Preservação, memória e o desenvolvimento da Ciência
Trabalhos apresentados na XVIII edição do Seminário do Pibic/MPEG mostram pesquisas relacionadas à preservação e à organização de informações científicas. Outro destaque é a relação entre a Arqueologia e a Zoologia.
Agência Museu Goeldi - A organização sistemática de informação científica é um ponto fundamental para o desenvolvimento da pesquisa e para o intercâmbio do conhecimento. Projetos de iniciação cientifica desenvolvidos no Museu Paraense Emílio Goeldi (MPEG) se voltam para a informação, catalogação de dados e resgate de material armazenado nas Reservas Técnicas da instituição. Esse foi um dos fios condutores de apresentações de resultados no XVIII Seminário de Iniciação Científica, que aconteceu no Museu no início do mês.
Reserva Técnica é o nome dado ao local onde estão guardadas as coleções científicas. No caso do material arqueológico ele se encontra na Reserva Técnica “Mário Ferreira Simões”; enquanto que o acervo etnográfico está na Reserva Curt Nimuendajú. “A Ciência é dinâmica; as coisas mudam; surgem novas perspectivas de trabalho. Por isso, não se pode dizer que daqui pra frente não se poderá obter informações novas do material guardado numa coleção. Pelo contrário, daqui a alguns anos, novos trabalhos, sob novas perspectivas, podem ser feitos e mais informações podem ser obtidas”, explica Elisangela de Oliveira, que coordenava a sessão sobre Arqueologia do evento.
Avaliação - Ao todo, foram apresentados sete trabalhos na área de Arqueologia, todos avaliados pelo pesquisador Oscar Calavia Saez, da Universidade Federal de Santa Catarina. Abrindo a programação, a estudante de História, Simone Lima, apresentou o trabalho “A Coleção Arqueológica do Museu Paraense Emílio Goeldi”, realizado sob a orientação de Alegria Benchimol, vice-curadora da Coleção Etnográfica do MPEG.
Simone estudou a história da Coleção Arqueológica do Museu Goeldi para identificar como se documenta e se organiza a informação na Coleção. “O horizonte da pesquisa é investigar a forma como se documentam as coleções no Museu, para saber como elas se organizam e para que haja um maior intercâmbio entre as áreas para a produção de conhecimento”, explicou Simone.
Numa perspectiva similar, Mariana dos Santos, estudante de História orientada por Elisangela de Oliveira, apresentou pesquisa sobre a “Organização e Gerenciamento de Coleções Arqueológicas: Propostas para o Acervo dos Sambaquis Porto da Mina e Ponta de Pedras”, no qual se propôs a organizar material arqueológico recolhido há cerca de 40 anos, em um projeto intitulado Projeto Salgado. “Há informações preciosas na Coleção Arqueológica, logo, se ela não for bem estruturada e organizada, não estará disponível facilmente para se fazer levantamentos, dificultando o desenvolvimento das pesquisas. A higienização, organização e documentação são essenciais para pesquisas futuras”, justificou a orientadora.
Ainda na área do levantamento documental, Diego Bragança de Moura participou com trabalho intitulado “Levantamento Histórico-Documental da Formação do Museu do Marajó, a Preservação de uma História Invisível”, relatando o processo de constituição histórica daquele Museu.
Outra vertente dos trabalhos foi a confluência entre a área arqueológica com a Zoologia num campo denominado Zooarqueologia. Nesse sentido, foram apresentados os seguintes trabalhos “Contribuição a Zooarquelogia do Salobo/PA – Análise de Microvestígios Provenientes do Sítio Barfi”, de Zoneibe Luz; “Contribuição a Zooarquelogia do Salobo/PA – Análise de Microvestígios Provenientes do Sítio Arqueológico Bitoca 2 – Salobo/Pará”, de Talita Praia; e “Análise de Microvertebrados Provenientes do Sambaqui do Moa/RJ”, de Sauri Machado.
Completou a seção de Arqueologia o trabalho de Luiz André Moreira, orientado por Vera Guapindaia e João Aires, sobre “Classificação e Análise do Material Cerâmico do Sítio PA-ST-24: Pacoval do Curuá”, pesquisa que teve início a partir da denúncia da destruição de objetos arqueológicos encontrados na Vila Pacoval, pertencente ao município de Prainha, localizado a 640 km de Belém (PA).
Texto: Diego Santos
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