Pesquisa do Goeldi analisa comunidades ribeirinhas da Grande Belém

Organizada por botânico do Museu, a obra é fruto de estudos realizados pela instituição junto
às populações tradicionais que vivem à margem direita do Rio Guamá, em Belém (PA)

Agência Museu Goeldi - “Paisagem confusa de bairros residenciais, áreas florestais, praias e alagados”, a Região Metropolitana de Belém (RMB) é tema de livro lançado, em 2009, pelo Museu Paraense Emílio Goeldi (MPEG) sob o título “Aurá: comunidades & florestas”. Organizada pelo pesquisador Pedro Lisboa, da Coordenação de Botânica (CBO) do Museu, a obra reúne trabalhos científicos voltados para duas das comunidades tradicionais da RMB, conhecidas como Porto da Ceasa e Nossa Senhora dos Navegantes, abordando-as sob os aspectos humano, ambiental e socioeconômico.

Financiado pelo Ministério da Justiça, o livro traz num relato os esforços científicos empreendidos pelo botânico Pedro Lisboa e sua equipe de trabalho. São mais de 200 páginas nas quais o especialista divulga as características dessas populações tradicionais por meio de textos ilustrados por mapas, gráficos e imagens do cotidiano dos ribeirinhos. “É uma abordagem que valoriza as suas nuances ambientais, sociais, econômicas e culturais e alerta para os riscos da sua descaracterização”, afirma o organizador na Apresentação da obra.

Na mesma seção, Pedro Lisboa diz que as comunidades tradicionais do Porto da Ceasa e Nossa Senhora dos Navegantes “convivem com uma permanente ameaça de descaracterização, que só pode ser neutralizada pela valorização e conservação do patrimônio cultural onde elas estão inseridas (florestas e rios) e pela valorização cultural do seu modo de vida”.

Competitividade na economia global - A despeito de viverem na periferia da RMB, sujeitas às influências do aglomerado urbano maior que as rodeiam, essas populações levam uma vida tipicamente rural, “onde a influência maior é do ambiente natural que as cercam e não de elementos que compõem os cenários urbanos da capital”, informa o organizador na Apresentação.

As comunidades do Porto da Ceasa e Nossa Senhora dos Navegantes são abordadas sob seis aspectos na obra “Aurá: comunidades & florestas”, sendo eles o ambiente, a ocupação humana, inventário dos recursos biológicos vegetais naturais, manejo dos recursos biológicos, aspectos socioeconômicos e inovações tecnológicas. O livro mostra que, diferentemente do que pode sugerir, a alcunha de “tradicionais” não representa empecilho para a inclusão desses povos na economia globalizada. Vivendo principalmente do extrativismo vegetal, ações comandadas por Pedro Lisboa ofereceram aos ribeirinhos a oportunidade de manipular e agrega valor aos produtos para garantir uma maior competitividade.


Relatos dessas ações e artigos científicos assinados por Lisboa e participantes da pesquisa constam da obra que só se materializou graças à “permissão e colaboração dos ribeirinhos do Porto da Ceasa e Nossa Senhora dos Navegantes e de pessoas e instituições que participaram do processo”, como afirma o organizador. O pesquisador do MPEG destaca ainda a colaboração da Embrapa Amazônia Oriental e das Universidades Rural da Amazônia (Ufra) e do Estado do Pará (Uepa). “Aurá: comunidades & florestas” é uma realização do Museu Goeldi e Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT).



Serviço -
Aurá: comunidades & florestas pode ser adquirido gratuitamente na Coordenação de Informação e Documentação (CID), no Campus de Pesquisa do Museu Paraense Emílio Goeldi, situado à Avenida Perimetral, 1901,Terra Firme. Mais informações pelo telefone (91) 3217-6061.

Texto: Antonio Fausto

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