Obra sobre petróglifos amazônicos ganha edição brasileira

Pesquisas realizadas pelo alemão Theodor Koch--Grünberg na Amazônia entre 1903 e 1913 foram traduzidas para o português em obra publicada pelo Museu Goeldi e o Instituto Socioambiental


Agência Museu Goeldi - “A importância da obra de Koch-Grünberg para a Amazônia é inegável, porém sua divulgação era restrita, já que suas obras não haviam sido traduzidas para o português” afirma a pesquisadora do Museu Goeldi, arqueóloga Edithe Pereira, na apresentação do livro. A publicação traz reproduções de gravuras e pinturas rupestres no Brasil e outros países da América do Sul, além de diversas interpretações sobre as mesmas.

O livro “Petróglifos Sul-Americanos” foi publicado, originalmente, em 1907, e a tradução direta do alemão é de autoria por João Batista Poça da Silva a partir de exemplar ofertado pelo próprio Koch-Grünberg ao Museu Goeldi. A obra é considerada uma importante fonte de documentação sobre as gravuras rupestres do Alto Rio Negro, segundo a pesquisadora do Goeldi. “É uma obra indispensável para aqueles que desejam conhecer ou começar a estudar a arte rupestre dessa região”, conta Edithe, que também é a organizadora da obra.

Parceria entre o Museu Paraense Emílio Goeldi (MPEG) e o Instituto Socioambiental (ISA), com o apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Pará (Fapespa) e do Instituo Arapyaú, oferece, pela primeira vez, a obra de Theodor Koch-Grünberg, ao público brasileiro.

Autor e obra – Nascido na cidade de Grünberg, na Alemanha, Theodor Koch-Grünberg fez sua primeira viagem ao Brasil em 1899 como responsável pela documentação linguística durante a segunda viagem ao rio Xingu do etnólogo alemão Hermman Meyer. Em 1924, ele volta à Amazônia, integrando a equipe de Alexander Hamilton Rice em uma expedição que objetivava encontrar as nascentes do rio Orinoco. Em outubro de 1924 falece, na localidade de Vista Alegre, em Roraima, vítima de malária.

A maior parte da obra de Koch-Grünberg está voltada para a etnologia indígena da Amazônia, porém, o livro “Petróglifos Sul-Americanos” é sua única obra dedicada integralmente à arqueologia da região. “O fato de nos dias de hoje a interpretação que ele deu para os petróglifos não ter mais adeptos no meio acadêmico, não diminui a importância do seu trabalho. Pelo contrário, sua obra faz parte de um momento da história da arqueologia brasileira e que agora passa a ser de conhecimento do grande público que poderá conferir a dimensão da contribuição deixada por Koch-Grünberg para a Arqueologia da Amazônia”, explica Edithe.

As informações sobre os petróglifos foram reproduzidas em diversas obras de síntese sobre a arqueologia brasileira, desde aquelas produzidas na primeira metade do século XX até outras mais recentes. Além disso, estudos antropológicos e arqueológicos realizados nos últimos anos na bacia do rio Negro não deixam de mencionar os petróglifos registrados por Koch-Grünberg.

A publicação é dividida em três partes. Na primeira, Koch-Grünberg apresenta uma série de informações sobre gravuras e pinturas rupestres no Brasil e outros países da América do Sul, bem como as diversas interpretações que foram dadas a elas. A segunda parte traz a relação dos petróglifos localizados por Koch-Grünberg ou sobre os quais obteve informação segura da sua existência no Alto Rio Negro e afluentes. Já na terceira parte, o autor apresenta a sua teoria para a origem dos petróglifos. “Ele acreditava que os indígenas gravavam nas rochas durante seus momentos de ócio e que não atribuíam nenhum significado mais profundo a esses desenhos”, conta a Edithe Pereira, organizadora da edição em português da obra de Koch-Grünberg.

Serviço: O livro “Petróglifos Sul-Americanos” será lançado no estande do Museu Goeldi na XIV Feira do livro de Belém, no dia 4 de setembro, às 17h.

Petróglifos

Inscrições gravadas pelo homem em pedra ou em rochas, os petróglifos existimm em todos os continentes, com exceção da Antártida. O termo deriva das palavras gregas petros, "pedra", e glyphein, "talhar". Os mais antigos petróglifos recuam ao Neolítico, há cerca de 12 a 10 mil anos antes do presente, sendo as representações gráficas que antecedem a "invenção" da escrita. Faz parte do conceito geral de Arte Rupestre, mas não deve ser confundida com as pinturas ou desenhos na pedra ou em rochas, do domínio da pictografia.

Texto: Vanessa Brasil e Lucila Vilar

 


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