Arqueologia de engenhos no estuário amazônico

Projeto do Museu Goeldi gera banco de dados e potencializa ações de educação patrimonial para divulgar a cultura material e a importância dos engenhos na vida amazônica

Lucila Vilar, Agência Museu Goeldi

Para entender o contexto histórico e material da exploração da cana-de-açúcar na Amazônia, e contribuir para preservar sua memória, o Museu Paraense Emílio Goeldi tem realizado estudos arqueológicos em sítios históricos onde existiram engenhos. Nestes locais são feitos levantamentos com o desenho detalhado de estruturas, eventuais coletas de materiais culturais, além da realização de entrevistas com os moradores, devidamente registrados por fotografias. Em complemento aos trabalhos de campo também são pesquisados documentos em arquivos e bibliotecas dos municípios de Belém, Barcarena, Mojú, Acará, Abaetetuba e Vigia, no estado do Pará, e em São Luis, no Maranhão. O projeto conta com colaboração do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), da Universidade Federal do Pará (UFPA), da Embrapa Amazônia Oriental e do Centro de Pesquisa em Arqueologia do Estado do Maranhão.

Atualmente, Fernando Marques, arquiteto e pesquisador do Museu Goeldi coordena o projeto sobre Arqueologia e História de Engenhos Coloniais no Estuário Amazônico. Como interesse principal, o projeto investiga a importância das propriedades de engenho localizadas no estuário amazônico no processo de ocupação e uso das áreas, entre os séculos XVII e XIX, Para tal, busca compreender os possíveis padrões de assentamento das unidades produtivas, suas especificidades ambientais, a organização espacial e a caracterização da cultura material dos sítios.

Acervo - A digitalização de imagens e organização do acervo documental e iconográfico feito pelo projeto culminarão com a consolidação de um banco de dados da Cultura Material de Engenhos Coloniais. O projeto pretende ainda fomentar a divulgação através de exposições sobre arqueologia de engenhos, além de produzir um Catálogo de Sítios Arqueológicos de Engenhos no Estuário Amazônico.

Para Fernando Marques, coordenador do projeto, os estudos desenvolvidos contribuem “para o conhecimento sobre padrões culturais e ecológicos da agroindústria canavieira no ambiente amazônico”. A pesquisa permitirá ainda a construção de uma coleção arqueológica com itens da cultura material, característica da agroindústria canavieira no período colonial como forma de sensibilizar a sociedade para a preservação de vestígios relativos à arqueologia histórica.

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