Conhecimento produzido por pesquisadores mirins
Cartilhas produzidas por participantes do Clube do Pesquisador Mirim revelam olhares particulares de jovens cientistas
Agência Museu Goeldi - Criado em 1988, com o nome de Clube de Ciências e Cultura, o projeto passou a se chamar Clube do Pesquisador Mirim (CPM) em 1997. Idealizado pelo biólogo Luiz Videira, coordenador do Projeto e chefe do Serviço de Educação e Extensão Cultural (SEC) do Museu Paraense Emílio Goeldi (MPEG) esse projeto já teve mais de 2000 participantes.
O objetivo principal do Clube é estimular, em alunos do ensino fundamental e médio de escolas particulares e públicas, o interesse pela Ciência, tendo como base as pesquisas realizadas no Museu Goeldi.
Luiz Videira conta que “sempre quis ser pesquisador. Desde pequeno brincava de ser arqueólogo, mas pensava que este tipo de atividade só existia no Egito, pois me baseava nos documentários e filmes que via na TV. Então eu me desesperava, sem saber que profissão eu iria ter.” Videira acrescenta, “hoje não sou pesquisador, mas me encontrei como educador, onde parte de meu trabalho junto com a equipe do Serviço de Educação é utilizar a produção científica do Museu, por meio de diversas estratégias pedagógicas para oportunizar aos participantes do Clube os primeiros contatos com metodologias científicas e até ajudá-los na escolha de sua profissão”.
Todo ano as crianças que participam do Clube devem apresentar um produto como resultado das discussões presenciais, das pesquisas de campo, das leituras feitas e da proposta do grupo.
Os produtos que mais se destacam são as cartilhas, com os conteúdos apurados, e os kits e jogos educativos. Todos ficam expostos na Biblioteca Clara Galvão, no Parque Zoobotânico, para serem utilizados como recursos de pesquisa escolar e em outras programações do Serviço de Educação do MPEG.
Cartilhas e inclusão – São produtos desenvolvidos pelos pesquisadores mirins com a ajuda dos instrutores do Clube que têm como característica principal abordagens didáticas de assuntos que, a princípio, parecem “acadêmicos demais”.
Dependendo da vontade de cada grupo as cartilhas podem trazer curiosidades do Museu Goeldi, aspectos histórico-sociais de alguma população na Amazônia, carreiras científicas (como a paleontologia), inclusão social, animais da região, meio ambiente. A cada ano, os organizadores do Clube lançam entre sete a oito grupos temáticos, cada qual com 20 vagas e as crianças escolhem o tema que têm maior afinidade.
Em 2009, o Clube desenvolveu trabalhos com os temas O Clube na WEB; Água Nossa de Cada Dia; Peixes da Amazônia, Sapos, Rãs e Pererecas: conhecendo os anfíbios; Defendendo o Meio Ambiente; Fauna e Flora em Sinais.
Numa proposta de atender públicos especiais, o Clube do Pesquisador Mirim incluiu, em 2007, crianças surdas entre os seus participantes. No final deste ano e com a utilização da Língua Brasileira de Sinais (Libras), os alunos produziram a cartilha “Fauna em Sinais”. Em 2008, a turma inclusiva produziu a cartilha “Répteis da Amazônia”; e em 2009 a turma vem trabalhando o tema “Fauna, Flora e Sinais”.
Em três anos de turmas inclusivas, foram criados vários sinais que ainda não existiam. As crianças começaram a observar o comportamento de alguns animais no Parque Zoobotânico e criaram sinais para a iguana, a ariranha, o guará, a cutia e a marreca cabocla.
Na Libras, os Sinais são pensados a partir de uma característica marcante, no caso da cutia o sinal foi baseado na maneira como se alimenta. Para a iguana, o sinal priorizou a sua crista, já a característica mais marcante da ariranha foi a sua nadadeira. O guará teve escolhido como característica a sua cor e a marreca branca teve como sinal a mancha branca visível ao redor dos seus olhos.
Conheça um pouco das Cartilhas do Clube
Com temas diversificados, os conteúdos de cada cartilha variam e podem abordar fauna, flora, grupos sociais, tecnologias, entre outros. Em 2008, os temas foram: Memória Afro-amazônica; Cores da Terra; Animais Pré-Históricos da Amazônia; Museu Goeldi: arte e memória; Raízes da Terra; Crias do PZB e Répteis da Amazônia, cada um com 20 alunos.
O grupo “Crias do Parque Zoobotânico do Museu Goeldi”, de 2008, por exemplo, aborda os habitantes do Parque de forma descontraída, destacando características particulares e temas como a reprodução e doação de animais.
Já a equipe que desenvolveu a revista “Cores da nossa Terra” trabalhou a questão da preservação ambiental, onde conceitos e definições sobre cores primárias, secundárias e terciárias foram abordados. A revista classifica os solos e discute a importância e a necessidade de preservá-los.
Aspectos de caráter histórico-sociais foram tratados pelo grupo “Memória Afro-Amazônica: Cadê a contribuição Negra que está aqui?”. A cartilha produzida traz uma retrospectiva histórica da chegada dos negros africanos ao Brasil e destaca a localização de quilombos no Estado do Pará. A produção traz ainda aspectos religiosos, gastronômicos e lingüísticos da cultura africana que fazem parte do cotidiano brasileiro.
O grupo “Animais Pré-históricos da Amazônia” produziu o Jornal Paleontologia em Notícias. Esse jornal responde perguntas básicas, como: o que é paleontologia? O que são Fósseis? Que animais pré-históricos habitavam na Amazônia? Além de trazer entrevista com uma paleontóloga do Museu Goeldi.
A cartilha “Reptilia: No mundo dos répteis” produzida pelo grupo Répteis da Amazônia traz informações sobre o significado do termo Reptilia, a profissão de herpetólogo e mostra quais os répteis que habitam no Museu Goeldi.
No início de 2010, as turmas de 2009, finalizam e apresentam os produtos finais de cada grupo para apresentação ao público.
O Clube funciona no Serviço de Educação, no Parque Zoobotânico do Museu Paraense Emílio Goeldi, localizado na Av. Magalhães Barata, 376, São Braz, 66040-170 - Belém - PA - Brasil. Os telefones para contato são: (91) 32490760 ou (91) 32193324.
Texto: Lucila Vilar.
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