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“Um pequeno barco de sonhos acorda cedo na comunidade de Caxiuanã”
Museu Goeldi promove atividades culturais e oficina de leitura
junto a comunidades ribeirinhas do Marajó, no Pará
Agência Museu Goeldi - Incentivar a leitura e desenvolver atividades lúdicas entre as comunidades ribeirinhas da Floresta Nacional (Flona) de Caxiuanã, no arquipélago do Marajó (PA). Autores como Paulo Freire, Bárbara Carvalho, Fanny Abramovich e Monteiro Lobato, literatura clássica que se encontra à disposição no Barco da Leitura, são utilizados para atender agentes multiplicadores, professores, alunos, secretários e funcionários da Secretaria Municipal de Educação de Melgaço e Portel, no Marajó (PA), por meio de uma ação realizada pelo Museu Paraense Emílio Goeldi.
As atividades realizadas pelo Barco da Leitura “Guilherme de La Penha” integram o Museu Goeldi às comunidades ribeirinhas do Marajó. “A gente realiza as atividades pelas comunidades onde o barco passa, onde ele consegue chegar. Muitas comunidades estão longe, estão distantes e é difícil atender a essa demanda”, ressalta Graça Ferraz, Chefe do Serviço da Estação Científica Ferreira Penna-ECFPn.
Uma das atividades do Barco da Leitura foi a oficina “A importância da Literatura Infantil para a Educação”, que aconteceu no período de 17 a 22 de setembro, na Estação Científica Ferreira Penna, em Caxiuanã (PA). Participaram como instrutores Maurício Rocha, Arte Educador; Nilson Bezerra Neto, Licenciado em Letras e Terezinha da Conceição Lima, Bibliotecária.
Atividades da oficina - Durante a oficina, ocorreu a formação do Conselho Escolar da cidade de Melgaço, com a presença dos 48 participantes. A oficina teórica, que dava início às atividades lúdicas, relatavam o histórico e a importância da literatura, com temas variados, que contribuem até hoje para a prática da leitura clássica -com destaque para Monteiro Lobato) à popular, como o cordel.
Outra atividade foi a confecção do primeiro instrumento prático, como incentivador da leitura: o boneco de esponja. Utilizado na contação de história, o boneco desenvolve as habilidades motoras e a criatividade de cada participante. Além disso, mostrou-se como confeccionar um material alternativo, para incentivar a literatura das escolas, unindo a conservação e a preservação do meio ambiente.
A oficina incentivou os participantes a contar histórias, causos e canções, atividade cultural denominada de “Buca da Nuti”, referência ao termo boca da noite, que no linguajar caboclo se refere ao início da noite. Além disso, em espaço aberto mostraram suas artes e costume local. A produção textual também foi utilizada como uma forma de expressão para que cada um contasse sua história. Durante essa atividade, foi demonstrado que, para contar uma história por meio de um texto, são necessárias algumas técnicas diferentes dos recursos usados na contação oral.
Os participantes puderam perceber, a partir de exemplos práticos, como determinadas noções gramaticais (tais como: adjetivo, advérbio e as figuras de linguagem) podem ser aplicadas para expressar idéias, descrever, narrar e enfatizar eventos, e como a escrita depende de bons hábitos de leitura. “A primeira página foi escrita, onde um projeto de levar leitura em um pequeno barco de sonhos acorda cedo na comunidade de Caxiuanã para fazer história”, antevê Graça Ferraz.
Barco da Leitura - Construção de livro de pano, uso do dicionário, experimentações de dinâmica de leitura, teatro, conto musical, e televisão de papelão. Todas as atividades propostas pelo grupo mostraram como o livro pode ser aproveitado como instrumento de aprendizagem pela comunidade local. Com apoio do material do Barco da Leitura “Guilherme de La Penha”, entregue às comunidades da Floresta Nacional de Caxiuanã, no Marajó pelo Museu Paraense Emílio Goeldi, durante a realização da I Olimpíada de Ciências da Estação Científica Ferreira Penna (ECFPn), o objetivo é estimular o hábito pela leitura entre as crianças e adolescentes. O acervo do barco da leitura, que contava inicialmente com pouco mais de seis mil livros, recebeu a doação de mais três mil publicações, em março de 2009, feita pela Chevron Brasil, por meio de seu Programa de Responsabilidade Social.
Texto: Silvia Leão
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