Ciência e Estética: um diálogo possível

Mostra final do Arte Pará 2009 reúne obras do acervo do Goeldi e de artistas convidados

Agência Museu Goeldi – O maior salão de arte da região Norte, Arte Pará, juntamente com o Museu Paraense Emílio Goeldi (MPEG), apresenta a exposição 'Ciência e Estética - Um diálogo é possível'. A exposição, composta de objetos de arte e de peças das coleções científicas do MPEG, tem como objetivo mostrar a relação existente entre ciência e estética por meio das peças expostas.

É essa a intenção dos curadores da exposição, Orlando Maneschy e Mariza Morkazel. “Constituímos a amostra no sentido de criar um diálogo entre ontem e hoje e entre essas relações que a estética perpassa tanto numa cultura indígena, quanto numa cultura do “homem civilizado””, lembra Orlando.

A exposição apresenta obras como a 'Violon D’Ingres', uma pintura a óleo sobre madeira, onde o artista Vicente Monteiro mostra o gosto pelas cerâmicas marajoaras e das regiões do Baixo Amazonas, além das cerâmicas do acervo do Museu A tela é apresentada juntamente com uma urna do acervo arqueológico do Museu Goeldi.

Já a artista paulista Julia Amaral mostra os insetos em metal, obras como “Louvadeus” e “Gafanhoto”, fundidos em bronze; “Besouro”, em prata e bronze; e “Marimbondos”, em prata, bronze e cobre.

O artista paraense Marinaldo Santos, por sua vez, expõe sua obra intitulada “Varas”, premiada na 21ª edição do Arte Pará, em 2002. Além dessas, o artista também apresenta “Cabaçu”, “Guarani”, “Jaguarybe”, “Da Mata”, “Caiapó”, entre outras.

Impressões - O coordenador de Comunicação e Extensão do Museu Goeldi, Nelson Sanjad, considera que a exposição tende a provocar no visitante a buscar relação entre ciência e arte, pois os objetos expostos mostram diferentes culturas, com diferentes perspectivas, mas ricas e provocantes. Sanjad explica que “a mostra convida o público a interpretar os objetos expostos, não apenas com base na ciência, mas também na sensibilidade artística. Queremos que o público se surpreenda, se emocione, vendo, por exemplo, a arte plumária ou as peças arqueológicas”.

Este é o terceiro ano consecutivo em que o Museu Goeldi participa como espaço expositivo do Arte Pará. Em 2008, 12 obras, de renomados artistas, foram instaladas ao ar livre, no Parque Zoobotânico. Já em 2007, o prédio da Rocinha abrigou a exposição “Arte em Miriti: Rios, Entalhes e Cores”, que exibiu peças em miriti feitas especialmente para a mostra por artesãos de Abaetetuba. Sobre a parceria com as organizações Rômulo Maiorana, Sanjad lembra que “a iniciativa de ampliar o Arte Pará para todos os Museu da cidade de Belém é uma iniciativa louvável, pois ao organizar o evento e estendê-lo para todos os Museus da cidade, chama-se a atenção da sociedade para esses espaços museológicos, para o patrimônio que existe nesses lugares e para as ideias que circulam nessas Instituições”.

Nesse sentido, Orlando Maneschy lembra que quando se reuniu para idealizar a amostra para o Museu Goeldi, “começamos a pensar nos acervos que conhecíamos da Instituição e na importância que eles detêm, não apenas enquanto carga de informação e material de pesquisa, mas enquanto valor estético da nossa cultura”.

Já o diretor do Museu Goeldi, Nilson Gabas Jr., considera oportuna uma associação entre os Museus de Belém e uma fundação originária de um sistema de comunicação, onde existe a oportunidade de chamar a atenção da sociedade para o Patrimônio conservado nesses espaços.

Serviço: A exposição fica no prédio da Rocinha, no Parque Zoobotânico do Museu Paraense Emílio Goeldi (MPEG) e pode ser visitada até o dia 30 de janeiro de 2010, nos horários de 9h às 17h durante a semana e, nos fins de semana, das 9h às 15h. A entrada é franca.

Texto: Lucila Vilar e Vanessa Brasil.


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