Drosophila: organismo da teoria da evolução
Apesar de pequena,a mosca é de grande importância para o desenvolvimento da biologia no mundo inteiro
Agência Museu Goeldi - As intensas colaborações das pesquisas e o constante diálogo acadêmico alimentam importantes discussões dentro do Simpósio de “Ecologia, Genética e Evolução de Drosophila”, evento bianual com grupos de drosofilistas do Brasil, da América do Sul, América do Norte e Europa. O gênero Drosophila (Família Drosophilidae) apresenta inúmeras espécies de pequenas moscas, que servem como organismos-modelo para os estudos genéticos e ecológicos.
Segundo a pesquisadora do Museu Paraense Emílio Goeldi, Dra. Marlúcia Martins, bióloga da Coordenação de Zoologia do Museu Goeldi, atualmente coordenadora da Rede PPBio Amazônia Oriental, o evento permite revisar os avanços das pesquisas em Drosophilas no mundo inteiro. “Apesar de a genética ser o tema principal das pesquisas em Drosophila no mundo, no Brasil é diferente. Aqui nós temos, já bastante equilibrado o trabalho na área de genética e evolução e também na área de ecologia e sistemática. Isso permitiu o surgimento de uma nova geração de drosofilistas que tem se consolidado com várias teses, inclusive aqui no Museu”.
Um ícone - A pesquisadora destaca a importância da Drosophila e lembra que a espécie e os pesquisadores de Drosophila estão trabalhando em todos os biomas do Brasil dentre os quais a Amazônia, o Cerrado, a Caatinga. “Apesar de ser uma mosquinha, pequenininha, a Drosophila é de grande importância no desenvolvimento da biologia no mundo inteiro e especialmente no Brasil”.
Esse gênero é o organismo da teoria da evolução. “, A partir dos anos 40, quando se estabeleceu a teoria sintética da evolução, que significou a consolidação das ideias do Darwin, já com os conhecimentos de genética e evolução, a Drosophila foi escolhida como o organismo experimental.” ressalta Marlúcia. A importância desse gênero é tamanha que todos os estudos de evolução têm suas raízes em pesquisas com Drosophilas.
Amazônia – Das listas consolidadas desse gênero, a Amazônia se encontra em segundo lugar em diversidade. “A Mata Atlântica é a que tem a maior diversidade registrada por conta da intensidade da amostragem”, lembra Marlúcia. “Nós somos só um grupo na Amazônia, mas temos 160 espécies de Drosophila já registrada para a Amazônia, algumas espécies descritas pelo grupo de drosofilistas aqui do Museu. Nós temos agora duas novas espécies sendo descritas, como subsídio principalmente aqui na Amazônia de biodiversidade”.
Pioneiro em estudos filogenéticos - A conferência de abertura do evento foi proferida pelo Dr. Nelson Papavero (USP) que falou sobre Coletores de dípteros: os drosofilídeos na rota das expedições científicas da Amazônia. O Dr. Nelson Papavero possui trajetória profissional muito conhecida. Doutor pela Universidade de São Paulo concentra seus estudos de dípteros, percorrendo questões de ordem taxonômica, biogeográfica, evolutiva e ecológica, além da história do conhecimento sobre esses insetos. Com suas pesquisas vinculadas ao Museu de Zoologia (USP), Papavero foi um dos principais colaboradores do Programa Nacional de Zoologia, que, no início da década de 1980, traçou diretrizes para a consolidação dessa ciência no Brasil. Pioneiro em estudos filogenéticos no Brasil, o Prof. Papavero foi quem iniciou o chamado neodarwinismo no país, dando à teoria da evolução um novo rumo por meio da síntese com a genética.
Simpósio – São 13 anos de história organizados com base em eventos científicos diversos. Outras edições do Simpósio, que ora acontece em Belém, ocorreram em São Paulo, Rio de Janeiro e Florianópolis. A edição de 2011 acontece até amanhã, 10 de novembro, no Museu Paraense Emílio Goeldi, em Belém (PA). Os participantes vão a campo por cinco dias. O destino é a Estação Científica Ferreira Pena, na Flona Nacional de Caxiuanã, localizada no município de Melgaço (PA).
Serviço - VII Simpósio de Ecologia, Genética e Evolução de Drosophila acontece até o dia 10 de novembro de 2011, no Campus de Pesquisa do Museu Goeldi, localizado na Av. Perimetral, 1901.
Texto: Silvia de Souza Leão
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