Novas espécies, revisões taxonômicas e dados de distribuição
de plantas da maior floresta contínua do mundo
Pesquisadores iniciantes ajudam a revelar mais detalhes da Amazônia
Agência Museu Goeldi – Na terça-feira, dia 6 de julho, a Botânica tomou conta da programação do XVIII Seminário do Programa Institucional de Bolsas de Iniciação Científica (Pibic) do Museu Paraense Emílio Goeldi. Foram 25 apresentações sobre temas como anatomia madeireira, vegetação de restinga, plantas medicinais, coleções botânicas, produtos florestais não-madeireiros, fungos, óleos essenciais, sementes, espécies em extinção e de importância econômica, entre outros.
O levantamento, a classificação e a divulgação das espécies-tipo (aquelas que foram utilizadas na primeira descrição da espécie) de espécies das famílias Dichapetalaceae e Droseraceae depositados no Herbário da Embrapa Amazônia Oriental (IAN) foi objeto de estudo do bolsista Ramon Castro. A partir da organização e busca de informação sobre tais “tipos”, Ramon registrou para o Herbário 206 exemplares, dos quais cinco são espécies-tipo. “A vantagem do estudo será a rapidez no acesso às informações do Herbario do IAN”, defende o bolsista, orientado por Ely Gurgel e Regina Martins-da-Silva
Da área da anatomia, a bolsista Thália Gama estudou a trepadeira lenhosa Guatteria Scandens Ducke, conhecido popularmente como cipó-ira ou cipó-uíra, com a orientação de Raimunda Potiguara e Ana Cristina Dias. A espécie faz parte da família Anonnaceae, que possui considerável riqueza de espécies, principalmente nas florestas Amazônica e Atlantica. “Mas até o momento, existem poucas informações a respeito da anatomia foliar da espécie”, lembra Thália. E foi devido a essa lacuna, os estudos da bolsista visaram contribuir para a compreensão e conhecimento dos mecanismos biológicos da mesma.
Sementes e frutos - Também em contribuição ao conhecimento da espécie, Ailton Rodrigues realizou estudos sobre a morfologia e a anatomia de sementes maduras de sumaúma (Ceiba pentandra (L.) Gaertn. (Bombacaceae), espécie comum na Amazônia, que atinge de 40 a 50m de altura por 1-2 m de diâmetro. Segundo o bolsista, que também teve a orientação de Raimunda Potiguara, a demanda por sementes de boa qualidade para programas de reflorestamento está relacionada ao aumento de áreas plantadas com espécies nativas da Amazônia, por isso o estudo também buscou contribuir para o uso da espécie em projetos de reflorestamentos
O cedro (C. odorata. (Meliaceae)) é espécie madeireira com status de vulnerável na lista de espécies ameaçadas de extinção, elaborada pelo Projeto Biota, coordenado pelo Museu Goeldi e realizado em colaboração com Conservação Internacional (CI) e a Secretaria de Estado do Meio Ambiente do Pará (Sema). Comum em quase todo o Brasil e muito utilizada na marcenaria, embarcações, decoração, alvo preferencial da exploração madeireira, o cedro estudado por Mery Moraes tem alto valor econômico. A bolsista destaca, no entanto, que os estudos sobre as características morfo-anatômicas de sementes florestais da espécie ainda são incipientes. Em sua pesquisa, Mery descreve a morfologia e anatomia de sementes maduras de C. odorata com a finalidade de contribuir para o conhecimento biológico da espécie e seu potencial em projetos de reflorestamento. A pesquisa teve a orientação de Rachel Macedo e Raimunda Potiguara.
Resultado positivo – Por todos os resultados apresentados, a avaliadora externa responsável pela área de Botânica, Ecologia e Fitoquímica, ficou impressionada com a segurança e o envolvimento dos bolsistas, que mostraram maturidade no desenvolvimento das pesquisas cientificas. “Esse é o espírito da Iniciação Científica, de incentivar a participação dos alunos na pesquisa, pois uma experiência dessas durante a graduação é essencial na formação de um profissional”, destaca Denise Oliveira, da Universidade de Santa Catarina.
A avaliadora ressalta ainda que o Pibic/MPEG cumpre o seu papel na formação de recursos humanos para a região amazônica, preparando os estudantes para uma vida profissional, admitindo, inclusive, dificuldades e erros durante o período da bolsa. Por isso, “a minha avaliação sobre o Seminário foi extramente positiva”, finaliza Denise.
Texto: Vanessa Brasil
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