Iguana iguana
No centro de Belém (PA) há um refúgio onde cerca de 200 iguanas passeiam na grama, sobem em árvores e até se reproduzem livremente. Acompanhe os passos desses animais, que vivem no Parque Zoobotânico do Museu Goeldi
Agência Museu Goeldi –Não é difícil confundi-los com a paisagem, sobretudo quando imóveis. Donos de um corpo que, dependendo do ambiente em que se encontra, pode apresentar todas as gradações da cor verde. Do tom dos gramados a uma mescla entre o verde das folhas e os marrons dos troncos das árvores, acabam passando despercebidos aos olhos dos visitantes do Parque Zoobotânico do Museu Goeldi. No entanto, quando notados, viram o centro das atenções: crianças ficam curiosas, adultos querem fotografá-los. Não só por ficarem soltos, mas também por sua aparência de feras pré-históricas: pele brilhante olhos claros, crista proeminente nos machos. Alguns exemplares dessa espécie, inclusive, alcançam cerca de 1,75 m - dos quais dois terços correspondem somente à cauda -, e peso entre 4,5 e 6,8 Kg.
Sinimbu - A ciência os batizou de Iguana iguana, mas têm muitos nomes: sinimbu, iguana-verde, iguana-comum ou, simplesmente, iguana. Há quem os confunda com o camaleão o que não é verdadeiro, pois os camaleões pertencem à outra família, a Chamaeleonidae. No Parque Zoobotânico do Goeldi, as iguanas somam 200 e vivem soltas. Segundo Messias Costa, veterinário da instituição, no Parque, eles encontram abrigo e alimento, fazem suas covas em buracos no chão.
Quando filhotes, de acordo com Messias Costa, as iguanas possuem um verde intenso e tem hábito de comer, preferencialmente, insetos, mas, quando adultos, são predominantemente herbívoros. Na época de reprodução, há brigas entre machos competidores, que, de tão intensas, podem resultar em morte. A iguana, que vive aproximadamente 15 anos, é ovípara e realiza apenas uma desova por ano, com uma média de 30 a 40 ovos. Os ninhos são feitos no chão, cavando-se espécies de túneis para proteger os ovos que eclodem entre 60 e 75 dias após a postura.
Moradores de sempre - Sobre como esses animais chegaram ao Museu, Messias Costa não sabe dizer ao certo, porque não são espécies trazidas por terceiros, como as preguiças. Na opinião dele, é bastante provável que existam desde a instalação do Parque Zoobotânico.
Não diferente do ambiente natural, a fauna livre no Parque do Goeldi experimenta a seleção natural. Na época seca, por exemplo, quando há menos alimentos disponíveis no Parque, as iguanas emagrecem, apesar de receberem suplementação. Como há intensa competição no grupo e a disputa por alimentos é apenas mais uma das facetas do bicho, é possível encontrar alguns animais emagrecidos. Esses indivíduos mais fracos e com baixa imunidade são mais suscetíveis à infestação de ectoparasita, que, capturados pelo setor de veterinária, são tratados e posteriormente soltos novamente.
Que bicho é esse? - As iguanas, que pertencem à família Iguanidae, são uns dos maiores e mais populares lagartos das Américas, espalhando-se desde o México, passando pelas regiões Norte, Nordeste e Central do Brasil e chegando até o Paraguai.
No Brasil, podem ser encontrados tanto na Caatinga, como na Floresta Amazônica, sendo que a coloração varia com o habitat. Por isso, podem ser acinzentados, esverdeados e, até mesmo, alaranjados. Répteis têm hábitos diurnos e costumam estar nos troncos e galhos das árvores. Os que vivem no Museu, também são facilmente encontrados no gramado, sobretudo próximo aos prédios da Livraria Ernst Lohse e da Biblioteca Clara Galvão.
Machos e fêmeas são visivelmente diferentes uns dos outros (dimorfismo sexual). Os machos são maiores, possuem cristas mais desenvolvidas (na nuca e no dorso), papada bastante desenvolvida, além dos poros localizados na parte inferior da coxa, que produzem secreções parecidas com escamas para marcar território e atrair as fêmeas.
Diego Santos
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