Brasil e União Européia discutem ciência e ambiente no Museu Goeldi

A 2ª Reunião da Mesa Redonda da Sociedade Civil Brasil – União Européia aconteceu no
Parque Zoobotânico da instituição, em Belém (PA). Discussões foram compiladas em documento
final que será apresentado durante a Cúpula dos Chefes de Estado, no Rio de Janeiro.

Agência Museu Goeldi – “Convenções sobre o Clima, Matriz Energética Mundial e Desenvolvimento Sustentável”. Eis o tema que norteou as discussões na 2ª Reunião da Mesa Redonda da Sociedade Civil Brasil – União Européia, que aconteceu no Parque Zoobotânico do Museu Goeldi, em Belém (PA), nos dias 25 e 26 de janeiro, e contou com representantes do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social (CDES) e do Comitê Econômico e Social Europeu (CESE), órgãos consultivos da Presidência da República, no Brasil, e União Européia, respectivamente.

O evento teve lugar no Auditório Alexandre Rodrigues Ferreira, do Parque Zoobotânico do Museu Goeldi, e contou com representantes das sociedades civis brasileira e européia na discussão de temas considerados relevantes para o desenvolvimento social. A partir das discussões empreendidas na Reunião, será elaborado um documento, a Declaração Final, a ser entregue durante a Reunião de Cúpula dos Chefes de Estado Brasil – União Européia, que acontecerá em julho, no Rio de Janeiro.

Composta por representantes do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social (CDES), do Brasil, e Comitê Econômico e Social Europeu (CESE), da União Européia, a Mesa Brasil – União Européia também conta com a participação de especialistas que enriquecem o debate por meio de informações científicas, além de membros dos governos do Brasil e da União Européia, responsáveis pelos assuntos internacionais, na qualidade de observadores. O Diretor do MPEG, Nilson Gabas Jr., e a pesquisadora Ima Vieira, pesquisadora da Coordenação de Pesquisa e Pós-Graduação (CPPG), foram convidados a contribuir com o debate realizado em Belém no começo da semana.

Gabas Jr., que participou da mesa de abertura do evento, destacou a importância de sediar a reunião para o Museu Goeldi, justamente por reforçar a importância do MPEG nos cenários nacional e mundial. O diretor ressaltou, ainda, a necessidade de se pensar em conjunto os desenvolvimentos social e científico, enfatizando o papel das Políticas de Ciência e Tecnologia. E completou, afirmando que “não basta que se faça pesquisa, tem que divulgar o conhecimento”.

A abertura da Reunião contou também com a participação de Mario Sepi, Presidente do Comitê Econômico e Social Europeu (CESE); Christian Burgsmuller, que representou o Embaixador João José Soares Pacheco; Jean-Pierre Constantin, do Conselho Econômico e Social da Guiana (CES); Paulo Simão, que representou o Ministro Alexandre Padilha, da Secretaria de Relações Institucionais; Izabella Teixeira, Ministra de Estado Interina do Ministério do Meio Ambiente; e Ana Júlia Carepa, Governadora do Estado do Pará.

Ciência em subsídio às políticas públicas – O diretor do MPEG também falou sobre a comunidade científica na Amazônia, alertando para a baixa que ocorreu no número de especialistas do Museu Goeldi nas últimas décadas. “A pauta cresceu exponencialmente, mas o número de pesquisadores, não. Há 20 anos, éramos 340; hoje, somos 260”. 

Governadora do Pará, Ana Júlia Carepa reiterou, na abertura do evento, a importância da elaboração de políticas públicas no combate ao desmatamento e para desenvolvimento da Amazônia. Investimentos em Ciência & Tecnologia e a realização de estudos e projeções de impacto no caso de grandes projetos, como a Usina Belo Monte, foram pontos mencionados pela Governadora, que afirmou partir da premissa do desenvolvimento sem destruição.

Coibir a devastação das florestas primárias foi um dos temas abordados por Izabella Teixeira, Ministra de Estado Interina do Ministério do Meio Ambiente. “Não tem sentido falar em desenvolvimento se é necessário devastar floresta primária. O desmatamento tem que chegar a 0%”, afirmou a representante do MMA.

Mudanças Ambientais – Da Coordenação de Pesquisa e Pós-Graduação do Museu Goeldi, a pesquisadora Ima Vieira participou da mesa destinada à divulgação de resultados de estudos científicos. Aluizio Lima, da Universidade Federal do Pará (UFPA), e representantes do Ministério das Relações Exteriores e da CESE também compuseram a mesa, aberta pelo pronunciamento de Ima Vieira que falou sobre “Uso da terra, mudanças ambientais e desenvolvimento da Amazônia”.

Ex-diretora do Museu Goeldi, Ima Vieira mostrou os impactos negativos que a agricultura, a pecuária e o mercado ilegal de madeira exercem sobre a Floresta Amazônica. A expansão do desmatamento, avanço nas mudanças climáticas e extinção em massa de espécies foram problemas citados pela pesquisadora, que alertou, ainda, para os obstáculos que o aquecimento global pode acarretar à economia, como declínio nas produções de milho, arroz, soja, feijão e, sobretudo, café, se a situação atual não for revertida.

Para finalizar, Ima Vieira mostrou algumas políticas possíveis para o combate às mudanças climáticas, dentre as quais enfatizou a redução do desmatamento da Amazônia em 80% até 2020; pesquisa em agricultura tropical; aumento de energia renovável; desenvolvimento de tecnologia em bicombustíveis; recuperação de áreas degradadas; e a redução das emissões de gases em 20% até 2020.

Zilda Arns – No primeiro dia da na 2ª Reunião da Mesa Redonda da Sociedade Civil Brasil – União Européia, um minuto de silêncio foi solicitado em memória de Zilda Arns, fundadora da Pastoral da Criança, que morreu no terremoto que assolou o Haiti.

Foi por sugestão de Zilda que a Mesa Brasil – União Européia se realizou na Amazônia. Ao participar da última Reunião, realizada em Bruxelas, na Bélgica, Arns verificou que muito se falava da região sendo que poucos a conheciam. Os conselheiros presentes à Mesa decidiram encaminhar ao presidente Luis Inácio Lula da Silva uma moção para que a Pastoral da Criança seja indicada ao Nobel da Paz.





Texto: Diego Santos


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