De onde vem o conhecimento

De cabeças jovens, saem resultados de pesquisas sobre a vida humana, vegetal e animal amazônica


Agência Museu Goeldi - Um tradicional remédio contra a malária, um observatório para acompanhar conflitos urbanos, o estresse hídrico artificial em plantas do estuário amazônico. De onde vem uma variedade de assuntos transformados em objetos de pesquisa desenvolvidos entre futuros pesquisadores da Amazônia Brasileira Oriental? Celeiro de investigações sobre a vida na região, programas de formação de recursos humanos como o de Capacitação Institucional do Museu Paraense Emilio Goeldi (MPEG) apresentam resultados em evento bianual.

Um já tradicional evento do calendário científico, o Seminário do PCI acontece entre os dias 28 de novembro e 1º de dezembro, no Campus de Pesquisa do Museu Goeldi, em Belém.

O evento reúne uma variada pauta de pesquisa com mais de 30 trabalhos nas áreas da sóciocultura e ocupação humana na Amazônia, sistemas naturais e biodiversidade, comunicação pública da ciência, educação, tecnologia e conservação e gestão de acervos científicos.

Para a Coordenadora do PCI no Museu Goeldi, Ana Vilacy Galúcio, lingüista, “O Programa Integrado de Pesquisa, Desenvolvimento Tecnológico e Comunicação Científica no Museu Paraense Emílio Goeldi, desenvolvido no âmbito do Programa de Capacitação Institucional (PCI) do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação - MCTI/MPEG, visa à dinamização de pesquisas em áreas estratégicas, de modo a atender efetivamente as crescentes demandas científicas que se apresentam”.

Na opinião da Coordenadora, “O Programa tem sido fundamental para a viabilização de projetos de pesquisa e desenvolvimento tecnológico ligados às linhas prioritárias de pesquisa e comunicação da ciência na Amazônia e vem fornecendo ferramentas que ajudam o MPEG a buscar a excelência em sua área de atividade, através do incremento na produção científica e de projetos”.

Biodiversidade, dinâmicas socioculturais, gestão de acervos, comunicação da ciência são as temáticas estudadas, de acordo com Ana Vilacy que acrescenta: “O programa PCI MCTI/MPEG atua intensamente na formação qualificada de recursos humanos na Amazônia e contribui de forma bastante positiva para o aprimoramento dos programas de pós-graduação internos e externos ao Museu Goeldi, através da participação de bolsistas e ex-bolsistas do programa”.

Para além da formação de recursos humanos especializados, “os estudos desenvolvidos no âmbito do programa também fornecem apoio à formulação de políticas públicas para a região”, arremata a Coordenadora, jovem pesquisadora, também ela oriunda das iniciativas de formação do Museu Goeldi.

Ciências Humanas, Arqueologia e Arqueobotânica - Iconografia, lingüística e conflitos urbanos são temas do primeiro dia de apresentações (tarde de 28/11). Um dos trabalhos de autoria de Jackson Silva da Silva, orientado pelo Dr. Rodrigo Peixoto, da Coordenação de Ciências Humanas, compõe uma iniciativa em parceria entre o Museu Goeldi e a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) para a instalação de um Observatório de Conflitos Urbanos. Jackson investiga os portos públicos à beira-rio em Belém e o que a criação do Portal da Amazônia na orla de Belém representa para as populações que ali habitam.

Arqueologia e Arqueobotânica, além de um diagnóstico socieconômico da Floresta Nacional de Caxiuanã, no Pará, são assuntos de pesquisas desenvolvidas no âmbito da grande área de conhecimento das Ciências Humanas estudadas pelos bolsistas do PCI.

Diversidade natural: Ciências da Terra, Botânica e Zoologia – No dia 29 à tarde, os recursos hídricos, a paisagem física regional e técnicas diversas como o sensoriamento remoto e a geração de banco de dados são aspectos dos estudos que abordam as Ciências da Terra. As pesquisas foram realizadas em áreas tão variadas como a Baía de Caxiuanã no arquipélago do Marajó, a Costa Paraense, a rodovia BR-163, a Cuiabá-Santarém, e o centro de endemismo de Belém, localizado no extremo leste do bioma Amazônia.

Etnobotânica, recursos agroextrativistas, estruturas e química de espécies vegetais, estão representados em estudos da área da Botânica. As pesquisas se dedicam também às plantas de sub-bosques e aquelas de aplicação medicinal, entre as quais um tradicional anti-malárico: o popularmente conhecido, amapá margoso (Parahancornia fasciculata (Poir.) Benoist). A apresentação dos trabalhos dessa área acontecerá na manhã da quarta-feira, dia 30.

Novas espécies, padrão de vida de animais da fauna livre em parques como o Zoobotânico do Museu Goeldi, além de estudos dedicados à Coleção de Invertebrados do MPEG, estão entre as pesquisas da Zoologia a serem apresentadas na tarde da quarta-feira, dia 30.

Para encerrar o Seminário, serão apresentados seis trabalhos sobre tecnologia aplicada à Documentação, Conservação e Gestão de Acervos Científicos bem como os relativos à Comunicação Científica, Educação e Museologia. Dentre eles, dois tratam da inclusão social em ambientes museais.

Programação completa no Portal do Museu Goeldi

Serviço: Seminário do Programa de Capacitação Institucional (PCI), de 28 de novembro a 1º de dezembro de 2011, no Auditório Paulo Bezerra Cavalcante, no Campus de Pesquisa do Museu Paraense Emilio Goeldi, à Av. Perimetral, 1901, em Belém.

Texto: Jimena Felipe Beltrão

 

 

 

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