Quem ganha com a iniciação científica e o que se perderia sem ela

Trabalho de jovens pesquisadores garantem o enriquecimento do saber sobre vários aspectos de plantas amazônicas e seu potencial para a regeneração de áreas degradadas, para a conservação, para a geração de tecnologia e, não fosse por tudo isso, para o registro de uma memória ameaçada. Seus orientadores são multiplicadores de entusiasmo no trato da Ciência e na formação de novas lideranças

Agência Museu Goeldi - “A iniciação científica te transformou senão num botânico, num desenhista científico”. Assim um  dos examinadores dos trabalhos do 20º Seminário do Programa Institucional de Iniciação Científica  (Pibic) do Museu Paraense Emílio Goeldi (MPEG) saudou Camilo Veríssimo de Oliveira Barbosa, aluno de Ciências Naturais da Universidade do Estado do Pará, que apresentou resultados de estudo sobre taxonomia de 11 espécies do gênero Matayba Aubl..

Orientado pela Dra. Maria de Nazaré Lima do Carmo, Camilo não sabia desenhar até se apaixonar pelos detalhes das estruturas das plantas sob análise.

Em suas apreciações, o examinador Élder Souza e Paiva, da Universidade Federal de Minas Gerais, foi além, ao comentar o entusiasmo dos jovens pesquisadores na construção de suas trajetórias na Ciência: “E ainda há quem duvide da capacidade de transformação da Iniciação Científica”.

Afinal são estudos como esses que têm entre outros resultados, apresentados nesta terça-feira, dia 26, novas ocorrências no estado do Pará de espécie do gênero Passiflora L. (maracujás de diversos tipos); de arbustivas do gênero Matayba Aubl. na Amazônia; bem como a extensão de conhecimento como é o caso de samambaias e licófitas, cujos estudos já se configuram em um grupo dedicado dentro do Museu Goeldi.

Ana Paula Oliveira Cruz, Camilo Veríssimo de Oliveira Barbosa e Chirla Miranda da Costa dão identidade aos estudos em sua primeira incursão na pesquisa científica.

Mais ganhos sempre - Na sessão onde foram apresentados trabalhos de taxonomia, morfologia e anatomia, ficou a impressão que se não for pelo conhecimento que se produz desde o início da formação acadêmica, muito se pode perder.

Para listar algumas potenciais perdas, não fossem os incentivos financeiros de agências como o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e Capes, agência de  capacitação do Ministério da Educação, verifique-se:

Primeiro, se perderia a oportunidade de enriquecer os acervos de instituições como o Museu Goeldi e a Embrapa Amazônia Oriental guardiães de dois dos mais representativos herbários da Amazônia brasileira e que se encontram no estado do Pará mais precisamente em Belém, capital localizada na porção mais a leste da vasta região. A coleta de material em cada um dos estudos tem endereço certo: os autênticos cofres da biodiversidade vegetal da Amazônia;

Segundo, o material estaria apenas depositado, mas não necessariamente enriquecido de informações detalhadas para além das etiquetas de identificação de praxe nos herbários;

Terceiro, ao não estabelecer a diversidade de uma dada espécie como o paricá (Shizolobium parahyba variedade amazonicum), o pracaxi (Pentaclethra macroloba), paricazinho (Stryphnodendron pulcherrimum),   e o taxi (Tachigali vulgaris), se perderiam informações cruciais acerca de espécies de grande utilidade tanto no reflorestamento como na recuperação de áreas degradadas numa terra onde o desmatamento ainda representa uma das maiores ameaças à natureza e à vida humana.

Quarto, é estudando a morfologia de plantas que não se desperdiça a oportunidade de gerar ou aperfeiçoar tecnologia de produção de mudas;

Quinto, é a morfometria, outra vertente dos estudos apresentados no 20º Seminário Pibic do Museu Goeldi que garante informações para a conservação de espécies as mais diversas do reino vegetal.

A lista só ficaria mais longa, então é preferível apontar ainda uma outra experiência de sucesso no tratamento de acervos como os do Museu Goeldi.

De registros manuscritos em grandes livros de capa dura a arquivos de computador, esse é o percurso da coleção de lâminas de pólen iniciada em 1981 no Museu Goeldi. Coleção de referência e valor histórico, a palinoteca passa ao meio digital em iniciativa orientada por Léa Carreira e de autoria de Braz José de Castro Filho. Do software Excel para uma base de dados organizada através de outro programa denominado BRAHMS, em inglês Botanical Research anda Herbarium Management System.

A organização,o registro, a consolidação e a socialização de estudos palinológicos desenvolvidos no Museu Goeldi e na Amazônia são as principais contribuições do estudo apresentado nesta terça-feira, dia 26, no auditório Paulo Cavalcante do Campus de Pesquisa do Museu Paraense Emilio Goeldi, em Belém.

O 20º Seminário Pibic  do MPEG foi aberto na última segunda-feira, 25, com uma conferência proferida pelo paleontólogo e ex-Diretor do Museu, Dr. Peter Mann de Toledo. O evento se estende até a sexta-feira, dia 29, com trabalhos sobre Zoologia, Ciências Humanas, Ciências da Terra e Comunicação e Educação. Confira a programação completa no ,www.museu-goeldi.br>

Texto: Jimena Felipe Beltrão

 

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