Riqueza da biodiversidade no Destaque Amazônia

Agência Museu Goeldi - A edição de julho do informativo bimestral do Museu Paraense Emílio Goeldi, Destaque Amazônia, traz matérias sobre cinco novas espécies de aves encontradas na Amazônia, pesquisas arqueológicas que remontam ao cotidiano dos senhores de engenho, descrição de uma nova espécie de peixe, histórias sobre as árvores do Parque Zoobotânico do Museu Goeldi e muito mais. Confira.

A matéria principal do jornal apresenta a pesquisa desenvolvida pelo biólogo Edson Guilherme da Silva que defendeu a tese de doutorado intitulada “Avifauna do Estado do Acre : Composição , Distribuição Geográfica e Conservação”. Na sua tese, defendida ainda em 2009, foram 655 as espécies confirmadas para o Acre. Distribuídas em 73 famílias e 23 ordens, cinco delas foram registradas pela primeira vez em território brasileiro: flamingo-da-puna (Phoenicoparrus jamesi), o pica-pau-anão (Picumnus subtilis), o arapaçu-de-tschudi (Xiphorhynchus chunchotambo), o flautim-rufo (Cnipodectes superrufus) e o caneleiro (Pachyramphus xanthogenys). A pesquisa teve a orientação do prof. Dr. José Maria Cardoso da Silva, e foi realizada no âmbito do Programa de Pós-Graduação de Zoologia, mantido pelo Museu Goeldi e a Universidade Federal do Pará (UFPA).

Por influência desse estudo, a avifauna acriana sofreu um acréscimo de 45 espécies e, de todas as espécies confirmadas para o Acre, 22 são conhecidas em território brasileiro apenas a partir dos registros feitos no estado.

Verde - Sobre o Parque Zoobotânico do Museu Goeldi, o Destaque Amazônia de julho apresenta as árvores que foram plantadas por personalidades ilustres como príncipes, princesas, presidentes, ministros, autoridades civis e militares no Parque Zoobotânico do Museu Goeldi, em Belém do Pará.

Uma das árvores mais antigas e frondosas é a Ceiba pentandra, a Samaumeira, plantada em 1896 pelo botânico suíço Jacques Huber, fundador do Herbário do Museu e que sucedeu Emílio Goeldi na gestão do Museu Paraense, até o ano de 1914. Localizada em frente ao Aquário do Museu Goeldi, o exemplar floresceu pela primeira vez em 1932 e hoje conta com quase 40 metros de altura.

O Parque ainda tem árvores plantadas pelo príncipe português D. Pedro de Orleans e Bragança; pelo ex-presidente da República Getulio Vargas, que plantou muda de pau-brasil (Caesalpinia echinata); e o secretário-geral das Nações Unidas, Ban Kimoon entre outras celebridades.

Arqueologia - Os estudos arqueológicos e históricos desenvolvidos por pesquisadores do Museu Goeldi são outro tema da edição 45, de julho. O aspecto enfocado é a diversidade da cultura material em engenhos amazônicos do Brasil Colônia e Império. O bolsista de iniciação científica Helder Bruno Palheta Ângelo, realizou pesquisa denominada “A Cultura Material dos Senhores de Engenhos de Igarapé-Miri e Abaetetuba no século XIX” e estudou as transformações no setor ao decorrer do século XIX.

Sob a orientação do arqueólogo Fernando Marques, Helder Ângelo combinou a análise de fontes históricas e pesquisa bibliográfica sobre a cultura material em outras regiões do país a trabalhos relacionados aos engenhos amazônicos, para identificar mudanças nas práticas cotidianas dos senhores de engenho na região.

A documentação coletada na pesquisa aponta que, na primeira metade do século XIX, os senhores de engenho de Igarapé-Miri e Abaetetuba, municípios paraenses, possuíam maior quantidade de bens voltados para a produção econômica que objetos destinados ao conforto familiar.

Nova espécie - O Destaque Amazônia traz ainda matéria sobre uma nova espécie de peixe que vive em rios e lagos da África e da América e que representa uma das ordens mais diversificadas de peixes de água doce. O trabalho foi desenvolvido pela bolsista de iniciação científica Marilena Carvalho da Silva e é intitulado “Descrição de uma nova espécie do gênero Hyphessobrycon (Ostariophysi: Characiformes: Characidae)”. Orientada por Wolmar Wosiacki a estudante analisou 42 exemplares de peixes do gênero Hyphessobrycon de um total de 463 espécimes

Os exemplares utilizados foram coletados no Rio Mogno, córrego da nascente da Serra da Onça, do Rio Amazonas e também estavam depositados na Coleção Ictiológica do Museu Goeldi.

Lançamentos - As novas edições dos boletins de Ciências Humanas e Naturais do Museu Goeldi também estão no jornal. O Boletim Ciências Naturais (v.5, n.1) traz artigo único, intitulado “Notas sobre os vertebrados do norte do Pará, Brasil: uma parte esquecida da Região das Guianas, I. Herpetofauna”.

Escrito em inglês e trazendo 75 ilustrações em cor, o trabalho é assinado por Teresa Ávila-Pires, Marinus Hoogmoed e Wáldima Rocha e apresenta o resultado de sete expedições aos principais setores da Calha Norte, faixa de fronteira no extremo norte do Brasil, localizada no estado do Pará, onde catalogaram espécies de répteis e anfíbios.

Já a edição do Boletim Ciência Humanas (v.5, n.1) traz dossiê intitulado “Populações, Territorialidades e Estado na Amazônia”. Organizado por Karin Naase, o dossiê reúne um ensaio e quatro artigos de pesquisadores renomados, como a geógrafa Bertha Becker, para, como a própria organizadora define, “fazer um balanço sobre algumas dinâmicas importantes no cenário amazônico”.

Confira a versão digital do Destaque Amazônia no endereço eletrônico: http://www.museu-goeldi.br/sobre/NOTICIAS/destaque.html

Texto: Lucila Vilar.

 


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