
Congresso discutirá, em Belém, a conservação da fauna brasileira
A biodiversidade e a sustentabilidade da fauna brasileira serão discutidas em
evento que reunirá especialistas nacionais e estrangeiros em fevereiro
Agência Museu Goeldi – As principais pesquisas sobre a fauna brasileira e as perspectivas da Ciência para garantir biodiversidade e a sua sustentabilidade serão apresentadas e discutidas em evento nacional promovido pela Sociedade Brasileira de Zoologia, em parceria com a Universidade Federal do Pará e o Museu Paraense Emílio Goeldi. O 28° Congresso Brasileiro de Zoologia acontecerá de 7 a 11 de fevereiro em Belém (PA), no Hangar – Centro de Convenções e Feiras da Amazônia. Serão quase três mil participantes em um Congresso com extensa e diversificada programação para debater os principais avanços e desafios dessa Ciência no país.
De espécies conhecidas a estudos sobre a interação gente e animais; de uma fauna quase desconhecida do grande público até o mais saboroso camarão, recurso pesqueiro estudado pela Carcinologia, passando por temas como a entomologia forense – que trata da importância dos insetos nas investigações criminais – e as bioinvasões – pragas que ameaçam ecossistemas e sociedades contemporâneas por igual, o Congresso promete uma seleção de temas de interesse científico e do cidadão comum. Ótima oportunidade para se conhecer ainda mais sobre a fauna brasileira, ameaçada, muitas vezes maltratada, mas sempre muito apreciada quando se trata de recursos naturais.
Programação - De acordo com a Comissão Organizadora do evento, o tema escolhido “reflete as atuais preocupações da comunidade científica em relação ao futuro da biodiversidade, por isso devemos inserir fauna, flora e sociedade no contexto de conservação”. Nesse sentido, o congresso pretende “promover amplo debate sobre os desafios em conciliar desenvolvimento econômico e social com a conservação da fauna, sob os diversos aspectos que envolvem a ciência denominada Zoologia”.
A programação contará com a realização de 27 simpósios temáticos e outros dez promovidos por sociedades científicas. Haverá ainda dez palestras magnas, minicursos, apresentação de painéis, lançamento de livros, concurso de fotografia sobre fauna silvestre e feira com stands de livrarias especializadas, instituições e empresas apoiadoras. “Até o momento, temos mais de 2.700 pré-inscritos e 1.700 trabalhos aprovados para apresentação em formato de painéis”, afirma o presidente do Congresso, Luciano Montag, da UFPA.
Simpósios – Os simpósios temáticos e de sociedades científicas acontecerão de 9 a 11 de fevereiro, sempre à tarde. Dentre os vários eventos que serão promovidos pelas sociedades científicas destaca-se o 1º Simpósio Brasileiro de Etnozoologia, que discutirá diferentes abordagens e tendências nos estudos sobre as interações entre seres humanos e animais, além de debater pesquisas etnozoológicas que tratam da biodiversidade animal brasileira. A zoologia Caiapó, a importância da cultura nas relações entre seres humanos e animais na Amazônia e a etnozoologia em áreas de manguezais são assuntos que nortearão os debates entre os dias 9 e 11.
Outros eventos serão promovidos pelas sociedades científicas. Nos dias 9, 10 e 11 serão realizados os simpósios “Diversidade e Biogeografia da Ictiofauna da Ecorregião Aquática Xingu-Tapajós”, da Sociedade Brasileira de Ictiologia; “Os recentes avanços e as perspectivas da Filogeografia de aves netropicais” (originalmente: “Recent Advances and Perspectives in Neotropical Avian Phylogeography”), da Sociedade Brasileira de Ornitologia; “Biodiversidade Planctônica e Amazônia: uma imensidão a ser explorada”, da Sociedade Brasileira de Plâncton; e o Simpósio da Sociedade Brasileira para o Estudo de Quirópteros.
Também serão realizados no dia 9, o 5º Simpósio Brasileiro de Entomologia e o evento “Sustentabilidade e Diversidade de Crustáceos”, da Sociedade Brasileira de Carcinologia. Nos dias 10 e 11, também acontece o simpósio “Biodiversidade Brasileira de Moluscos: estado atual do conhecimento e perspectivas”, da Sociedade Brasileira de Malacologia.
