso da região e como nós trabalhamos com ele no que diz respeito à pesquisa cientifica. Por isso, a exposição mostrará o que a Amazônia tem e o que a Amazônia faz”, finaliza Higuchi.
Texto: Antonio Fausto e Vanessa Brasil
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