No “Destaque Amazônia”, aranhas e a formação de recursos humanos

Um inventário de aranhas produzido em uma região exploratória de minério, o pioneirismo da Dra. Raimunda Potiguara em pesquisas sobre anatomia vegetal e a formação de recursos humanos em Antropologia são alguns dos temas da nova edição do Destaque Amazônia

Agência Museu Goeldi – Uma edição variada em temas e diversa nas abordagens à ciência, o Destaque Amazônia de julho/agosto apresenta aos seus leitores mais um pouco do universo científico do Museu Paraense Emílio Goeldi (MPEG).

Entre as matérias principais estão o trabalho desenvolvido pela Dra. Raimundinha, no Laboratório de Anatomia Vegetal (LAVEG), e o da jovem bióloga Nayane Bastos com o inventário de mais de 12 mil aranhas catalogadas no município de Juruti.

O jornal traz, ainda, as savanas do Pará em proposta de unidade de conservação; os mais de 40 anos de um projeto dedicado à valorização dos saberes tradicionais em áreas ribeirinhas e costeiras; e a Ciência apresentada em jogos divertidos e estimulantes destinados às crianças.

Espécies de aracnídeos – A matéria principal da edição traz um animal temido e representado nas histórias em quadrinhos; as aranhas são objeto de estudo da bióloga Nayane Bastos, orientada pelo pesquisador Alexandre Bonaldo, da Coordenação de Zoologia do MPEG.

O estudo se concentrou na catalogação de espécies de aranhas no município de Juruti, no Oeste do Pará, em áreas de terra firme e várzea na região de planalto, em torno das áreas de licenciamento do projeto da Alcoa/Omnia que extrai bauxita. Os resultados da pesquisa, que acontece desde 2002, determinam o nível de degradação ambiental que a exploração do local oferece às populações de aracnídeos.

Até dezembro de 2011, foram contabilizados mais de 12 mil espécimes adultos, entre machos e fêmeas, distribuídos em cinco famílias. O processo de inventário é feito de acordo com o registro, o mais fiel possível, de um dado grupo taxonômico em determinadas áreas e períodos, usando o mesmo tipo de método de coleta que os cientistas utilizam há 20 anos.

Conservação no Pará – Pesquisa desenvolvida pela Mestre Simone Rabelo, no Programa de Pós-Graduação em Botânica Tropical, coordenado em parceria do Museu Paraense Emílio Goeldi com a Universidade Federal Rural da Amazônia, indica a necessidade de conservar a Savana ou o Cerrado amazônico.

O trabalho indica as áreas próximas aos municípios de Cametá e Igarapé-Miri, no Baixo Rio Tocantins e ao município de Conceição do Araguaia, no sudeste paraense, como prioritárias para a criação de unidades de conservação para a proteção das Savanas, que contribuem para o equilíbrio do meio ambiente.

As savanas são zonas de transição que possuem clima quente, seco e vegetação de aparência retorcida e vulnerável a incêndios. As manchas de savanas amazônicas que ocorrem no Estado do Pará são ricas em espécies e se diferenciam umas das outras, proporcionando uma variabilidade na flora quando comparada às diferentes áreas em estudo.

O começo do Laboratório – Nesta edição do Destaque Amazônia, artigo da Dra. Alba Lins conta um pouco da trajetória, iniciada na década de 70, de uma pioneira nos estudos de anatomia vegetal. A Profa. Dra. Raimunda Conceição Queiroz de Vilhena (depois Potiguara), carinhosamente chamada pelos colegas, Raimundinha, falecida em 2011, deixou um legado atual e perpetuado nos 35 anos de atividades de pesquisa e formação de recursos humanos em Anatomia Vegetal no Museu Paraense Emílio Goeldi (MPEG).

Seus estudos começaram com a anatomia de sementes da castanha-do-pará no recém-inaugurado, por ela mesma, Laboratório de Anatomia Vegetal (LAVEG) no então Departamento de Botânica, que funcionava no Parque Zoobotânico do MPEG.

Doutoranda do primeiro curso de Pós-Graduação em Botânica da Amazônia pelo Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), em Manaus, Dra. Raimundinha precisou mudar o tema, por exigência do curso, dedicando-se à anatomia de 29 espécies da família Quiinaceae.
Apesar das dificuldades inerentes a algo pioneiro, Raimundinha não desanimou, e conseguiu atrair, ao longo de sua carreira acadêmica, apaixonados pela Anatomia Vegetal, o que pode ser constatado nos mais de 60 orientados, entre bolsistas e estagiários, em diversos níveis do LAVEG. Além disso, produziu um legado educacional especializado em espécies amazônicas para o ensino da Biologia para professores recém-formados, como o conjunto de lâminas instrumental.

Os saberes amazônicos em pauta – O jornal destaém os 45 anos do Projeto Recursos Naturais e Antropologia das Sociedades Marítimas, Ribeirinhas e Estuarinas da Amazônia: Relações do Homem com o seu Meio Ambiente (Renas). Com o objetivo de identificar, descrever, analisar e disseminar as relações entre sociedades marítimas, ribeirinhas e estuarinas, o Renas iniciou em 1990 com projetos desenvolvidos em Marapanim, Quatipuru e Marajó.

Ao longo de sua história o projeto gerou várias publicações, financiadas com recursos nacionais e internacionais, como o International Development Research Centre (IDC) do Canadá. O Renas tem formado recursos humanos no Museu Goeldi através de estudos que valorizam saberes tradicionais de comunidades costeira e ribeirinhas.

Crianças conhecem a ciência – Criatividade e curiosidade pela ciência. Essas são algumas das características do jogo educativo elaborado pelo Clube do Pesquisador Mirim, da Coordenação de Museologia do MPEG e que é tratada em matéria na mais recente edição do jornal Destaque Amazônia.
O jogo se baseia nas visitas guiadas pelo Museu e segue um caminho de perguntas sobre o Parque. Ele foi desenvolvido pelas crianças que participam do Clube do Pesquisador Mirim, orientadas por seus monitores. O jogo “Conhecendo a Fauna, a Flora e Curiosidades do Parque Zoobotânico” cria um ambiente interessante e lúdico para aprender um mais sobre os serviços do Parque.

Nota da Editora: Problemas de ordem operacional impediram a circulação do Destaque Amazônia ainda em julho como é de hábito. Espera-se que o atraso não prejudique a leitura e o aproveitamento dos conteúdos.

Texto: Isis Cordovil
Edição: Jimena Felipe Beltrão

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