Trânsito e estresse dos animais do Parque Zoobotânico do Goeldi

Pesquisa acústica revela dados que inferem na perturbação do conforto ambiental na área

Avaliar as conseqüências do ruído produzido no entorno do Parque Zoobotânico para os visitantes, funcionários e animais da coleção viva do Museu Paraense Emílio Goeldi (MPEG), em Belém (PA), é o objetivo da pesquisa realizada pelo arquiteto e museólogo do MPEG, Antonio Carlos Lobo Soares.

Ruídos externos como os motores e as buzinas de carros, música emitida de fontes sonoras diversas são alguns dos alvos do estudo intitulado “Mapa Acústico do Parque Zoobotânico do Museu Goeldi”, que iniciou no mês de maio deste ano e será estendido até setembro. Também o ruído produzido pela visitação pública, obras e serviços no interior do PZB estão sendo examinados.

O estudo é desenvolvido no âmbito da disciplina Conforto Ambiental, do Curso de Mestrado em Desenvolvimento e Meio Ambiente Urbano, da Universidade da Amazônia (Unama), realizado com o apoio da Fundação Instituto para o Desenvolvimento da Amazônia, por meio da concessão de bolsa.

Sob a orientação da Doutora em Arquitetura, com estudos em Acústica Arquitetônica, Elcione Moraes, o arquiteto pesquisa também a influência da verticalização da cidade de Belém, no Parque Zoobotânico. Lobo Soares espera que a análise dos dados coletados contribua para o projeto de revitalização do Parque Zoobotânico, apropriada pelo projeto de paisagismo em desenvolvimento.

Segundo o arquiteto, que utilizou o aparelho sonômetro para medir o som nas proximidades do PZB, levando em consideração a temperatura, a umidade do ar e a velocidade do vento, o ruído externo chega a medir 80 decibéis (db), quando o nível recomendado para áreas residenciais fica em torno de 55 db, durante o dia, e, 50 db, à noite. “A conseqüência para os animais é o estresse, pois eles têm uma audição mais sensível que os humanos”, informa o pesquisador. O arquiteto faz uma comparação com o som das boates, que fica acima de 90 db. “São necessárias mais de 14 horas para que a audição de uma pessoa que freqüenta lugares como esse, retorne ao normal”.

Para diminuir o estresse - De acordo com o pesquisador, uma forma peculiar de conter o estresse dos animais é mantê-los em áreas mais recolhidas do contato com o público e perto de vegetação mais densa. “Por isso, o recinto dos animais é cercado de árvores, além de estar um pouco mais distante do público visitante”, explica o arquiteto. No entanto, as árvores têm uma capacidade limitada para auxiliar na diminuição dos ruídos. “É importante criar áreas de escape para os animais, mas as pesquisas comprovam que as árvores conseguem diminuir o ruído em somente 3 db,” informa Lobo Soares.

A pesquisa contou com medições realizadas em 24 pontos do PZB e nas Avenidas Magalhães Barata, Gentil, Alcindo Cacela e Travessa Nove de Janeiro. A coleta de dados foi feita sempre entre às 6h e 21h. Na tarefa de medição, Lobo Soares contou com o trabalho voluntário de 15 pessoas, entre técnicos do Museu e estudantes da Unama. Entre as variáveis observadas na pesquisa está a quantidade de veículos que trafegam nas vias do quadrilátero que cerca o Parque do Goeldi. De carros de passeio a motocicletas e veículos pesados, como ônibus e caminhões, todos contribuem para o aumento do nível de decibéis na área. Lobo Soares ressalta: “A maior invasão de ruídos ocorre na Magalhães Barata, não só por ser uma avenida bastante movimentada, mas porque a grade de proteção do PZB permite que o som invada, com mais intensidade, a área ambiental. A Nove de Janeiro é a rua onde a produção de ruído é menor, em conseqüência da proibição do tráfego de veículos acima de 3,5 toneladas”.

A pesquisa do Mapa Acústico do Parque Zoobotânico do Museu Goeldi será concluída em setembro deste ano, quando Lobo Soares apresentará as conclusões finais. O estudo integra o trabalho de mestrado do museólogo e arquiteto: “Impactos da Urbanização sobre Parques Públicos: o caso do Parque Zoobotânico (Belém – PA)”, orientado pela socióloga doutora Eleanor Gomes da Silva Palhano.

Lobo Soares apresentou, no início de junho, os resultados de outro trabalho de pesquisa intitulado “As ameaças do crescimento urbano de Belém à conservação do Parque Zoobotânico do Museu Paraense Emílio Goeldi”. Foi durante congresso de arquitetura, denominado Arquimemória 3, que aconteceu em Salvador. O estudo aborda questões relativas à preservação do patrimônio edificado e foi orientado pelo arquiteto, Doutor Marco Aurélio Arbage Lobo, que ministra a disciplina de Mestrado “Urbanização, Sociedade e Meio Ambiente”.

Texto: Dandara Assunção, Agência Museu Goeldi.

Fotos: Antonio Carlos Lobo Soares

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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