Simpósio em Marabá discute a relação entre Serviços Ecossistêmicos e Agricultura Familiar

Integrante do INCT Biodiversidade e Uso da Terra na Amazônia, o projeto AMAZ reúne acadêmicos, gestores públicos e pequenos
produtores rurais para discutir os primeiros resultados obtidos dos estudos desenvolvidos na Amazônia brasileira e colombiana

Agência Museu Goeldi – Acontece nos dias 27 e 28 de outubro, em Marabá, o Simpósio “Serviços ecossistêmicos na Agricultura Familiar da Amazônia Oriental”.  O evento é promovido pela Universidade Federal Rural da Amazônia (UFPA), o Institut de Recherche pour le Development (IRD), a Universidade Federal do Pará (UFPA) e o Museu Paraense Emílio Goeldi (MPEG), parceiros no Projeto AMAZ, que apresenta os resultados obtidos na sua primeira fase, iniciada em 2007.

O Simpósio faz parte das comemorações da França no Brasil e, por sua vez, o projeto faz parte da rede do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia (INCT) em Biodiversidade e Uso da Terra na Amazônia, liderado pelo Museu Goeldi.

O Projeto “Serviços Ecossistêmicos e Sustentabilidade das Paisagens Agrosilvopastoris da Amazônia Oriental” – AMAZ - pesquisou 315 famílias de agricultores em assentamentos nas regiões de Marabá e Altamira, no Pará (incluindo faixas de abrangência dos municípios de Nova Ipixuna, Parauapebas e Pacajá), e Caquetá, na Amazônia Colombiana. Os pesquisadores investigam os impactos dos fatores socioeconômicos sobre a estrutura da paisagem, a biodiversidade e os serviços ecossistêmicos na região. O financiamento do projeto é do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico (CNPq) e do IRD.

“A originalidade do AMAZ está na metodologia do projeto”, afirma Michel Grimaldi (pesquisador do IRD especialista em solos), um dos coordenadores locais do AMAZ juntamente com Izildinha Miranda (ecóloga e Pró-Reitora de Pesquisa e Desenvolvimento Tecnológico da UFRA) e Marlucia Martins (zóologa do MPEG). Patrick Lavelle, diretor de pesquisa do IRD e pesquisador associado da Coordenação de Zoologia do Museu Goeldi, é o coordenador geral do AMAZ.

Entre os desafios do projeto está a integração de protocolos padronizados para obtenção de dados biológicos, pedológicos e sócio-econômicos. O Museu Goeldi, Núcleo Executor do Programa de Pesquisa em Biodiversidade - PPBio Amazônia Oriental, é o responsável pelos estudos sobre biodiversidade, enquanto a UFRA coordena os estudos ecossistêmicos e a UFPA as pesquisas socio-econômicas.

O grupo de pesquisa do AMAZ é formado por 16 equipes de 3 países (Colômbia, França e Brasil), que atuam em quatro campos disciplinares. O grupo é composto por 60 investigadores e mais de 200 estudantes, que trabalham com cerca de 1.000 moradores da região envolvidos direta ou indiretamente no projeto.

Alguns resultados – Para Michel Grimaldi as pastagens ainda representam a principal forma de intervenção sobre o solo. Essa prática modifica as propriedades do solo, através das queimadas e pisoteio dos animais, por exemplo, tornando-o menos permeável. O aspecto mais preocupante dessa exploração é o fato de bastar um pequeno período para essas modificações se tornarem evidentes - em menos de quatro anos a partir da formação da pastagem.

O Projeto AMAZ tem até 2011 para ser concluído, todavia, já existe uma análise preliminar dos resultados que serão discutidos com a comunidade acadêmica, gestores e setor produtivo. A equipe do projeto está discutindo quais os mecanismos para transmitir essas informações à população abrangida pelos estudos, que é muito diversa.

Apesar das faixas territoriais pesquisadas serem próximas, há uma complexidade de situações na área estudada, existindo formas diferenciadas de exploração da terra observados em todos os municípios investigados. Nos municípios paraenses são encontrados desde extrativismo, culturas de subsistência e até grandes propriedades rurais, variados níveis sócio-econômicos e arranjos políticos. A população que ocupa a área do estudo é oriunda de lugares diversos do Brasil, especialmente da região Nordeste, e não existe homogeneidade quanto ao conhecimento do cultivo da terra na Amazônia.

Dentre algumas das conclusões está a de que o uso da terra pela agricultura afeta de maneira distinta os diferentes organismos e, de um modo geral, seus efeitos produzem perda de biodiversidade, para os grupos mais sensiveis, por exemplo, poucas espécies que originalmente viviam na floresta conseguem permanecer nos ambientes antrópicos. A proporção de espécies remanescentes varia com o grupo taxonômico e depende do tipo de paisagem que substitui a floresta. Os sistemas de uso mais antigos demonstram maior perda de biodiversidade.

O Simpósio “Serviços ecossistêmicos na Agricultura Familiar” acontecerá no auditório do Campus da Universidade Federal do Pará de Marabá, situado na Folha 31, Quadra 7, Lote Especial S/ número, Nova Marabá. A Sessão Solene de abertura acontece às 9 horas. Veja a programação completa.

Texto: Shamara Fragoso – Comunicação PPBio Amazônia Oriental

[Voltar]

 
» APOIO » APOIO