Plantas medicinais e a inclusão social no “Destaque Amazônia”

O uso de plantas medicinais por comunidades nos quintais da Transamazônica e a criação de códigos de animais da região para a Língua Brasileira de Sinais (LIBRAS) são apenas alguns dos temas da edição do Destaque Amazônia

Agência Museu Goeldi - O Destaque Amazônia do mês de maio já está disponível, em sua versão eletrônica, no Portal do Museu. Esse mês, o jornal tem como matéria principal o uso de Plantas medicinais por comunidades que vivem à beira da Transamazônica. A edição também traz um projeto de acessibilidade para crianças surdas realizado pelo Serviço de Educação e Extensão do Museu Goeldi e um destaque para uma espécie de primata que se utiliza de gestos e emissões vocais para capturar alimentos e sobreviver aos predadores.

Conhecimento tradicional ajudando comunidades - Em locais onde o acesso aos medicamentos é escasso, a sabedoria tradicional aliada ao vasto número de plantas medicinais nos quintais da Transamazônica são algumas das razões pelas quais, segundo estudo realizado pelo Museu Paraense Emílio Goeldi, algumas comunidades chegam a ter 100% de sua população utilizando de plantas medicinais.

Realizada no município do Pacajá, a pesquisa também foi tema de dissertação da bolsista Stérphane Araújo de Matos com o tema "Plantas Medicinais nos quintais de agricultores familiares do travessão 338 Sul, Pacajá, Pará, Brasil". Segundo a Mestre, grande parte das plantas chegou à região por meio dos projetos de colonização da Transamazônica marcados pela migração de famílias de outros estados Brasileiros.

Mesmo com a grande utilização e o conhecimento sobre as plantas pela população, a localidade não se enquadra na definição de "comunidade local". Isso significa que não é reconhecida pelo Conselho de Gestão do Patrimônio Genético (CGEN) como portadora do conhecimento tradicional associado à Biodiversidade. Segundo Stérphane, a cultura de utilização de plantas medicinais na região de Pacajá é passada de geração em geração e a manutenção desses quintais serve de garantia para o consumo dessas plantas e que pode ajudar a descoberta de novas espécies que possam ajudar a medicina.

Linguagem de sinais para espécies amazônicas - A acessibilidade de pessoas com deficiência auditiva é o objetivo da pesquisa realizada pelo Serviço de Educação e Extensão (SEC) do Museu Goeldi. O projeto inovador procura criar um dicionário com novos gestos para espécimes da fauna e flora que não possuem códigos na Língua Brasileira de Sinais (LIBRAS).

O projeto foi trabalhado pelo Clube do Pesquisador Mirim, um projeto realizado há 14 anos pelo Serviço de Educação e Extensão do Museu Emílio Goeldi. Contando com cerca de 180 crianças e adolescentes a cada ano, o projeto tem como objetivo estimular o interesse pela iniciação científica.

Durante quatroanos a pesquisa foi realizada com crianças surdas e não surdas que entendiam língua de sinais. Os resultados foram comparados e aperfeiçoados com especialistas de instituições da área de deficiência auditiva.

Segundo a bolsista do Programa de Capacitação Institucional (PCI), Deusa Priscila da Silva Resque, os códigos criados seguem um padrão já estabelecido. “Cada espécie nova foi designada com dois gestos, o primeiro que pode representar a família ou o gênero do indivíduo, e o segundo gesto caracteriza algum padrão da espécie,” diz Deusa.

Vocalização Primata - Muito curioso, ágil e com grande capacidade cognitiva, essas são somente algumas das características do macaco-prego, primata da espécie Cebus apella. Durante dois meses o bolsista do Programa Institucional de Bolsas de Iniciação Científica (Pibic/CNPq) do Museu Goeldi, Paulo Tarcísio de Sousa estudou as vocalizações do macaco-prego. A pesquisa intitulada Estudo de vocalização e comportamento de um grupo de macacos-prego(Cebus apella) (Linnaeus, 1758) em Tucuruí, Pará, tem por seu objetivo analisar as vocalizações de um grupo de macacos-prego em  área de preservação ambiental da empresa Eletrobás-Eletronorte, no município de Tucuruí.

O bolsista explica que por serem animais que vivem em árvores, a visualização entre eles é dificultada pela vegetação. Logo, os macacos-prego se utilizam de sinais sonoros por ser um meio eficaz de comunicação.

Segunda a orientadora do projeto, Liza Veiga, uma das razões para se trabalhar em Tucuruí é a logística, já que Tucuruí fornece alojamento e alimentação além de manter um contato mais próximo com os primatas.

Pimenta de macaco - O Destaque também mostra um estudo sobre a pimenta de macaco, uma espécie nativa da região amazônica com alto teor de óleo essencial e rica em Dilapiol. Realizado no município de Santo Antônio do Tauá, o estudo ajudou na possibilidade de  incrementar a produção do óleo essencial de propriedades  biodefensiva e biofertilizante.

O Destaque Amazônia é um jornal bimensal do Museu Paraense Emílio Goeldi, produto da Agência Museu Goeldi, do Serviço de Comunicação Social (SCS), em parceria com o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI). Além da versão impressa, possui uma estante virtual no site do Museu, na qual disponibiliza os conteúdos do produto gratuitamente e, assim, consolida as atividades de comunicação pública da Ciência no Museu Goeldi.

Texto: Roberto Segundo

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