Uma história de Destaque
Análise de conteúdos de ciência e tecnologia em veículo pioneiro do jornalismo científico
Agência Museu Goeldi - Jornal pioneiro na divulgação de conteúdos científicos na Amazônia Brasileira, o Destaque Amazônia nasceu em outubro de 1984, época de grandes e controversas obras chegavam à Floresta Amazônica. Ele é publicado pelo Museu Paraense Emílio Goeldi (MPEG) que, por meio do jornalismo científico, aproxima a sociedade do conhecimento científico.
Foi a esse veículo que o jornalista Antonio Carlos Fausto da Silva Jr. se voltou para analisar a agenda jornalística institucional refletida nas páginas do jornal.
Segundo o autor, “o Museu Goeldi pusera nas ruas em meados da década de 1980, numa experiência pioneira de democratização dos resultados da ciência na região amazônica. Intitulado Destaque Amazônia, o veículo tornou-se o primeiro a se especializar em jornalismo científico no norte do Brasil e pioneiro na divulgação de ciência e tecnologia na Amazônia.
Muito da ciência feita no Goeldi ao longo dos últimos 25 anos está registrado nas reportagens veiculadas no Destaque Amazônia. O alvo da análise foram as oito primeiras edições do informativo. Publicadas entre outubro de 1984 e julho de 1985, elas apresentam um pouco da realidade amazônica num contexto de reabertura política e face à ânsia governista da época em ocupar o norte do país.
O estudo foi desenvolvido no âmbito do sub-projeto Temáticas Amazônicas – A trajetória da comunicação pública da ciência no Museu Goeldi – 1985-2005: 20 anos com e sem “Destaque Amazônia”, que integra o projeto Ciência e Sociedade: Comunicação e Educação para a Preservação Ambiental e Cultural na Amazônia Oriental Brasileira, ambos coordenados pela jornalista Jimena Felipe Beltrão.
Fausto Jr. concluiu, em sua pesquisa, que a agenda jornalística do Museu não sofreu alterações bruscas ao longo dos últimos 25 anos. A divulgação de resultados dos esforços científicos empreendidos no âmbito da instituição continua a ser prioridade, segundo o estudo, que trouxe à tona também o caráter de denúncia que marcava o discurso jornalístico institucional naquela época, quando os militares estavam saindo do poder no Brasil, depois de 20 anos, e a Ditadura era sufocada pela redemocratização do país.
A organizadora da obra e também coordenadora do projeto que originou o livro ressalta que nele “estão depositadas reflexões abrangentes e pontuais sobre o fazer da Comunicação em uma instituição pública, como é o caso do Goeldi”. No entanto, Jimena Beltrão não deixa passar despercebidas as dificuldades de se fazer pesquisa na área, destacando o “caminho acidentado” percorrido pelo SCS nos últimos 25 anos, inclusive com a perda das bolsas PCI, lembrando que “enquanto luta-se para reverter o quadro, insiste-se na árdua tarefa de tornar acessível o conhecimento, consolidando e aperfeiçoando serviços e produtos já existentes; e promovendo estudos que subsidiem a instituição em definição de metas futuras para a comunicação”.
Pesquisa em Comunicação de Ciência na Amazônia Oriental Brasileira: A experiência recente no Museu Paraense Emílio Goeldi está disponível para download gratuito no Portal do Museu Paraense Emilio Goeldi.
Texto: Vanessa Brasil e Sílvia Leão
Edição: Lilian Bayma
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