Nova edição do periódico Destaque Amazônia é lançada

Publicação bimestral do Museu Goeldi, o primeiro número de 2012 já está disponível no Portal do Museu


Agência Museu Goeldi - A 54ª edição do Destaque Amazônia, de Janeiro de 2012, traz em suas páginas duas publicações do Serviço de Comunicação Social do Museu Paraense Emílio Goeldi. Uma delas consiste em um catálogo com peças da cerâmica Marajoara; a segunda publicação é uma coletânea de textos, os quais analisam a comunicação da ciência na Amazônia. O artesanato indígena também é abordado, por meio de projeto realizado em aldeias Kayapó, no sul do Pará. O trabalho trata desde o manejo de sementes pelos indígenas até a comercialização dos produtos nos centros urbanos, como Belém.

Cerâmica em catálogo - O primeiro Destaque Amazônia de 2012 traz matéria sobre  catálogo com fotos de 51 peças representativas da cerâmica Marajoara, sob a guarda do Museu Goeldi. O livro “Cerâmica Marajoara: A Comunicação do Silêncio” é resultado da dissertação de mestrado da jornalista Lílian Bayma de Amorim, Chefe do Serviço de Comunicação Social do Museu Paraense Emílio Goeldi.

O volume, em capa dura e papel couche, apresenta conceitos acerca da cultura marajoara, arqueologia e do colecionismo, a partir de uma criteriosa seleção iconográfica. Para a autora do catálogo, “a seleção das peças a serem fotografadas foi muito difícil devido à diversidade e à beleza dos objetos”. Menção especial é feita no livro a Domingos Soares Ferreira Penna, mineiro, naturalista e fundador da Sociedade Philomática que no século XIX dá origem ao Museu Paraense Emílio Goeldi. Ele foi pioneiro dos achados arqueológicos da cultura Marajoara em seus incursos pelo estuário amazônico.

Artesanato indígena – Na edição do Destaque Amazônia que abre o ano de 2012, também reportagem sobre a pesquisa da mestre em Botânica, Sol Elizabeth González Pérez. O estudo apresenta trabalho realizado nas aldeias Moikarakô (Terra Indígena Kayapó) e Las Casas (Terra Indígena Las Casas). Sol revela que os indígenas usufruem dos produtos florestais não-madeireiros (PFNMs) alguns dos quais de grande importância para sua subsistência e outros que abrem perspectivas para alternativas econômicas sustentáveis. A castanha-do-Brasil é um dos produtos mais utilizados pelos Kayapó. Mas a jovem pesquisadora descobriu uma diversidade de produtos da floresta usada pelos indígenas. Sol identificou as sementes utilizadas no artesanato do povo Kayapó e considera no estudo as principais plantas que fornecem sementes. Em Las Casas, a mestranda acompanhou o processo de obtenção do óleo de babaçu, uma palmeira abundante na região, da qual o óleo que se extrai é geralmente usado como cosmético (cabelos, cuidados com a pele e pintura corporal).

Sol González foi orientada pela Drª Márlia Regina Coelho Ferreira e co-orientada pela Drª Pascale de Robert e seu estudo integra o grupo doLaboratório de práticas sustentáveis em Terras Indígenas próximas ao Arco de Desmatamento, coordenado por Claudia López, do Museu Goeldi.

Comercialização dos produtos- A equipe doLaboratório de práticas sustentáveis em Terras Indígenas próximas ao Arco de Desmatamento também encontrou na aldeia Las Casas outros produtos florestais não madeireiros, dentre eles o pequi e o buruti, além do babaçu. Dos dois primeiros, usam-se os frutos para alimentação) e as fibras, respectivamente. Porém, o que se observa é a organização do trabalho, com participação masculina na coleta do buriti, feminina na do babaçu e familiar na do pequi. Em geral, a produção do artesanato de Las Casas é predominantemente masculina, pois os homens já participam da coleta de sementes e da produção. Já as mulheres, concentram-se exclusivamente no tratamento das miçangas. Mas depois de tanto esforço, o problema maior vem depois: as vendas.

Ainda na esfera do projeto coordenado por Cláudia Lopez, o bolsista Robinson Silva, do Laboratório de Etnologia, estuda características sócio-históricas da comercialização de artefatos dos indígenas Kayapó.  O estudo realizado em Moikarakô, trata desde a coleta de matérias-primas até as diferentes estratégias de venda para não-indígenas. As distâncias entre os centros urbanos e a falta de políticas públicas que valorizem a produção são alguns dos empecilhos encontrados pelos indígenas durante a comercialização, e que foram identificados por Robinson durante a pesquisa de campo. Pascale de Robert, antropóloga do IRD (Institut de Recherche pour Le Développement, França) e pesquisadora Visitante do Museu Goeldi (CCH) e Maria do Socorro Lacerda, da Faculdade Integrada Brasil Amazônia (Fibra), orientaram a pesquisa de Robinson.

Comunicação da Ciência - O livro “Pesquisa em Comunicação na Amazônia Oriental Brasileira: A experiência recente no Museu Paraense Emílio Goeldi”, organizado pela Chefa da Agência de Notícias Museu Goeldi, Jimena Felipe Beltrão, tem seu conteúdo apresentado neste Destaque Amazônia de Janeiro de 2012. O livro representa esforço de formalizar a pesquisa ao tempo que treina recursos humanos para a Comunicação de Ciência. A publicação analisa os discursos jornalísticos no âmbito da divulgação da ciência, incluindo temas como fronteira, biodiversidade, arqueologia. Além de Beltrão, contribuem ao livro Maria Lúcia Sabaa Srur Morais e Antônio Carlos Fausto da Silva Jr. “Pesquisa em Comunicação na Amazônia Oriental Brasileira: A experiência recente no Museu Paraense Emilio Goeldi” está disponível para download gratuito no www.museu-goeldi.br.

Serviço: A 54ª edição do Destaque Amazônia – Ano 28 está disponível para download no portal do Museu Goeldi. Acesse: http://www.museu-goeldi.br/sobre/NOTICIAS/destaque/seleciona_destaque.html

Texto: Vandilson Júnior.

 

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