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Livro apresenta as riquezas naturais da Reserva Biológica de Gurupi no Maranhão
Pesquisadores traçam um histórico de degradação da região e explicam
a importância de preservar a sua biodiversidade
Agência Museu Goeldi - A Reserva Biológica do Gurupi, conhecida como Rebio Gurupi, única unidade de preservação permanente de âmbito federal existente no Maranhão, será assunto de um livro a ser lançado no primeiro semestre de 2010. Os estudos reunidos na publicação revelam a riqueza biológica de uma das unidades de conservação mais ameaçadas do Brasil.
A publicação é um dos resultados da atuação do Programa de Pesquisa em Biodiversidade – PPBio Amazônia Oriental, e será publicado em parceria com o Museu Paraense Emílio Goeldi, o Ministério do Meio Ambiente, IBAMA, o Instituto Chico Mendes e as Universidades Federal e Estadual do Maranhão.
O Programa de Pesquisa em Biodiversidade (PPBio), criado em 2004 pelo Ministério da Ciência e Tecnologia com o propósito de fortalecer ações de pesquisas para o desenvolvimento sustentável nos biomas nacionais, iniciou sua implantação nas regiões da Amazônia e do Semi-Árido. O programa está apoiado em três componentes: Coleções, Inventários e Projetos Temáticos e sua gestão adota um modelo descentralizado composto por Núcleos Executores (NE’s) e Núcleos Regionais (NR’s) .
Na Amazônia os núcleos executores são o Museu Paraense Emílio Goeldi (MPEG), sediado em Belém e que coordena as ações do PPBio na Amazônia Oriental, e o Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA), sediado em Manaus, que coordena as ações do PPBio na Amazônia Ocidental.
O Núcleo Regional do Maranhão/PPBio Amazônia Oriental iniciou sua atuação em 2005 e atualmente é coordenado pela Dra Francisca Muniz (Universidade Estadual do Maranhão – UEMA). Pesquisadores da UEMA e da Universidade Federal do Maranhão (UFMA) ao planejar a atuação do PPBio no estado identificaram nessa ocasião o grande desafio deste Núcleo Regional: desenvolver ações de pesquisa e formação de pessoal na região mais degradada e ameaçada da Amazônia brasileira, além de colaborar para a maior integração da comunidade científica maranhense com os demais membros da comunidade científica amazônica.
A Amazônia maranhense é marcada pelo uso da terra com exploração madeireira e expansão da fronteira agrícola há mais de 50 anos, atualmente sua vegetação original está reduzida a menos de 30%. A identificação de grandes vazios no conhecimento da biodiversidade da região contrapõem-se aos achados biológicos existentes que apontam a Amazônia maranhense como uma das porções mais expressivas em termos de riqueza de espécies e casos de endemismos (espécies que só ocorrem nessa área).
No Estado do Maranhão localiza-se mais da metade do Centro de Endemismo Belém, que abriga espécies como, por exemplo, a ave ararajuba e o primata cairara-Ka’apor, ambos ameaçados de extinção. A baixada maranhense com suas reentrâncias e zonas de contato entre águas marinhas e fluviais criam ambientes de alta produtividade, riquíssimos em espécies e endemismos de organismos aquáticos, além de produzirem uma base importante de sustentação das populações humanas locais.
A pesquisadora do Museu Goeldi e Coordenadora de Inventários do PPBio Amazônia Oriental, Marlucia Martins, ressalta que, dentro desse contexto, o livro foi produzido com o objetivo de definir e caracterizar a Amazônia maranhense e explicar as razões históricas do seu estado de deterioração, além de demonstrar sua importância para a conservação da biodiversidade amazônica e brasileira, indicando também diretrizes de ação para a pesquisa e conservação da região.
Texto: Shamara Fragoso – Comunicação PPBio Amazônia Oriental
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