Ver além dos olhos
Exposição Kayapó abre suas portas para grupo de deficientes visuais. O resultado da atividade pode nortear futuras adaptações nas exposições do Museu Goeldi
Agência Museu Goeldi - Na última segunda, 18 de maio, uma ação inédita foi realizada no Museu Paraense Emílio Goeldi (MPEG). A exposição Kayapó - Mebêngôkre nhõ pyka, nossa terra Mebêngôkre, foi adaptada para receber um grupo de estudantes da Unidade Educacional Especializada José Álvares de Azevedo, que se dedica ao ensino de deficientes visuais. “Infelizmente, nossa sociedade é pobre nesse tipo de iniciativa. È necessário permitir o acesso a esse tipo de conhecimento, a essa vivência”, explicou Priscila Amorim, pedagoga da Unidade.
Para receber o grupo, o material da exposição, como o logotipo e os textos dos painéis, foi disponibilizado em braile. Além disso, os monitores guiaram os visitantes, explicando o significado dos objetos e permitindo que pudessem tocá-los. Quando se tratava das pinturas corporais, os pesquisadores passavam sobre a pele dos alunos uma espécie de “pincel” utilizado pelos Kayapó, reproduzindo os principais elementos da pintura indígena.
Para muitos, era a primeira vez que entravam em contato direto com os saberes indígenas e, em diversos casos, a primeira vez que iam a um Museu, refletindo a falta de estrutura dessas instituições para receber os deficientes. “Esse tipo de atividade é interessante para o desenvolvimento das crianças, tendo influência direta no desenvolvimento cognitivo”, justificou Lourival Nascimento, Diretor da Unidade que, aliás, foi parceiro fundamental do Museu para conceber as adaptações necessárias.
Ao todo, duas visitas foram realizadas na segunda, uma às 9 horas e outra às 14h. A priori, essa foi uma atividade fechada pois funciona como um projeto piloto da Coordenação de Museologia do Museu. Agora, os resultados serão estudados para que outras atividades como essas aconteçam e, futuramente, adaptações permanentes sejam efetuadas, de modo que o Museu fique apto a receber qualquer tipo de público.
Peixe-boi - Antes de visitar a Exposição Kayapó, o grupo da Álvares de Azevedo pode conferir a réplica do peixe-boi pré-histórico, que ainda se encontrava no Espaço Raízes do Parque Zoobotânico. Horácio Higuchi, da Museologia do MPEG, forneceu informações orais sobre o animal e ainda permitiu o toque no esqueleto do peixe-mulher Maíra.
Assista ao vídeo da ação:
Texto: Diego Santos
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