O processo de identificação de uma nova espécie
Entre análises e observações diretas e indiretas, estudo da bibliografia e precisão
para identificar características que distinguem peixes conhecidos de outros ainda não descritos
Agência Museu Goeldi - Da mesma ordem taxonômica que a Hemigrammus sp. n. é a espécie estudada e descrita por Marilena Carvalho da Silva, em trabalho intitulado “Descrição de uma nova espécie do gênero Hyphessobrycon (Ostariophysi: Characiformes: Characidae)”. A ordem, chamada Characiformes, inclui uma vasta gama de peixes que vivem em rios e lagos da África e da América, que representam uma das ordens mais diversificadas de peixes de água doce.
Suas adaptações morfológicas e fisiológicas permitem a sobrevivência de alguns grupos em condições extremas de baixa concentração de oxigênio, típicas de ambientes de planície de inundação. “Entretanto, são peixes primários de água doce, incapazes de sobreviver em ambientes salinos”, destaca Marilena, também orientanda de Wolmar Wosiacki e estudante do Centro de Ensino Superior do Pará (Cesupa).
O processo e o resultado – A bolsista PIBIC analisou bibliografia, fez observações diretas e indiretas, além de comparação com o material recolhido e, em seguida, sua descrição. “Eu gostei muito do resultado e também pude aprender bastante com a pesquisa, que eu nunca tinha trabalhado antes.”, relata a estudante Marilena que sentiu muita dificuldade, mas que prossegue a jornada de aprendizado.
Foram analisados 42 exemplares de peixes do gênero Hyphessobrycon de um total de 463 espécimes. Os exemplares utilizados foram coletados no Rio Mogno, córrego da nascente da Serra da Onça, do Rio Amazonas e também estavam depositados na Coleção Ictiológica do Museu Goeldi. “Todas as espécies deste gênero são nativas da América do Sul, incluindo mais de 100 espécies”, completa Marilena.
A nova espécie (Hyphessobrycon sp.n.), distingue-se das demais espécies do gênero por apresentar, entre outras características, “uma mancha escura triangular na nadadeira caudal, em média seis escamas na linha lateral, e dois dentes no maxilar”, explica a bolsista.
No Baixo Amazonas – Já o bolsista Luiz Antônio Wanderley Peixoto, também universitário do Cesupa, fez a “Descrição de uma nova espécie de Tetranematichthys (Siluriformes; Auchenipteridae)”, cujo material foi coletado em 2007, no Baixo Amazonas, entre a foz do Rio Negro e a foz do Rio Trombetas.
Ao contrário de Tamires e Marilena, Luiz já havia trabalhado com pesquisa antes de descrever a nova espécie. “Eu já tinha trabalhado em um projeto com finalidade de atualização das espécies de tucunaré, também com a orientação do Wolmar. E agora, estou em outro projeto, também de descrição de outra espécie nova”, diz o bolsista.
Tetranematichthys sp. n. pertence à família Auchenipteridae, que possui duas subfamílias: a Centromochlinae, com quatro gêneros, e a Auchenipterinae, com os demais 16 gêneros, entre os quais Tetranematichthys. A nova espécie distingui-se das espécies congêneres por conjuntos de caracteres combinados relacionados à forma, ao tamanho e ao padrão de coloração. O dimorfismo sexual também é notório. “O padrão de coloração sem manchas escurecidas irregulares na base da nadadeira anal em fêmeas é distinto dos machos, que possuem essas manchas”, afirma Luiz.
“Nós revisamos a literatura sobre a família da espécie e, além disso, fizemos comparação com os espécimes que estão depositados na Coleção Ictiológica do Museu”, conta o universitário. “O resultado foi satisfatório. E, agora, o trabalho já foi publicado na revista Neotropical Ichthyology em março de 2010”, completa.
Texto: Vanessa Brasil.
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