Durante o evento, os congressistas terão ainda a oportunidade de debater sobre a atual situação das coleções científicas no Brasil, nos dias 9, 10 e 11; a integração de inventários e de programas de Biodiversidade, como o programa “Planetary Biodiversity Inventories (PBI), nos dias 9 e10; o estado da arte de programas brasileiros de pós-graduação em Zoologia, no dia 11; os novos desafios da Zoologia brasileira e da ciência da informação em Biodiversidade, no dia 9; a mineração como parceira na preservação da biodiversidade em áreas tropicais, no dia 11; além de temas como entomologia forense, nos dias 10 e 11; radiotelemetria e bioinvasões, ambos nos dias 9, 10 e 11; entre outros.
No Congresso serão realizados vários eventos que discutirão estratégias e metodologias científicas voltadas para a conservação da fauna brasileira, como os simpósios temáticos “Produção e Conservação Ex-Situ de animais silvestres”, no dia 9; “Genética da Conservação”, nos dias 9, 10 e 11; “Ajustes fisiológicos em ambientes extremos: o que podemos aprender com a fauna brasileira”, no dia 10; “Fauna brasileira: em busca da sustentabilidade possível”, no dia 10; entre outros. A investigação científica sobre a diversidade de grupos biológicos como Coleóptera (besouros), Turbelários (vermes), Aracnídeos, Díptera (moscas, mosquitos), Arthropoda (animais invertebrados como formigas, crustáceos, etc) entre outros, também será discutida em eventos específicos durante o Congresso.
Palestras e Minicursos – Destinados aos inscritos no evento, os minicursos serão realizados nos dias 7 e 8 de fevereiro. São 24 minicursos, que tratam de diversos temas, como entomologia forense, insetos sociais, citogenética, herpetologia, introdução à ornitologia, ilustração científica, fotografia aplicada à Zoologia e conservação da biodiversidade, entre outros.
Já as palestras serão realizadas de 9 a 11 de fevereiro, pela manhã, com tradução simultânea para o português. No dia 9, serão apresentados os temas “A conservação da biodiversidade: de espécies até ecossistemas”, pelo especialista Claude Gascon, da Conservation International; e “Controle “bottom-up” vs “top-down” da biomassa de vertebrados em florestas neotropicais”, pelo pesquisador Carlos Peres, da University of East Anglia.
No dia 10, serão quatro apresentações: “Diversification of the Amazonian biota: reconstructing a complex history”, com Joel Cracraft, do American Museum of Natural History; “The oonopid spider Planetary Biodiversity Inventory: transforming how systematists work”, com Norman Platnick, também do American Museum; “A interface entre ciência e conservação: um quebra-cabeça desconcertante”, com Liza Veiga, Museu Goeldi; e “Honey bee ecology revisited: the long-term community behavior of populations”, com o Dr. David Roubik, do Smithsonian Tropical Research Institute.
No dia 11, será a vez dos pesquisadores Mario Cesar Cardoso de Pinna e Nelson Papavero, do Museu de Zoologia da USP, ministrarem as palestras “Teorias Evolutivas em Reconstrução Filogenética” e “Dicionário histórico dos nomes populares dos animais do Brasil - 500 anos de nomenclatura zoológica popular”, respectivamente. Em seguida, o pesquisador Walter Antonio Pereira Boeger, da Universidade Federal do Paraná, apresenta “Evoluindo em Gaia: a vaca, as associações e a diversificação da vida”.
Serviço - 28° Congresso Brasileiro de Zoologia. De 7 a 11 de fevereiro em Belém (PA), no Hangar – Centro de Convenções e Feiras da Amazônia. As inscrições pela internet podem ser feitas até o dia 31 de janeiro. Mais informações no site http://www.cbzool2010.com.br/ , pelo telefone (91) 3223 8575 ou pelo e-mail contato@cbzool2010.com.br
Texto: Maria Lúcia Morais
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