Um segredo desvelado

Biólogo descobre na Flona do Purus uma espécie de sagui que era um mistério científico. Até o momento da redescoberta, o macaco havia sido descrito
apenas com base em um desenho e seu local de ocorrência era desconhecido



Agência Museu Goeldi - O biólogo Ricardo Sampaio, analista ambiental do ICMBio lotado em Boca do Acre, sul do Amazonas, e atualmente chefe da FLONA do Purus, em parceria com o primatólogo José de Sousa e Silva Junior ( curador da coleção de mamíferos e pesquisador do Museu Paraense Emílio Goeldi - MPEG) e o ecólogo Fábio Röhe (pesquisador da Wildlife Conservation Society-WCS Brasil) estão empenhados em preencher uma lacuna científica – descrever o Saguinus fuscicollis cruzlimai com base em uma série de espécimes com origem geográfica conhecida.

No ano de 2011, Ricardo Sampaio desenvolveu um estudo na FLONA do Purus, apoiado e financiado pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade – ICMBio, onde fez vários registros de primatas e coletou quatro espécimes do Saguinus fuscicollis cruzlimai, depositando o neótipo no INPA e os outros três exemplares no Museu Emílio Goeldi - MPEG.

O Museu Goeldi exibiu um exemplar deste animal em sua exposição permanente até os anos 40 do século XX. Este exemplar foi misteriosamente perdido em um período no qual a Instituição ficou à míngua até ser incorporada pelo, então recém-criado, Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico - CNPq. Em três períodos históricos diferentes, os zoólogos Fernando Novaes, Philip Hershkovitz e José de Sousa (mais conhecido como Cazuza) fizeram buscas para tentar localizar o exemplar com resultado negativo.

O único registro histórico conhecido desta espécie era uma ilustração feita por Eládio Cruz Lima no livro “Primatas da Amazônia”, publicado em 1945 pelo Museu Goeldi. Foi a partir do desenho de Cruz Lima que Hershkovitz fez a primeira descrição do sagui, que somente agora vai ganhar sua descrição definitiva.

 

 

Texto: Joice Santos

 

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