Economia e sociabilidade em quintais domésticos da Costa do Pará
Pesquisa apresentada em evento de iniciação científica do Museu Goeldi
aponta a importância econômica e social dos quintais domésticos para famílias do nordeste paraense
Agência Museu Goeldi - Os quintais, territórios rurais domésticos, têm uma importância fundamental para as famílias que dispõem de área dessa natureza. “Ele é um espaço de lazer para as crianças, um espaço de recreação. É também um espaço de sociabilidade por excelência, além de melhorar a qualidade de vida dessas famílias”, afirma Lorena Mendes, bolsista do Programa Institucional de Bolsas de Iniciação Científica (Pibic/Fapespa), do Museu Paraense Emílio Goeldi (MPEG), orientada pela pesquisadora da Coordenação de Ciência Humanas/ MPEG, Lourdes Furtado.
Na apresentação do trabalho “Quintais domésticos na zona costeira do estado do Pará – uso, significado,Lorena ressalta a importância de estudar as práticas desenvolvidas nos quintais domésticos. Parte da programação do : XVIII Seminário do Programa Institucional de Bolsas de Iniciação Científica (Pibic) do Museu Paraense Emílio Goeldi, realizado até a sexta-feira, dia 9, “o estudo de quintais é um trabalho desenvolvido pelo Grupo de Pesquisa e Estudo de Populações Haliêuticas-Renas e teve como fruto os Cadernos da Pesca Vol. IV, lançado em Dezembro de 2009”, conta Lorena. Segundo a pesquisadora em formação, o livro é uma parceria com grupos locais de Curuçá em capítulo intitulado ‘Quintais: fonte de nutrição, trabalho e renda. Essa iniciativa gerou a necessidade de entender que relações são estabelecidas dentro dos quintais domésticos e que práticas sociais são estabelecidas pelos grupos, explica a autora do trabalho.
Renda, subsistência e troca - O trabalho de campo realizado no centro de Curuçá e no seu distrito mais próximo, São João do Abade, na região nordeste paraense, analisa aspectos econômicos e sociais. A escolha da zona costeira para análise dos quintais domésticos se dá por ser essa a área de atuação do projeto Renas, especificamente a Reserva Extrativista Marinha Mãe Grande de Curuçá – Pará.
Ao analisar a variável da subsistência, a pesquisa apontou que os quintais servem como uma espécie de despensa familiar: “Nós encontramos muitas plantas medicinais, muitas árvores frutíferas, muitos animais que são utilizados também na alimentação dessas famílias”, conta Lorena, que acrescenta que algumas plantas também são utilizadas no tratamento de doenças”.
Já na categoria renda, em muitos desses casos, as frutas e os animais são vendidos em mercados livres de Curuçá, ajudando no aumento da renda dessas famílias. “Neste espaço doméstico, muitas das atividades desenvolvidas, são complementos de trabalhos efetuados fora desses espaços. Por ser uma zona costeira, a principal atividade econômica local é a pesca. Então esses quintais são muito utilizados por famílias de pescadores para atividade de remendo de redes de pesca. O quintal, além da subsistência, da renda e do trabalho, ele é um espaço de continuação de trabalho realizado em outros lugares e não deixa de ser um espaço de agregação e sociabilidade.”
No que se refere a trocas, as plantas medicinais, em menor freqüência, e as frutas são trocadas e doadas, ao mesmo tempo que são vendidas. A bolsista ressalta que quando se trata de vizinhos, familiares e aquelas pessoas mais próximas a troca e a solidariedade reafirma as relações de amizade. “Existe esse dar, receber, retribuir. Não é um recebe e um dar imediato. A troca é livre, mas é obrigatória, como um ciclo. A gente percebe que essa reciprocidade é muito presente nesses grupos domésticos e é o que fortalece esses laços de amizade e laços de solidariedade entre esses grupos.”
Seminário Pibic – Com o tema “Formação de Recursos Humanos e Políticas Públicas na Amazônia”, o XVIII Seminário de Iniciação Científica do Programa Institucional de Bolsas de Iniciação Científica (Pibic) tem como base os primeiros contatos do futuro pesquisador com o mundo da ciência. Na abertura do evento no dia 5, o Dr. Ricardo Secco, Presidente do Comitê Pibic/ MPEG, destaca a importância da pesquisa na formação dos jovens cientistas da Amazônia. “Nós temos que primar pela qualidade de nossos alunos, já que tivemos agora um aumento no número de bolsas do CNPq, para que se possa cumprir o papel de formação de recursos humanos”.
Para Ana Vilacy Galúcio, representante do Dr. Nilson Gabas Jr., Diretor do Museu Emílio Goeldi, na solenidade, o evento se destaca e dá oportunidades para os alunos que desejam continuar no caminho da pesquisa científica “O Programa de Iniciação Científica é fundamental para a formação de pesquisadores e cientistas numa região como a nossa tão carente”. A abertura do Seminário contou também com a presença do Coordenador de Comunicação e Extensão, Nelson Sanjad.
O Seminário atende a estudantes, pesquisadores e profissionais que se interessem por resultados de iniciativas de pesquisa em nível de graduação, divididos em nove sessões e avaliados por comitê externo. Além dos 22 trabalhos das áreas de Ciências Humanas, outros quase 100 trabalhos da Terra, Zoologia e Botânica, apresentados em comunicações orais e painéis foram apresentados ao longo da semana no Auditório Paulo Cavalcante, no Campus de Pesquisa do Museu Paraense Emílio Goeldi.
Serviço: O XVIII Seminário do Programa Institucional de Bolsas de Iniciação Científica (Pibic) do Museu Paraense Emílio Goeldi, encerrou no dia 9 de julho no Auditório Paulo Cavalcante, no Campus de Pesquisa do MPEG, Av. Perimetral, 1901, Terra Firme, em Belém.
Programação completa disponível no
http://www.museugoeldi.br/download/pdf/Edital/2010/folder_pibic2010.pdf
Texto: Silvia Leão.
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