Parceria entre museus para fortalecimento da pesquisa científica

Museu Goeldi, Museu de Zoologia da USP e Museu Nacional: A semelhança e a diferença de seus objetos de estudo vão contribuir para o conhecimento da biodiversidade brasileira

Agência Museu Goeldi - Entender os processos de diversificação de espécies brasileiras, assim como a constituição da biodiversidade, baseados nas relações ancestrais entre espécies conhecidas ainda existentes e as já extintas é o principal objetivo do projeto interinstitucional denominado Evolução da fauna de vertebrados terrestres brasileiros do cretáceo ao recente: paleontologia e filogenia.

O projeto, desenvolvido pelos três museus mais antigos do Brasil - Museu Goeldi, Museu Nacional do Rio de Janeiro e Museu de Zoologia da USP - também se propõe estudar os aspectos históricos que formaram os principais ecossistemas intertropicais brasileiros. Para fazer essa análise, os pesquisadores irão buscar informações sobre a fauna e a flora brasileira em coleções científicas, acervos bibliográficos, como também por meio de pesquisa de campo.

Termo de Compromisso - Para firmar a parceria, foi assinado, na última quarta-feira, um Termo de Compromisso entre o diretor do Museu Goeldi, Nilson Gabas, juntamente com a diretora do Museu Nacional do Rio de Janeiro, Cláudia Rodrigues Carvalho,  e o representante do diretor do Museu de Zoologia da USP, Luis Fábio Silveira.

Segundo Luís Fábio, o resultado científico que será obtido com a assinatura do termo e a iniciativa de união entre os três museus fortalece um vínculo que pode ser ampliado no futuro. Fábio afirma ainda que o projeto não se mantém somente na área científica, mas também tem uma vertente de divulgação científica para levar ao público o conhecimento alcançado com a reunião das instituições.

A diretora do Museu Nacional, Cláudia Rodrigues Carvalho, ressalta o fato de esta ser a primeira vez que é criada uma parceria entre os três museus. A diretora afirma que a interação entre os museus que detêm 80% do acervo zoológico do Brasil, “é um resgate de uma cooperação que sempre existiu em nível de pesquisa, mas que agora se torna algo mais institucional”.

Segundo o Diretor do Museu Goeldi, Nilson Gabas Jr., o Termo de Compromisso é a primeira formalização desta parceria interinstitucional, que deve ser seguido por Acordo de Cooperação. O diretor acrescentou que já está sendo elaborada uma ação de divulgação do projeto, por meio de exposição, durante a Rio+20 - Conferência das Nações Unidas sobre o Desenvolvimento Sustentável - que será realizada em junho de 2012, no Rio de Janeiro.

O projeto - As pesquisas, que foram iniciadas no começo desse ano, são realizadas em um conjunto de bacias, como a Bacia Sanfranciscana, localizada no nordeste de Minas Gerais e a Bacia do Marajó, no leste do Pará, além de biomas e cavernas, nos quais serão coletados materiais da época Pleistocênica ( 1,8 milhão a 11 mil anos atrás) e Holocênica (11 mil anos até os dias atuais). Através do conhecimento científico gerado por esta Rede, pretende-se subsidiar políticas ambientais e constituir um atualizado acervo científico brasileiro.

Mamíferos, aves e serpentes serão os grupos recentes a serem estudados. Já os grupos fósseis serão os de répteis, como crocodilos, dinossauros, quelônios, mamíferos e aves.

Com a pesquisa, os estudiosos pretendem verificar a expansão e retração ocorridas entre as espécies analisadas. A partir disso, o grupo de pesquisadores acredita que podem surgir estratégias de conservação e de utilização sustentável da Amazônia e do Cerrado. Assim, as pesquisas contribuirão para formar um acervo de informação sobre a biodiversidade brasileira, desde a origem até sua a diversificação.

Intercâmbio internacional- Instituições de pesquisa da França, Estados Unidos, Inglaterra e Israel também farão parte da Rede através de estudos acerca da distribuição geográfica contemporânea de animais. Pesquisadores brasileiros farão intercâmbio para pesquisar nos acervos dessas instituições, para contribuir com as pesquisas feitas em território brasileiro.

O Projeto Evolução da fauna de vertebrados terrestres brasileiros do cretáceo ao recente: paleontologia e filogenia,é financiado com recursos do Conselho Nacional de Desenvolvimneto Científico e Tecnológico (CNPq) através do Edital de Paleontologia.

Texto: Roberto Segundo
Edição: Lilian Bayma

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