O achado de exemplares vivos de Atretochoana eiselti é destaque na nova edição do
Boletim do Museu Paraense Emílio Goeldi - Ciências Naturais


Agência Museu Goeldi – Já está disponível para acesso on line a mais recente edição do Boletim do Museu Paraense Emílio Goeldi. Ciências Naturais (v.6, n.3, set.-dez. 2011). A nova edição traz uma excelente notícia para biólogos e todos aqueles interessados na natureza: o achado de exemplares vivos de Atretochoana eiselti, um anfíbio ápoda (que não possui membros locomotores, sendo sua locomoção semelhante a das serpentes). Até agora, esta espécie só era conhecida por dois exemplares preservados, mas não havia informações sobre onde e como vivia. O achado é o assunto do artigo “Discovery of the largest lungless tetrapod, Atretochoana eiselti (Taylor, 1968) (Amphibia: Gymnophiona: Typhlonectidae), in its natural habitat in Brazilian Amazonia”, da autoria de Marinus Steven Hoogmoed, Adriano Oliveira Maciel, Juliano Tupan Coragem.

Atretochoana eiselti é o maior tetrápode conhecido que não possui pulmões. O achado feito pela equipe do Museu Goeldi possibilita que o animal seja estudado mais a fundo, buscando-se entender como ele consegue realizar de forma satisfatória as trocas gasosas com o meio onde vive e o que levou à sua evolução. Não sendo um animal pequeno (o maior exemplar obtido atinge cerca de um metro) e, sabe-se agora, ocorrendo próximo a áreas urbanas, pode parecer surpreendente que não tivesse sido redescoberto há mais tempo. Esse caso é só mais um exemplo do nível de desconhecimento que temos sobre a fauna e flora, especialmente em regiões biodiversas como a Amazônia.

A descoberta de espécies ainda não descritas pela ciência é um acontecimento comum, mesmo em grupos como primatas e aves, que estão entre os mais bem conhecidos do planeta – apenas considerando o Museu Paraense Emílio Goeldi, seus pesquisadores descreveram, nos últimos dez anos, 130 novas espécies de animais e plantas, como mostra levantamento que estará em breve disponível no site institucional.

Segundo o editor de Ciências Naturais do Boletim MPEG, Dr Hilton Tulio Costi: “Nosso desconhecimento é tão grande que não conseguimos nem ao menos concordar sobre a ordem de grandeza do número de espécies que existe na face da Terra! E qual a importância disso? Conhecer as espécies em termos científicos significa muito mais do que conferir-lhes um nome. Possuir um nome científico implica estar inserido em uma classificação zoológica e, espera-se, conhecer as relações de parentesco do animal nomeado: os nomes de espécies são binominais, sendo compostos pelo nome genérico mais um epíteto específico, de forma que ele já indica quais espécies são proximamente relacionadas; os gêneros são agrupados em famílias e estas em ordens e classes, a fim de que cada um desses níveis englobe aqueles grupos com um ancestral comum a todos eles. Com isso podemos, por exemplo, fazer suposições sobre características ainda desconhecidas do animal, ajudar a entender como o grupo evoluiu, como determinadas características surgiram ou foram alteradas. O nome científico traz consigo toda uma gama de conhecimentos dos quais se beneficiam também, por exemplo, as indústrias química e farmacêutica, em suas buscas por novos produtos e remédios”.

Costi ainda acrescenta que “a descrição de espécies é, portanto, uma atividade fundamental da ciência, permitindo também que novos conhecimentos venham a ser adicionados ao organismo descrito. Sem uma identidade que o torne reconhecível não haveria como comunicar esse conhecimento – os nomes científicos são reconhecidos internacionalmente, independente do idioma falado no país e das diferenças regionais frequentemente presentes em nomes populares”.

Os outros seis artigos presentes nesta nova edição do Boletim MPEG – Ciências Naturais (http://www.museu-goeldi.br/editora/naturais/index.html) formam um conjunto de importantes contribuições. Marinus Steven Hoogmoed (MPEG) e Teresa Cristina Sauer de Avila-Pires (MPEG) notificam a presença de Scinax pedromedinae no norte do Peru e na Estação Ecológica Mamirauá, na região central do estado do Amazonas, Brasil. Esses novos registros sugerem a distribuição contínua dessa espécie na parte oeste da bacia amazônica, englobando o leste do Peru, oeste do Brasil e norte da Bolívia.

Ricardo Scoles (UFOPA), Rogério Gribel (JBRJ), Gilmar Nicolau Klein (ICMBio) tratam de uma questão de maior importância econômica na Amazônia - a regeneração de Bertholettia excelsa em um platô da região de Porto Trombetas, Pará. Leandro Valle Ferreira, Rafael de Paiva Salomão, Darley Calderaro Leal Matos, Jorge Luis Gavina Pereira (todos do MPEG), a partir do levantamento físico de dados de 179 parcelas na Floresta Nacional de Saracá-Taquera, analisam a complexa relação entre a similaridade de espécies encontradas e a distância geográfica entre as parcelas.

Sandra Regina Visnadi (Instituto de Botânica) apresenta o estudo da brioflora de dois picos paulistas e analisa comparativamente as espécies ocorrentes entre estes, relacionando-as às espécies que ocorrem em picos do Brasil. Adelanthus carabayensis e Syzygiella integerrima são citadas pela primeira vez para o estado de São Paulo.

Alisson Rodrigo Souza Reis (UFPA), Pamella Carolline Marques dos Reis (UFRA), Alcir Tadeu de Oliveira Brandão (UFRA) e Pedro Luiz Braga Lisboa (MPEG) objetivam caracterizar anatomicamente sete espécies de Tachigali disponíveis na xiloteca Walter A. Egler, do Museu Paraense Emílio Goeldi.

Vitor Hugo Dias Alexandrino, Julio dos Santos de Sousa e Maria de Nazaré do Carmo Bastos (todos do MPEG) fazem o “Estudo taxonômico da família Malpighiaceae Juss.”. A Nota de Pesquisa de Gleymerson Vieira Lima de Almeida (UFRPE) e Ednilza Maranhão dos Santos (UFRPE) relata a predação da ave Passer domesticus pela serpente Philodryas olfersii em área urbana.

 

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